11/06/2026
Novos trabalhos, pintura e azulejos de ILDA DAVID na exposição "Figuras da Natureza" diálogo com Lourdes Castro.
Não percam a exposição na Galeria Ratton e vale muito a pena voltar para verem estes novos trabalhos.
Dois belos textos de Maria João Avilez no Observador e de Ana Rita Vaz na Agenda Cultural de Lisboa de Junho 2026.
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Maria João Avilez . Observador 2026
É a própria Ilda David que nos recupera de nós mesmos com o melhor da (sua) natureza humana. Desde o seu primeiro risco num papel ou da inaugural pincelada numa tela, suplanta a designação de artista plástica, está além. Nem ocorreria defini-la. Acompanho há muito o que faz para além de me encontrar com ela, com feliz frequência, nas paredes cá de casa. À hora a que escrevo num domingo de sol, Ilda está a caminho de Veneza onde a convite do Vaticano – o que será o mesmo que dizer, adivinho eu, a convite de José Tolentino de Mendonça – para participar na Bienal de Veneza, justamente no Pavilhão da Santa Sé. Foi por ela própria que o soube, não esqueço nem a sua espantada emoção (“foi assim tão de repente”…), nem a sua gratidão a Deus ou aos deuses por ter sido uma escolhida e não uma chamada.
Conversámos as duas na Galeria Ratton onde estreava uma série de estudos, esboços, projectos, inspirados na sua devoção à natureza que se deixavam ver por entre tracejados de luz e manchas de elementos vegetais. Fazia-o “em diálogo” com Lourdes Castro, senhora da sombra e poucas coisas superam um jogo no feminino a que também se pode dar o nome de “diálogo.
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Ana Rita Vaz . Agenda Cultural de Lisboa . Junho 2026
Figuras da Natureza propõe um diálogo sensível entre duas gerações de artistas: Lourdes
Castro e Ilda David. Partindo da relação entre luz e sombra, o projeto cruza universos plásticos
distintos, mas profundamente complementares, num encontro que homenageia a obra de Castro
e a sua ligação histórica à Galeria Ratton desde a sua fundação, em 1987. Em Ilda David,
a luz assume uma presença vibrante e quase escultórica, libertando-se da superfície pictórica
e encontrando eco no jogo subtil de sombras que marca o imaginário de Lourdes Castro. O
azulejo torna-se aqui território de diálogo, onde memória e contemporaneidade se cruzam,
revelando continuidades inesperadas na arte portuguesa.
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