25/08/2026
Treze anos após a minha primeira exposição na Lousã, regresso a este território com um novo corpo de trabalho dedicado à memória, ao lugar e à fotografia enquanto dispositivo de construção do tempo e de desenho com a luz. A exposição reúne fotografias realizadas com uma máquina estenopeica construída por mim na Imagerie - Casa das Imagens, e que me tem acompanhado nas minhas viagens. Essas imagens são colocadas em diálogo com fotografias antigas encontradas na casa dos meus avós, na Lousã. Separadas por décadas, estas
imagens aproximam-se através das suas fragilidades materiais, da suavidade da luz, da ausência de nitidez e da forma como convocam a lembrança. As minhas fotografias percorrem
a Serra, a Vila e espaços que fizeram parte da minha infância e da história da minha família. O recurso à fotografia estenopeica introduz um ritmo lento de observação e registo, permitindo
que o acaso, o tempo de exposição e as imperfeições do processo integrem a própria imagem. Esta opção técnica não procura reproduzir o passado, mas estabelecer uma continuidade sensível entre diferentes tempos e diferentes formas de olhar. O diálogo com o arquivo familiar transforma a exposição num espaço onde memória individual e memória coletiva se entrelaçam. As fotografias antigas deixam de funcionar apenas como testemunhos biográficos
e passam a relacionar-se com novas imagens que interrogam a permanência da paisagem, a transformação dos lugares e a persistência das ligações afetivas. Mais do que uma evocação
nostálgica, este projeto propõe uma reflexão sobre a fotografia como objeto de memória e sobre a forma como as imagens constroem a nossa relação com o território. Entre o visível e o
ausente, entre o arquivo e a experiência presente, entre a luz e a sombra, a exposição convida o público a percorrer um espaço onde diferentes tempos coexistem e continuam a produzir
novas narrativas.