13/05/2023
A freguesia da Trafaria, pertencente ao concelho de Almada e ao distrito de Setúbal, surge na margem esquerda do rio Tejo, entre o Bico da Calha (extremo ocidente) e o Portinho da Costa, localidade onde as fragatas da Marinha Portuguesa atracam para limpar os porões.
Com uma área de 5,83 quilómetros quadrados, as principais actividades económicas correspondem aos serviços, ao comércio e à pesca, único meio de subsistência de muitos agregados familiares desta freguesia.
A vila encerra em si própria um mundo de encantos, histórias, lendas e poemas sublimados por Raul Brandão, Ramalho Ortigão, Bulhão Pato, entre outros.
A freguesia da Trafaria foi criada pelo decreto n.º 12 432 de 7 de Outubro de 1926; no entanto, a sua existência remonta há, pelo menos, cinco séculos, pela vontade de um pequeno aglomerado de pescadores.
O acontecimento mais marcante na sua história valeu a Marquês de Pombal o título “Nero da Trafaria”, dado por Camilo Castelo Branco em “Perfil do Marquês de Pombal”: a 24 de Janeiro de 1777, vivia na região cerca de cinco mil pessoas, Marquês de Pombal ordenou a Pina Manique que levasse 300 soldados em faluas do Tejo e incendiasse a Trafaria, por esta albergar centenas de rapazes que fugiam da vida militar. Os que não morreram no incêndio foram obrigados a ingressar nas fileiras militares.
A povoação de Trafaria foi, entretanto, reconstruída: em 1873, estabeleceu-se na região a fábrica de dinamite do engenheiro francês Combemale; em 1901, a rainha D. Amélia inaugurou na região a primeira colónia balnear de Portugal. Na década de 1950, registaram-se recuos da linha de costa entre a Cova do V***r e a Costa da Caparica, que levaram à extinção de centenas de hectares de praia e floresta de pinheiros.
Em 1985, a Trafaria foi elevada a vila pela lei 79/85 de 26 de Setembro.
Fonte: Junta de Freguesia da Trafaria