18/06/2026
A escritora Patrícia Portela e o artista plástico José Miguel Gervásio deixaram uma tarde quente de Junho a arder com uma viagem pela história de Espanha e da Europa desde as invasões napoleónicas até aos nossos dias.
Foi no passado dia 12 de Junho na Fonte de Letras na apresentação do livro Hoje, 3 de maio - Romance.
A partir dos fuzilamentos de 3 de Maio de 1808 em Madrid, Patrícia Portela constrói um romance com várias possibilidades de leitura - tantas quantas as personagens e os seus pontos de vista:
O que é afinal aquilo que cada um vê? Vemos todas a mesma história? Assistir é fazer parte (ou é ficar de fora)? Quem são os carrascos e quem são as vítimas?
Yo lo vi, disse Goya (gravura nº44 da série Desastres de Guerra). E a partir dele, a pintura não se limita a mostrar o mundo; começa a tornar visíveis as forças históricas, políticas e simbólicas que o produzem.
Goya surge como ponto axial de uma genealogia crítica que se prolonga por artistas tão diversos como William Hogarth, Honoré Daumier, Giovanni Battista Piranesi, Hubert Robert, Henry Fuseli, William Blake, Théodore Géricault, Édouard Manet, Max Beckmann, George Grosz, Pablo Picasso, Francis Bacon, Anselm Kiefer ou William Kentridge. Em todos eles encontramos, de formas distintas, a mesma inquietação: a passagem da imagem entendida como representação para a imagem entendida como investigação crítica das forças que produzem o real.
Imaginação, imagem e história passam a pertencer ao mesmo campo crítico.
Também nós, hoje, vimos, assistimos, discutimos e criticamos, a partir do nosso balcão e pedimos “é mais um café, por favor!”
patricia portela
José Miguel Gervásio