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31/05/2024

O relógio marcava 6h.

O sol brilhava e segundo a previsão, o dia estaria muito quente. Lençóis molhados e sobre a cama o corpo nu da Leonor. Ela acabou de abrir os olhos e sentiu todo seu corpo fraco, como se tivesse f**ado a noite inteira a lutar. Ela levantou ainda sem colocar uma roupa, se dirigiu ao espelho e viu as marcas no pescoço, uma grande prova de que sua noite foi intensa. Ela respirou fundo e em sua mente surgiram alguns lembranças em forma de flashes. Ela voltou a olhar na cama e viu uma carta. A carta estava assinada pela Angelina, mas ela se recusou em ver.

Simplesmente trocou os lençóis, tomou um banho, arrumou-se e colocou a carta numa de suas malas. Saiu do quarto, despediu-se da família e saiu então a caminho da estação. Ela não ligou, nem enviou mensagem a Angelina. Ela não queria encher sua mente de dúvidas e f**ar mais confusa do que já estava. Ela simplesmente ligou pra Raquel.

— onde você está? Desculpe por ligar agora, eu estou toda fodida da vida, segundo a abordagem dos que realmente sabem o que é estar fodida. Sua irmã acabou comigo esta noite, eu não sei onde ela tira tanto jeito para isso, mas eu estou quase sem forças de continuar a caminhar. Minhas pernas estão totalmente bambas até agora.

— reparei. Vi ela a chegar na madrugada toda arrebentada da vida com marcas, eu pensei que fosse obra do Orlando, mas pelo que vi na internet essa manhã, eu estou aqui na sala a espera da Angelina para me contar isso direito.

— eu não quero saber nada daquele filho da mãe. Escuta Raquell, eu vou processar a sua irmã. Quem ela pensa que é? Que pode chegar na minha casa fora de hora, invade o meu quarto e me usa daquele jeito? Ela me fode a noite inteira e quando acordo ela some e só vejo um bilhete não sei o que tem escrito. Eu não vou abdicar essa oportunidade para atender os caprichos de alguém que não sabe o que quer. Eu estou a ir agora na estação, vou pegar um autocarro e terei os melhores dias com o meu namorado em Benguela.

— desculpe por não acompanhar você na estação e me despedir de ti. Mas, eu desejo o melhor de ti nessa viagem, que você realmente vive os momentos que deseja. E sem querer ser uma estraga prazeres, você tem noção que traiu o Edson né?

— não me lembra isso Raquell. A sua irmã me estuprou, é muito diferente de trair. Agora tchau, eu ligo quando chegar.

Raquell pousou o telefone sobre a mesa e aí continuou a ver o vídeo do Orlando na internet. Ela achou aquilo engraçado e sabia que tinha o dedo da Angelina.

5 minutos depois, Angelina saiu do quarto toda feliz da vida e arrumada, sentou e deu um bom dia pra Raquell.

Raquel olhou para ela e começou a sorrir.

— me conta como fez isso.

Angelina suspirou, serviu chá e disse. — as vezes os homens se esquecem o que realmente é uma mulher.

— você não existe Angelina.

— ainda não acabou Raquell. Eu não suportei aquele porco durante meses para uma simples live ser a minha vingança. Eu cortei a live antes que o Josimar chegasse na parte da penetração. Essa parte eu mesma filmei com meu telefone. É uma garantia caso ele tente fazer alguma coisa contra mim. E agora eu vou na casa dele chorar amargamente para os pais dele dizendo que o filho deles me traiu e que eu vou morrer e todo aquele drama que as mulheres burras fazem quando amam demais. O Orlando vai comer na minha mão junto com a família dele, pode acreditar.

— você está levar esse caso num nível perigoso Angelina, tenha cuidado.

— eu sei me cuidar. Agora tenho que ir, tenho uma missão a cumprir.

Angelina levantou e saiu.

***

O relógio marcava 16h.

Edson f**ava a seguir o Ale de um lado para o outro no salão para tentar convencê-lo de aceitar o que pediu.

— eu já disse que não Edson. — disse Ale mais uma vez.

— lembra que eu já te ajudei com a Idalina. Hoje já quer me deixar na mão. Por favor, és minha única chance.

— Vamos conversar lá fora, tem clientes aqui e não vamos fazer papel de Burros.

Os dois saíram do salão, e continuaram a conversa.

— é só por alguns dias. Você pode f**ar no meu quarto lá em casa.

— eu não vou dar a minha casa para vocês fazerem vossos filmes pornôs, isso nunca. Tenha pelo menos respeito da Raquell. E para piorar elas são amigas. Na cama onde eu durmo com minha namorada, você também quer dormir com amiga dela? Ó sujo, pensa ainda bem.

— Aqueles 20 mil que me emprestou vou fazer com ele o quê ó Ngana?

— eu já te falei, vai naquela hospedaria aí onde 3 dias é só 15 mil kwanzas. Alimentação f**a por tua conta, ou leva ela em casa. Seja criativo.

Ale deu um ponto final naquele assunto e negou qualquer ideia maluca do Edson em querer f**ar com a Leonor na casa dele. Leonor já tinha chegado e ligava para perguntar onde Edson estava, então ele teve que correr até a estação.

A noite, quando Ale chegou em casa, ligou pra Raquel e contou sobre o pedido do Edson.

— Nãooooooo. — gritou Raquell toda nervosa da vida. — de jeito nenhum o seu irmão vai levar a Leonor p'ra sua casa, de jeito nenhum.

— eu disse a mesma coisa.

— como ele foi pensar logo nisso? Eu vou ter uma conversa com ele e muito séria. A Leonor foi preparada, eu conheço ela. Não gosta de depender 100% de alguém para suas despesas. Deixa ele f**ar descansado.

— já não dá para ligar nele agora, porque deve estar com a Leonor.

***

Edson acabou de chegar depois de ter comprado comida para os dois. Leonor estava deitada num sono profundo devido o cansaço da viagem e da noite que teve com a Angelina. Na verdade, Angelina torturou ela de tal maneira que sentia muita dor nas suas partes íntimas.

Edson tentou acordá-la mas foi em vão. Angelina estava mesmo cansada e foi levada pelo sono. A única solução foi deitar ao lado dela.

Ele respirou fundo e já sentia seu pau saltar do calção. Passou a mão nas pernas dela e deslizava os dedo tentado fazer subir o vestido dela mas Leonor afastava a mão dele. Edson respirou fundo e decidiu tentar de novo. Passou a mão no rabo dela ainda por cima do vestido e acariciava. Em seguida deu um tapa leve nela e Leonor voltou a pedir para parar.

Edson todo furioso, pegou no telefone e enviou uma mensagem pro Ale a dizer que o game estava violento, mas Ale não respondeu. Se calhar estava ao telefone com a Raquell.

Edson voltou a tentar a sorte. Passou a mão na cintura da Leonor, e depois apertou os peitos dela. Leonor acordou chateada e virou pro Edson.

— qual é o seu problema? Eu disse que estou cansada.

— como assim está cansada? Desde que você chegou até agora é só dormir amor?

— sim, porque estou cansada. Me entende ainda Edson, eu estou cansada. Guarda essa apetite para depois, agora me abraça apenas e vamos descansar um pouco, pode ser? Eu estou mesmo aqui, não vou fugir.

Edson respirou fundo, abraçou ela e fechou os olhos.

Por volta das 4 horas, Edson abriu os olhos e respirou fundo. Ele sentiu que já tinham descansado demais e que estava na hora de aquecer um pouco o corpo. Acariciava o corpo dela e aos poucos Leonor foi acordando. Edson fez subir o vestido dela e quando passou os dedos na parte íntima, Leonor sentiu uma dor mas segurou. Edson todo apressado, tirou as roupas dele e colocou a calcinha dela de lado tentando forçar a penetração.

Leonor revirou os olhos toda chateada e perguntou. — você assim não reparou que estou seca?

— tá um pouco molhada. Quer mais?

— Edson, você já fez isso mesmo? Eu não estou pronta, você tem que me preparar antes de forçar essa coisa aí tipo um cabo não sei de onde.

Edson fez suas manobras de lubrif**ação e tentou de novo a penetração. Leonor já não falou nada e só esperava ele terminar. Depois de muita luta, conseguiu fazer a penetração e Leonor só ficou com os olhos fechados apertando os lençóis devido a dor que sentia. Ela ainda não estava recuperada com o que Angelina fez com ela, mas para não deixar o suposto namorado na mão, aguentava tudo.

Edson deitou e mandou ela ir para cima. Leonor ficou por cima e a dor era tanta que acabou por desistir.

— melhor você f**ar por cima mesmo, por favor.

Edson entendeu depois de ver a expressão facial dela.

Edson fez suas remadas e gozou na barriga dela.

— terminou? — perguntou Leonor olhando no gozo dele e depois na cara dele de morto. — tabom. Agora limpa isso e me deixa descansar.

Edson limpou seu gozo e caiu morto na cama pegando no sono.

Por volta das 10h, os dois saíram e foram até o salão do Ale, mas não o encontraram. Ligaram para ele mas dava ocupado. Leonor pediu ao Edson que a levasse até a casa dele. Edson levou a Leonor até a casa do Ale e o encontraram a arrumar as coisas, uma vez que era sábado.

Cumprimentaram-se, Ale deu as boas vindas a ela e f**aram a bater um papo meio descontraído.

— Amor você já pode ir. Eu preciso tratar alguns assuntos com o Ale. Um recado da Raquel e eu não quero esquecer depois.

— Mas eu posso f**ar e fazer parte também. Pensei que podíamos passar o dia juntos. — Edson não gostou nada daquela ideia.

— Eu só vou na segunda de manhã, teremos muito tempo juntos. Edson, eu não gosto disso. Estar grudado sempre que nem crianças. Pode me dar espaço um pouco? Eu preciso tratar alguns assuntos com o Ale, por favor. Depois eu ligo para você vir me pegar, pode ser?

— tabom. Vou esperar a sua ligação. Até mais tarde.

Edson tentou dar um beijo na boca como despedida, mas Leonor virou e deu a bochecha.

— até mais tarde amor. — ela sorriu e Edson foi embora. Leonor olhou pro Ale, sorriu e respirou fundo.

— desculpa Ale, eu sei que é seu irmão mas tenho que dizer isso. Chato chato, chato, mil vezes chato. Eu tive que arrumar essa desculpa para me livrar dele um pouco. Toda noite só queria s**o s**o s**o e na madrugada quando já deixei, todo bruto.

Ale ficou a rir e pediu para ela sentar.

— eu vou terminar de arrumar isso e depois já converso com você. Fique a vontade aí, eu vou ligar p'ra Raquel.

Ale ligou p'ra Raquel e Leonor decidiu sentar virando na TV.

Antes mesmo da Raquell atender, Leonor disse ao Ale que estava com fome. Ale teve que terminar de arrumar e foi comprar algumas coisas para a Leonor. No final do dia, não foi necessário ela ligar, Edson apareceu e a levou.

Durante o dia, Leonor ficou a conversar com a Raquell pelo vídeo chamada e quando o saldo terminava, arrumava um assunto com o Ale.

A noite, quando Ale já estava sozinho Raquell ficou a reclamar sobre aquele dia.

— Eu vou conversar com a Leonor quando ela chegar. Ela foi aí para f**ar com o namorado dela, e não f**ar o dia inteiro na sua casa. Eu só estava a rir com ela, mas não gostei disso.

— Ela vai pensar que eu reclamei dela para você. Deixa assim, ela pode interpretar mal.

— que interprete do jeito que quiser. É mesmo assim que começa, confianças fora do limite e depois um dia vai achar que é normal passar a noite na sua casa. E vocês homens como o vosso cigarro é automático, será rápido.

Ale ficou a rir daquele comentário da Raquell por uns longos segundos.

No outro lado, Edson fazia amor com Leonor como se estivesse com raiva dela, pois não gostou do que aconteceu naquele dia. Antes mesmo de Leonor sentir um pouquinho de prazer, Edson já gozou e dormiram. Na madrugada a mesma estória se repetiu.

Leonor decidiu ir a casa do Ale de novo e ao invés dele f**ar com ela, Ale chamou a Yolanda e ele desapareceu.

No final do dia, Edson foi buscá-la e a história se repetiu. S**o antes de dormir e s**o na madrugada, aí caíram no sono de novo.

Por volta das 8h quando ela já estava preparada para voltar na sua cidade, Edson levava ela na estação e decidiu ligar então pra Raquell para avisar que já estava voltando. Quando Raquell atendeu, deu a ela uma notícia não muito agradável.

— Como? Quando ? — perguntou Leonor parando no meio do caminho.

— Ontem a noite eu estava a falar com o Ale quando ouvi um barulho. Eu saí e quando cheguei na rua, encontrei um grupo de jovens a dar uma surra na Angelina. Ela estava jogada no chão enquanto chutavam ela e as pessoas só assistiam. Quando cheguei perto, eles já tinham entrado num carro e fugiram. Estou no hospital com ela e ainda não me falaram nada.

— não chora Raquell, eu já vou pegar o autocarro. Isso tem mãos do Orlando.

— claro que tem. Eu avisei a Angelina que isso não acabaria bem.

— já chega disso. Alguém tem que parar o Orlando. Eu vou pegar o autocarro e daqui algumas horas estou aí. Não chora, a Angelina vai f**ar bem, ela vai f**ar bem. Tem que f**ar bem.

Leonor desligou a chamada e olhou pro Edson que estava parado sem entender.

— o que foi?

— nada não. Vamos, eu já estou meio atrasada.

Leonor pegou o autocarro e deram partida com destino a Luanda. Ela f**ava a pensar na Angelina o tempo todo e aí lembrou da carta que deixou para ela na noite que passaram juntas. Tirou a mala, vasculhou até encontrar a carta e abriu.

Carta — antes de tudo, quero que saiba que não fiz planos disso. Nunca foi minha vontade ser a pessoa que há muito tempo demonstrei ser. Porém, eu não culpo ninguém pois eu tive muitas chances de poder fazer diferente. Eu tinha sonhos, tinha objectivos como qualquer mulher, mas as coisas não correram como tal e acabei me tornando nessa pessoa. Eu sempre detestei você e parecia que era recíproco. Mas de repente, não sei que p***a aconteceu, todo aquele ódio se transformou em algo mais terrível ainda. Saudade, ciúme e vontade em tê-la. Isso me consumiu e te magoar tem sido um peso todos os dias. Eu tinha que dar um basta no Orlando, e para isso tive que abdicar a vontade de estar com você para dar certo. Doeu bastante e ainda dói pois você já se entregou para outro e não tenho como te julgar. Eu fiz isso para tentar te mostrar onde é o seu lugar e a quem você pertence de verdade. Se depois disso, você ainda quiser se encontrar com ele, então é porque eu estava errada esse tempo todo. Provavelmente os meus planos podem dar errado e vou sair machucada mais uma vez. Se eu morrer, quero que saiba que foi verdadeiro e eu não menti. Se eu morrer, guarde boas memórias de mim por favor.

Atenciosamente, Angelina.

Fim.

31/05/2024

TRÊS MESES DEPOIS

O relógio marcava 22h.

Raquell e Ale conversavam pelo vídeo chamada faz uma hora. Raquell arrumava o cabelo para se deitar e Ale já estava deitado todo coberto.

— E a sua mãe? A dona Domingas. — perguntou Ale.

— a dona Domingas está bem. Sempre com aquele drama, a não vocês não ligam, não visitam outra não sei que não sei. Ela reclama muito.

— coitada. Ela deve estar mesmo com muitas saudades.

— Isso é mimo. Nós também estamos com saudades mas nem com isso fazemos tanto drama.

Raquell terminou de arrumar o cabelo e olhou em direção a porta do quarto após ouvir um barulho na sala.

— O que foi? — perguntou Ale ao notar uma mudança na expressão facial.

— eu já volto, não desliga.

Raquell se dirigiu a porta, abriu devagarinho e espreitou na sala. Foi aí que viu a Angelina parada apoiada na porta a chorar. Ela fechou a porta e voltou a f**ar na frente do telefone permitindo que Ale a visse.

— O que foi ? — Ale voltou a perguntar.

— É a Angelina a chorar. Acabou de chegar. Tem sido assim nos últimos dias. Sempre que chega, as vezes dorme no sofá e chora durante uns minutos.

— você devia conversar um pouco com ela. Talvez ela se abre contigo.

— eu vou fazer isso. Mesmo que já sei o motivo, ela é teimosa.

Ale respirou fundo, e pediu para ela ir ter com a Angelina, pois f**aria a espera dela.

— prometo não dormir até que você volte a ligar.

— tabom. Aproveite e atende as ligações dessa sua amiga que não para de ligar no homem da outra a essas horas. Aquela vaca.

— não ofende ela desse jeito. Ela é chata, mas relaxa.

Raquel respirou fundo, desligou e foi ter com a Angelina. Quando chegou na sala, encontrou ela já sentada a mexer no telefone. Ela olhava as fotos da Leonor e bloqueou o telefone assim que viu a Raquell.

— ouvi você a chegar. E... E vi você a chorar. De novo, Angelina. — Raquell se aproximou e sentou perto dela.

— Não liga isso Raquell. Eu estou bem. Já falta pouco, isso tudo vai acabar dentro em breve.

— eu não sei o que você tenciona fazer, mas parece que isso só te prejudica ainda mais. Me conta e talvez eu te ajude.

— Não se preocupe Raquell, eu vou fazer isso sozinha.

Raquel não insistiu e simplesmente sorriu para ela.

— Eu tenho algo a te contar. Não é boa coisa, mas prefiro que você saiba. A Leonor começou um relacionamento com o Edson, irmão do Ale. Eles começaram a namorar acho que na semana passada e neste final de semana a Leonor vai para Benguela passar alguns dias com ele.

Angelina virou o rosto ao lado e simplesmente sorriu.

— Felicidades para eles. — disse voltando os olhos a Raquell de novo. Ela levantou e foi até o quarto.

***

O Sol acabou de nascer e Edson acordou todo empolgado e feliz da vida.

O relógio marcava 6h:30 e ligou pro Ale.

— fala Edson.

— Estás no cubico? Eu preciso de uma pilha wy, estás no cubico?

— estou a me preparar para ir p'ra faculdade. É o quê?

Sem responder, Edson desligou e Ale ficou sem entender nada. Depois de se arrumar, alguém bateu na porta dele muito rápido e com muita força. Ale abriu e lá entrou o Edson todo atrapalhado e agitado.

— Wey, minha mboa virá na sexta feira a noite, estou gato de kumbu, tens que me pilhar.

Ale ficou parado e olhava para o Edson quase soltando uma gargalhada.

— isso é azar. E você chama tua mboa sem ter dinheiro p'ra quê?

— wy no amor esse mambo de dinheiro não é muito importante.

Ale abriu a carteira e tirou dois mil kwanzas.

— Toma.

Edson olhou no dois mil e ficou chateado.

— Wey tás me confundir. Vou fazer o quê com dois mil?

— p***a. Dois mil já vai dar para comprar um Compal e lhe pagar táxi. Assim você quer quanto?

— Wey — Edson voltou a sentar. — assim minha mboa que vai sair de Luanda, vou lhe dar táxi para fazer quê?

Ale ficou confuso, pois não sabia da nova namorada dele.

— Qual dama de Luanda?

— a Leonor. A amiga da tua mboa, Chee wy consegui a nengue no Domingo.

Ale ficou ainda a rir e Edson só ficou mais furioso.

— vamos falar disso mais tarde. Agora vou pra faculdade e já estou atrasado. Mais tarde vamos conversar.

Ale mandou o Edson sair e fechou a porta. Os dois caminharam até o final da rua e cada um foi por um lado.

O dia foi passando e as coisas foram acontecendo. Ale terminou de assistir as aulas e foi direito para o trabalho onde ficou o resto do dia.

Raquel passou o dia no espaço que alugou onde será o grande bar que ela sempre sonhou em ter. Os últimos arranjos estava a ser feito e os próximos planos, eram sobre o dia da inauguração. Por ser Novembro, tudo estava a seu favor, pois é um dos meses que as pessoas mais frequentam esses lugares e o marketing de abertura já rolava nas redes sociais. Chegou em casa esgotada e não encontrou a Angelina.

Enviou uma mensagem pro Ale o cumprimentando e ele respondeu em segundos.

— já estás em casa?

— acabei de chegar. O Edson me acompanhou até aqui. Estava a me encher a cabeça com uma cena. Sabia que ele agora é namorado da Leonor?

— Sabia. Até já marcaram um encontro em Benguela. A Leonor está a fazer as malas para sexta feira. Aquela feia não para de falar nisso.

— e não me contou?

— Como assim? Eu não tinha esse direito né. O seu irmão tinha que partilhar isso contigo primeiro, assim como a minha amiga também partilhou comigo. Eu não sou fofoqueira meu querido.

No dia seguinte, Raquell passou na casa da Leonor e pegou ela para juntas irem acompanhar o trabalho lá no futuro bar da Raquel.

Angelina passou o dia todo de passeio com o Orlando, pois era o grande dia da sua vingança. Durante meses ela conquistou a confiança e amizade dos pais do Orlando, irmãs, tias e primos. Ela era a filha querida deles e era vista realmente como a namorada do Orlando. Ela jogou de tal maneira que participou em muitas convivências da família dele. Até no óbito de um dos tios do Orlando ela foi e ajudou na cozinha.

No dia da grande vingança ( numa quinta feira ) ela pagou um jovem gay para encontrar ela num dos hotéis da cidade que ela passaria o endereço no final do dia. Ela e o Orlando jantaram num restaurante que faz parte do mesmo hotel e quando foram para o quarto, ela botou umas gotas de droga na bebida dele. Quando ele já estava fora de si, Angelina ligou pro jovem gay e os encontrou no quarto. O plano era dele fazer amor com o Orlando em direito a partir do telefone dele enquanto ela também filmava. Após tudo acontecer, Angelina pagou um outro quarto e o jovem passou a noite lá enquanto lá se retirou por volta da meia noite.

Angelina foi direito a casa da Leonor
Ela se sentia como se tivesse tirado um peso das costas. Chegou no portão da casa dela, e ligou.

Leonor dormiu cedo, pois teria que acordar cedo para pegar o autocarro das 8h e ir para Benguela. Depois de três tentativas, Leonor finalmente atendeu cheia de sono.

— Viu que horas são? O que você quer?

— estou no seu portão, estou a espera. — Angelina desligou e não deu tempo dela negar.

Em dois minutos, Leonor abriu o portão toda furiosa, mas Angelina partiu para cima dela dando um beijo que deixou ela totalmente vulnerável.

— para para... O que deu em você? — ganhou forças de afastar-se dela por um segundo.

— cala a boca Leonor. — voltou a beijá-la e por um momento Leonor retribuiu. Mas pediu para parar de novo. — eu já mandei você calar a boca. — Angelina voltou a beijar e agarrou forte o rabo dela e de novo Leonor afastou.

— Você é doida. Os meus pais estão em casa a dormir e aqui é o quintal da minha casa, controle-se Angelina.

— Fecha o portão e me encontra no seu quarto.

Angelina deu as costas e se dirigia dentro de casa. Leonor não conseguiu a impedir. Trancou o portão e quando entrou no quarto, encontrou a Angelina só de calcinha de quatro mostrando aquela visão toda para ela.

— não faz isso Angelina, por favor.

Angelina colocou a calcinha de lado ainda naquela posição e chamou a Leonor que babava só de ver ela naquela posição.

— me fode, sou toda sua hoje.

31/05/2024

O relógio marcava 6h

Raquell e Angelina passaram a noite inteira acordadas. Elas conversaram, assistiram filmes e comeram o máximo que podiam para o tempo passar rápido. Raquell ficou triste com o que ouviu. Porém, foi algo que Angelina fez antes de se desculpar, então ela não ficou zangada.

— Agora a Leonor já não quer nem sequer olhar para a minha cara. Eu ligo e ela desliga, mando mensagem e ela simplesmente não responde. Você pode conversar com ela?

— conversar até posso tentar
Mas, a Leonor é difícil e terás que ter muita paciência. Mas me fala uma coisa, isso é sério? Você e a Leonor.

— não oficializamos nada, então só estamos assim até onde der. Mas me sinto muito bem com ela, eu estou irreconhecível, não consigo acreditar em mim mesma. — Por alguns minutos, Raquell ficou a olhar pra Angelina e meteu-se a sorrir. Pois, nunca viu Angelina com aquela cara que nem uma burra. Dava para perceber que ela realmente sente algo pela Leonor. Porém, a expressão facial da Angelina mudou de repente assim que viu seu telefone chamando. Era o Orlando — é ele. O Orlando. — disse olhando na Raquell.

— Atende.

Angelina atendeu e meteu no viva voz.

— Estou a ouvir Orlando.

— oi namorada. Há quanto tempo. Hoje decidiu atender a minha chamada, acho que já viu os vídeos maravilhosos que enviei da sua irmã.

— Eu já vi sim Orlando e parabéns seu filho da p**a. Você conseguiu fazer papel de m***a de novo.

— Você não parece assustada nem surpresa. Talvez porque você já está habituada a presenciar a borrada que sua irmã faz. Só não acho o que namorado dela vai pensar quando ver esses vídeos. Não sei se é falta de saldo, mas o senhor Ale ainda não viu os vídeos que mandei nele.

Nesse momento Angelina olhou pra Raquell assustada. Por sua vez, Raquell levantou surpresa.

— Como assim? Você enviou os vídeos pro Ale? Até aquele da noite do jogo?

— claro. Eu quero que ele veja como a namorada dele f**a melhor com alguém como eu. Ele ainda não viu os vídeos, eu posso eliminar se você aparecer agora na minha casa. Estou a espera, tchau. — Orlando desligou e Angelina jogou o telefone no sofá.

Raquell voltou a sentar e passou a mão na testa respirando fundo.

— Peço desculpa Raquell, eu não sabia que ele iria tão longe assim. Eu vou conversar com o Ale e lhe explicar tudo, por favor me perdoa.

— não faz mal. Já está feito mesmo. O Ale só não viu o vídeo porque ontem eu joguei o telefone dele na parede quando discutimos. Ele não pode concertar aquele telefone de jeito nenhum, se não já era.

Raquell levantou e correu pro quarto, pegou o telefone e voltou na sala ligando na Yolanda.

— Oi Raquell. — disse Yolanda noutro lado da linha.

— Oi Yolanda, tudo bem? Você sabe alguma coisa do seu irmão?

— Ele esteve cá ontem a noite. O que se passa?

— É algo urgente e você tem que me ajudar. Você viu se estava com seu telefone?

— Estava, mas quebrado. Disse que levaria no senhor hoje que já arranjou da última vez.

— Yolanda, é um assunto muito sério. Eu prometo te contar noutra hora, mas você tem que sumir com aquele telefone por favor. Espera espera, com o telefone e o chip por favor meu amor.

Yolanda tentou fazer perguntas para compreender o assunto, mas Raquel não deu espaço. Yolanda se arrumou rápido e saiu indo a casa do Ale.

O relógio marcava 7h15

Angelina levantou de onde estava, se arrumou e voltava na sala.

— aonde você vai? — perguntou Raquell.

— Vou até a casa do Orlando. Ele pode fazer coisas piores com os vídeos e eu vou impedir.

— Não seja burra Angelina. Com certeza ele não vai aceitar eliminar os vídeos sem nada em troca. Eu me entendo com o Ale, você f**a aí e pensa num jeito de convencer a Leonor.

— Raquell olha para mim. Eu pareço alguém meio burrinha, mas acredita, eu consigo libertar os demônios que há em mim e o Orlando não vai gostar do que lhe vai acontecer. Eu volto logo.

Angelina saiu e Raquell não conseguiu impedir.

Horas se passaram e Yolanda voltou a ligar pra Raquel para informar que o Ale já deixou o telefone no técnico e que talvez será impossível conseguir desaparecer com o mesmo nas mãos de um estranho. Raquell estava decidida com aquilo que implorou para a Yolanda dar um jeito de conseguir o telefone.

Depois de alguns dias, Ale se ocupou em fazer a matrícula na universidade depois de passar no teste, e Yolanda sugeriu que ela mesma receberia o telefone já concertado no técnico. Ale achou estranho, porém não achou mal algum. Yolanda recebeu o telefone, e foi para casa. Antes de sumir com o telefone, ligou pra Raquell.

— fala Yolanda. — disse Raquell sentada ao lado da Leonor em sua casa.

— eu já estou com o telefone, posso continuar com o plano?

— Verif**a se o chip está aí. Se o chip não estiver aí, será em vão porque ele pode recuperar as conversas.

Yolanda verificou o chip e estava no telefone.

— O chip está no telefone. Como o meu irmão é b***o! As vezes me pergunto se aqueles dois são mesmo meus irmãos, principalmente o Ale.

— Ótimo. Está bem facilitado. Agora bota fogo no telefone e enterra bem longe por favor.

Yolanda desligou para fazer o serviço e Raquell continuou a conversa com a Leonor.

— Como eu ía dizendo. A Angelina teve sua chance de provar que vale a pena confiar nela, mas me decepcionou.

— Você está ser muito dura com ela Leonor. Ela gosta de ti e isso posso garantir. Eu nunca vi a minha irmã a falar de alguém daquele jeito. Quer dizer, já vi isso quando ele falava do Miguens mas isso é passado. Agora ela gosta de você.

— Se ela gosta de mim, por que está com o Orlando? Por que ela voltou com o Orlando? Ela jogou isso na minha cara um dia. Eu cheguei numa festa e os dois estavam lá. Eu tentei conversar com ela, mas me ignorou e ainda beijou ele na minha frente.

— Segundo ela, faz parte de um plano. Eu não consegui entender direito.

De repente o telefone da Raquell tocava de novo. Era a Yolanda.

— Queimado e enterrado. Agora o que faço? O Ale vai me matar.

— Agora me escuta com muita atenção. Vai a uma loja, procura um bom telefone, me fala o preço e aí vou transferir o dinheiro para você comprar. Mas não entrega hoje para não suspeitar. Hoje deixa ele te chingar um pouco, e aí amanhã você aparece no trabalho dele com o telefone e um novo chip. Só fala que eu enviei e verás que o problema estará resolvido. Pode ser?

— pensando bem, acho que até foi melhor queimar. Estava toda hora a concertar aquele telefone. Ficará até feliz. Ok, agora vou preparar os meus ouvidos para receber chingamento que nem uma criança.

— muito obrigada amor, eu estou a te dever e muito. Não vou me esquecer disso.

Yolanda desligou e finalmente Raquel deu aquele suspiro como se tudo estivesse em ordem. Como se um dia de trabalho pesado tivesse passado. Não foi fácil suportar noites de angústias só de pensar que mais uma vez Ale poderia ver algo que já foi motivo da separação deles uma vez.

— você tem que me dar algumas aulas de como ser c***o tolerante e ainda por cima burra e romântica desse jeito. — disse Leonor com ar de nervosa.

— relacionamentos exigem ser burra as vezes. Não se preocupe Leonor, tudo tem o seu limite. Acontece que ainda não cheguei no meu, mas quando isso acontecer... Se o Ale se enganar brincar até eu chegar no limite, acredita que os pais dele vão me procurar para implorar que eu volte com ele. Escreve aí.

— Eu não consigo ser você Raquell, por isso vou viver do meu jeito. Eu vou mandar f***r a sua irmã agora mesmo. Me apresenta aquela pessoa que você me falou.

— Não não não. Nesse momento não posso fazer isso. Dá para ver que você vai usá-lo para atingir a Angelina e eu não posso levar o meu próprio cunhado pro buraco. Depois serei a culpada do sofrimento de um dos dois. Esquece isso. Além disso, eu tenho que pedir permissão a Angelina porque eu estaria a trair a minha irmã. Eu sei que ela gosta de você e um dia ela vai dar um jeito no Orlando, eu creio nisso.

— Raquell não seja tola. Eu não vou namorar com ele já. Eu só quero me dar a chance de não sofrer mais pela sua irmã. Por favor. Se você não me apresentar ele, eu juro que não falo com você nem já sequer volto a pisar na sua casa.

Por mais que Leonor pediu, ameaçou e chantageou, Raquell não cedeu e ela teve que ir embora. Raquell ficou a rir dela, e ficou sozinha finalmente.

Quando Angelina chegou a casa, Raquell contou a ela sobre o assunto que teve com a Leonor. Triste ela ficou. Porém, seus planos eram prioridade pois colocava aquilo como uma missão em sua vida.

— Que ela seja feliz então. — disse Angelina deixando a Raquel na sala e se dirigiu no quarto onde aos poucos foi expressando sua dor com um leve choro em frente ao espelho.

***

O relógio marcava 19h.

Leonor ficou a tarde toda deitada depois de sair da casa da Raquell furiosa. Depois de muito pensar, chegou a conclusão que estava a ser estúpida em depender da Raquell. Ela pegou no seu telefone, entrou no Facebook e procurou o nome do Ale e entrou no perfil dele procurando o suposto irmão dele, pois Raquell comentou que era o cunhado dela. Demorou uns 2 minutos para ela encontrar o nome do Edson e ele já tinha feito o pedido de amizade. Só que Leonor nunca viu. Se calhar já viu mas não teve importância. Rapidamente aceitou o pedido de amizade depois de remover um estranho e ficou a ver as fotos dele. Ela o achou bonito, pois tinha traços do Ale, mas segundo as fotos, parecia ser mais maluco que o irmão mais velho. Apareceu uma foto que parecia um retrato e ficou a encarar os lábios dele na foto. Por um segundo, aquela foto a levou a imaginar um momento que nunca passou pela cabeça antes. O dia do aniversário da Raquell, em que os dois ( Ela e o Ale) tiveram que dar um beijo colado para cumprir com o plano da festa. Ela procurou apagar aquilo da cabeça e chegou mesmo de bater-se na bochecha, mas as lembranças não saíam da mente até que alguém bateu a porta do quarto.

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