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HMad Artworks 🎨 Artes Plásticas. Pinturas, Esculturas e Palavras Originais

🎨 Visual Arts. Original Paintings, Sculptures & Words

O SuficienteDurante muito tempo acreditei que o dinheiro era a raiz de quase todos os problemas da humanidade.Parecia um...
28/06/2026

O Suficiente

Durante muito tempo acreditei que o dinheiro era a raiz de quase todos os problemas da humanidade.

Parecia uma conclusão inevitável.

Sem dinheiro, desapareceriam a corrupção, a exploração, a ganância, talvez até uma parte significativa das guerras.

Mas bastou recuar alguns séculos.

Muito antes da primeira moeda existir, já havia homens dispostos a conquistar reinos, possuir terras, acumular riqueza, impor a sua vontade e dominar os outros.

O dinheiro nunca criou esse impulso.

Apenas lhe deu uma unidade de medida.

Se não existisse dinheiro, provavelmente encontraríamos outra forma de medir aquilo que desejamos possuir.

Porque o verdadeiro problema nunca esteve no dinheiro.

Sempre esteve na nossa dificuldade em reconhecer quando o desejo deixa de nos fazer crescer e começa a consumir-nos.

Mas também seria injusto culpar o desejo.

Foi ele que nos fez atravessar oceanos, construir cidades, descobrir a ciência, pintar quadros, escrever livros e procurar respostas para perguntas que ninguém tinha feito antes.

Sem desejo não existiria progresso.

O problema nunca foi desejar.

O problema é esquecer.

Esquecermo-nos daquilo que já temos enquanto perseguimos aquilo que ainda nos falta.

Talvez seja por isso que a gratidão seja tão importante.

Não porque nos impeça de sonhar.

Mas porque nos recorda que alguns dos maiores privilégios da nossa existência são precisamente aqueles que deixámos de notar.

Um teto.

Água limpa.

Uma refeição.

Roupa.

Uma cama onde dormir.

A possibilidade de regressar a casa.

Durante grande parte da história da humanidade, tudo isto teria parecido extraordinário.

Hoje chamamos-lhe normalidade.

Talvez a gratidão seja apenas a capacidade de devolver o espanto ao que se tornou habitual.

E talvez o equilíbrio de que tanto falamos não esteja entre possuir muito ou pouco ter.

Mas entre continuar a construir sem deixar de agradecer.

Continuar a sonhar sem deixar de habitar o presente.

Porque, no fundo, a felicidade talvez nunca tenha consistido em possuir tudo.

Talvez consista apenas em chegar a um momento da vida em que conseguimos dizer, com inteira serenidade:

Tenho o suficiente para ser grato.

E, precisamente por isso, ainda posso continuar a sonhar.

Hugo
🖤🙃🖤

Duas esculturas. Dois percursos. A mesma procura pela essência da matéria e da forma.Cobalt True Feelings e Bone Vestige...
26/06/2026

Duas esculturas. Dois percursos. A mesma procura pela essência da matéria e da forma.

Cobalt True Feelings e Bone Vestige já se encontram disponíveis na loja online da HMad Artworks.

Descubra cada detalhe, conheça a história por detrás de cada peça e explore as restantes obras disponíveis.

Link nos comentários da publicação original.

MemóriaNunca sabemos quando passa,o valor de um certo instante.A vida segue, indiferente,sempre inconstante, sempre adia...
25/06/2026

Memória

Nunca sabemos quando passa,
o valor de um certo instante.
A vida segue, indiferente,
sempre inconstante,
sempre adiante.

Tomamos os dias por iguais,
como quem olha sem reparar.
E deixamos fugir o momento
sem sequer o nomear.

Há risos que julgamos breves.
Há tardes sem importância alguma.
Há rostos esquecidos no tempo,
como barcos perdidos na bruma.

E, no entanto, anos mais tarde,
quando a memória os vem buscar,
descobrimos que eram tesouros
que não soubemos guardar.

Há verdades que o momento
não nos consegue mostrar.
Só a distância lhes concede
uma forma de falar.

E aquilo que parecia pouco,
ou apenas mais um lugar,
transforma-se em eternidade
quando o tempo lhe vem tocar.

Talvez por isso a memória
não seja apenas recordar.

Talvez seja só o nome
que o passado achou
para por fim se revelar.

Hugo
🖤🙃🖤

CoragemDurante muito tempo associámos a coragem aos momentos extraordinários.Aos heróis das histórias. Aos soldados das ...
24/06/2026

Coragem

Durante muito tempo associámos a coragem aos momentos extraordinários.

Aos heróis das histórias. Aos soldados das guerras. Aos homens e mulheres capazes de enfrentar o impossível sem vacilar.

Talvez por isso nos custe tanto reconhecê-la quando se apresenta sob formas mais discretas.

Porque a verdade é que nem toda a coragem faz barulho.
Existe uma coragem silenciosa que raramente recebe aplausos.

A coragem de acordar quando não encontramos razões para sair da cama.
A coragem de continuar quando o futuro parece uma estrada coberta de nevoeiro.
A coragem de carregar ausências, desilusões, fracassos e cicatrizes sem permitir que elas definam por completo quem somos.

Há dores que não deixam marcas visíveis.
Não sangram.
Não partem ossos.
Mas instalam-se lentamente nos pensamentos, roubando cor aos dias e peso às esperanças.

E é precisamente aí que a coragem se torna mais difícil de reconhecer.
Porque ninguém a vê.
Ninguém a celebra.
Ninguém a transforma em monumento.

No entanto, ela está presente.

Em cada manhã que chega.
Em cada passo dado sem convicção.
Em cada respiração que escolhe continuar.

Por vezes imaginamos a coragem como um impulso repentino.
Uma força invencível.
Mas talvez ela seja, na maioria dos casos, apenas uma decisão humilde e repetida.

A decisão de ficar.
De resistir.
De atravessar mais um dia sem garantias de que o seguinte será melhor.

E por fim, talvez descubramos uma verdade desconfortável:

há momentos em que é preciso mais coragem para nos mantermos vivos do que para desistirmos da vida.

Porque permanecer exige enfrentar a dor.
Exige carregar dúvidas.
Exige aceitar que nem todas as perguntas terão resposta e que nem todas as feridas desaparecerão por completo.

Ainda assim, permanecemos...

E talvez seja nessa persistência imperfeita, silenciosa e quase invisível que habita a forma mais humana de coragem.

Hugo
🖤🙃🖤

IroniaO universo tem um peculiar sentido de humor.Mostra-nos montanhas distantese ensina-nos a desejar.Abre portas onde ...
22/06/2026

Ironia

O universo tem um peculiar sentido de humor.

Mostra-nos montanhas distantes
e ensina-nos a desejar.
Abre portas onde não víamos
sequer caminho para andar.

Acende sonhos adormecidos.
Dá-lhes forma, cor e direção.
E faz-nos sentir, por instantes,
maiores que a própria razão.

Mostra-nos mundos possíveis.
Faz-nos acreditar que são nossos.
E depois deixa-nos a contar
o eco dos seus destroços.

Há quem lhe chame destino.
Há quem lhe chame ilusão.
E eu apenas reconheço
a sua estranha contradição.

Porque primeiro mostra-nos tudo
o que podemos alcançar...

E depois diz-nos pra viver
sem lhes poder chegar.

Hugo
🖤🙃🖤

Entre Duas SolidõesEntramos neste mundo sós.Chegamos sem mapas, sem memórias, sem compreender o significado das vozes qu...
21/06/2026

Entre Duas Solidões

Entramos neste mundo sós.

Chegamos sem mapas, sem memórias, sem compreender o significado das vozes que nos recebem. Durante algum tempo, o universo resume-se a um colo, a um olhar, a uma mão que nos segura sem que ainda saibamos o seu nome.

E é aí que tudo começa.

Na descoberta silenciosa de que precisamos dos outros antes mesmo de sabermos quem somos.

Passam os anos.

Aprendemos a caminhar, a cair, a levantar-nos. Conhecemos pessoas. Perdemos pessoas. Amamos algumas. Outras atravessam-nos apenas por instantes. Há quem permaneça décadas. Há quem deixe marcas eternas em poucos dias.

E, sem darmos conta, começamos a carregar dentro de nós uma multidão.

Os rostos daqueles que nos ensinaram.
Os nomes daqueles que nos feriram.
As vozes que nos confortaram quando a vida parecia demasiado pesada.
As ausências que continuam presentes muito depois das despedidas.

Nenhum de nós atravessa esta vida sozinho.
Nem mesmo quando acreditamos estar só.

Porque somos feitos de encontros e desencontros.

De tudo aquilo que recebemos.
De tudo aquilo que perdemos.
E também de tudo aquilo que deixámos nos outros...

Há pessoas que vivem em nós sem o saberem.

Continuam presentes num gesto, numa frase, numa música ou numa forma particular de olhar o mundo.

Talvez seja essa a forma mais discreta da eternidade.
Não a de permanecer para sempre.
Mas a de continuar a existir, em pequena escala, dentro de alguém.

Um dia partiremos.
Tal como chegámos.
Sem nada nas mãos.

Sem poder levar connosco os lugares que amámos, os objetos que guardámos ou os caminhos que percorremos.

Mas talvez não partamos inteiramente sós.

Porque, de alguma forma, levaremos connosco todos aqueles que nos ajudaram a chegar até lá.

E deixaremos atrás de nós fragmentos de quem fomos.

Nas memórias de alguém.
Num conselho esquecido.
Num abraço.
Numa história contada anos mais tarde.

Entramos neste mundo sós.
E abandonamo-lo precisamente da mesma forma.

Mas entre essas duas solidões existe uma vida inteira.

E essa vida é feita uns dos outros.


Hugo
🖤🙃🖤

InfernosDizem que o amor salva.E talvez seja a verdade.Mas foi ele quem me ensinouo preço da vulnerabilidade.Foi ele que...
17/06/2026

Infernos

Dizem que o amor salva.
E talvez seja a verdade.
Mas foi ele quem me ensinou
o preço da vulnerabilidade.

Foi ele quem me mostrou
o quanto um homem pode sofrer.
O quanto se pode sangrar
sem nunca esperar morrer.

Já estive em infernos,
sem ver fogo ardente.
Sem encontrar demónios
a perseguirem-me eternamente.

Não ouvi correntes.
Nem castigos sem perdão.
Apenas pessoas
a quem dei o coração.

Umas chegaram como abrigo.
Outras como direção.
E algumas deixaram ruínas
para pisar como chão.

Houve promessas desfeitas.
Silêncios por decifrar.
E palavras que ainda hoje
não me conseguem largar.

Porque aquilo que pouco importa
raramente nos faz cair.
Mas o que amámos verdadeiramente,
leva o seu tempo a partir.

Durante muito tempo pensei
que o amor fosse salvação.
Hoje sei que pode também
ser o princípio da perdição.

Não porque amar seja um erro.
Ou um afeto que faça mal.
Mas porque nem todos os caminhos
nos conduzem a um ideal.

Sim, já estive em infernos.
E hoje conheço-os bem.
Não eram feitos de monstros.
Nem de sombras do além.

Tiveram sim, sempre o nome de alguém.

E essa é a parte difícil de aceitar,
os infernos que mais tememos
são sempre aqueles onde um dia,
apenas quisemos ficar...

Hugo
🖤🙃🖤

Mais um Paradoxo A maior vulnerabilidade de se ser honesto não é a ingenuidade.É a desconcertante dificuldade em imagina...
16/06/2026

Mais um Paradoxo

A maior vulnerabilidade de se ser honesto não é a ingenuidade.
É a desconcertante dificuldade em imaginar a desonestidade dos outros.

Porque tendemos a compreender o mundo a partir daquilo que somos.
Quem ama, reconhece amor.
Quem respeita, espera respeito.
Quem procura ser verdadeiro, assume que a verdade é também o idioma dos outros.

E talvez seja aí que nasce o engano.

Não da falta de inteligência.
Nem da falta de atenção.
Mas da incapacidade de conceber determinadas intenções.

Quem não manipula raramente espera manipulação.
Quem não trai raramente procura sinais de traição.
Quem não mente tem dificuldade em imaginar a facilidade com que alguns o fazem.

Talvez seja por isso que tantas pessoas honestas acabem surpreendidas.
Não porque não viram os sinais.
Mas porque procuravam outra explicação.
Uma explicação compatível com a sua própria forma de estar no mundo.

No fundo, a honestidade possui um paradoxo cruel.
Aquilo que a torna bela é também aquilo que a torna vulnerável.

Porque aquilo que nunca faríamos raramente é a primeira coisa que esperamos dos outros...

Hugo
🖤🙃🖤

Ainda Mais...Sonhos e liberdade não chegam,por mais vastos que possam ser.Porque existe sempre outra margem,e outra form...
15/06/2026

Ainda Mais...

Sonhos e liberdade não chegam,
por mais vastos que possam ser.
Porque existe sempre outra margem,
e outra forma de a ver.

Há sempre um céu para lá do céu,
um caminho para lá do chão.
Uma pergunta por responder,
no outro lado da imensidão.

Passei anos a procurar respostas,
como quem procura um lugar.
Mas quanto mais encontro portas,
mais portas vejo por encontrar.

E não me entristece o mistério.
Nem me inquieta o não saber.
Porque há beleza no horizonte,
e no simples acto de o ver.

Talvez nunca chegue ao fim.
Talvez não exista chegada.
Talvez seja esse o segredo
de toda a estrada sonhada.

Não procuro uma verdade.
Nem uma certeza maior.
Procuro apenas mais mundo,
mais perspetivas em redor.

Mais ar para os pensamentos.
Mais janelas para olhar.
Mais formas de compreender
aquilo que não sei nomear.

Porque existe sempre outra margem.

Outro céu.

Outra direção.

E talvez o que procuro
seja apenas a sensação
de haver sempre mais mundo
para lá da minha visão...

Hugo
🖤🙃🖤

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O Que Falta por DentroPassamos grande parte da vida a procurar fora aquilo que julgamos faltar dentro.Procuramos reconhe...
14/06/2026

O Que Falta por Dentro

Passamos grande parte da vida a procurar fora aquilo que julgamos faltar dentro.

Procuramos reconhecimento.
Procuramos companhia.
Procuramos respostas.
Procuramos distrações.

E, durante muito tempo, acreditamos que a felicidade chegará pela próxima conquista, pela próxima pessoa ou pelo próximo lugar.

Mas há uma descoberta silenciosa que costuma surgir com os anos...

Nem tudo o que nos falta pode ser encontrado.

E nem tudo o que procuramos está perdido.

Há pessoas que carregam dentro de si um mundo inteiro.

Memórias.
Sonhos.
Perguntas.
Ideias.
Livros.
Músicas.
Silêncios.

Não vivem afastadas do mundo.

Mas também não dependem dele da mesma forma.

Porque quem muito tem cá dentro, pouco há-de precisar lá de fora...

Não por orgulho.

Não por superioridade.

Mas porque aprendeu que algumas das maiores riquezas não se possuem.

Habitam-se...

Hugo
🖤🙃🖤

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