31/05/2024
O relógio marcava 6h.
O sol brilhava e segundo a previsão, o dia estaria muito quente. Lençóis molhados e sobre a cama o corpo nu da Leonor. Ela acabou de abrir os olhos e sentiu todo seu corpo fraco, como se tivesse f**ado a noite inteira a lutar. Ela levantou ainda sem colocar uma roupa, se dirigiu ao espelho e viu as marcas no pescoço, uma grande prova de que sua noite foi intensa. Ela respirou fundo e em sua mente surgiram alguns lembranças em forma de flashes. Ela voltou a olhar na cama e viu uma carta. A carta estava assinada pela Angelina, mas ela se recusou em ver.
Simplesmente trocou os lençóis, tomou um banho, arrumou-se e colocou a carta numa de suas malas. Saiu do quarto, despediu-se da família e saiu então a caminho da estação. Ela não ligou, nem enviou mensagem a Angelina. Ela não queria encher sua mente de dúvidas e f**ar mais confusa do que já estava. Ela simplesmente ligou pra Raquel.
— onde você está? Desculpe por ligar agora, eu estou toda fodida da vida, segundo a abordagem dos que realmente sabem o que é estar fodida. Sua irmã acabou comigo esta noite, eu não sei onde ela tira tanto jeito para isso, mas eu estou quase sem forças de continuar a caminhar. Minhas pernas estão totalmente bambas até agora.
— reparei. Vi ela a chegar na madrugada toda arrebentada da vida com marcas, eu pensei que fosse obra do Orlando, mas pelo que vi na internet essa manhã, eu estou aqui na sala a espera da Angelina para me contar isso direito.
— eu não quero saber nada daquele filho da mãe. Escuta Raquell, eu vou processar a sua irmã. Quem ela pensa que é? Que pode chegar na minha casa fora de hora, invade o meu quarto e me usa daquele jeito? Ela me fode a noite inteira e quando acordo ela some e só vejo um bilhete não sei o que tem escrito. Eu não vou abdicar essa oportunidade para atender os caprichos de alguém que não sabe o que quer. Eu estou a ir agora na estação, vou pegar um autocarro e terei os melhores dias com o meu namorado em Benguela.
— desculpe por não acompanhar você na estação e me despedir de ti. Mas, eu desejo o melhor de ti nessa viagem, que você realmente vive os momentos que deseja. E sem querer ser uma estraga prazeres, você tem noção que traiu o Edson né?
— não me lembra isso Raquell. A sua irmã me estuprou, é muito diferente de trair. Agora tchau, eu ligo quando chegar.
Raquell pousou o telefone sobre a mesa e aí continuou a ver o vídeo do Orlando na internet. Ela achou aquilo engraçado e sabia que tinha o dedo da Angelina.
5 minutos depois, Angelina saiu do quarto toda feliz da vida e arrumada, sentou e deu um bom dia pra Raquell.
Raquel olhou para ela e começou a sorrir.
— me conta como fez isso.
Angelina suspirou, serviu chá e disse. — as vezes os homens se esquecem o que realmente é uma mulher.
— você não existe Angelina.
— ainda não acabou Raquell. Eu não suportei aquele porco durante meses para uma simples live ser a minha vingança. Eu cortei a live antes que o Josimar chegasse na parte da penetração. Essa parte eu mesma filmei com meu telefone. É uma garantia caso ele tente fazer alguma coisa contra mim. E agora eu vou na casa dele chorar amargamente para os pais dele dizendo que o filho deles me traiu e que eu vou morrer e todo aquele drama que as mulheres burras fazem quando amam demais. O Orlando vai comer na minha mão junto com a família dele, pode acreditar.
— você está levar esse caso num nível perigoso Angelina, tenha cuidado.
— eu sei me cuidar. Agora tenho que ir, tenho uma missão a cumprir.
Angelina levantou e saiu.
***
O relógio marcava 16h.
Edson f**ava a seguir o Ale de um lado para o outro no salão para tentar convencê-lo de aceitar o que pediu.
— eu já disse que não Edson. — disse Ale mais uma vez.
— lembra que eu já te ajudei com a Idalina. Hoje já quer me deixar na mão. Por favor, és minha única chance.
— Vamos conversar lá fora, tem clientes aqui e não vamos fazer papel de Burros.
Os dois saíram do salão, e continuaram a conversa.
— é só por alguns dias. Você pode f**ar no meu quarto lá em casa.
— eu não vou dar a minha casa para vocês fazerem vossos filmes pornôs, isso nunca. Tenha pelo menos respeito da Raquell. E para piorar elas são amigas. Na cama onde eu durmo com minha namorada, você também quer dormir com amiga dela? Ó sujo, pensa ainda bem.
— Aqueles 20 mil que me emprestou vou fazer com ele o quê ó Ngana?
— eu já te falei, vai naquela hospedaria aí onde 3 dias é só 15 mil kwanzas. Alimentação f**a por tua conta, ou leva ela em casa. Seja criativo.
Ale deu um ponto final naquele assunto e negou qualquer ideia maluca do Edson em querer f**ar com a Leonor na casa dele. Leonor já tinha chegado e ligava para perguntar onde Edson estava, então ele teve que correr até a estação.
A noite, quando Ale chegou em casa, ligou pra Raquel e contou sobre o pedido do Edson.
— Nãooooooo. — gritou Raquell toda nervosa da vida. — de jeito nenhum o seu irmão vai levar a Leonor p'ra sua casa, de jeito nenhum.
— eu disse a mesma coisa.
— como ele foi pensar logo nisso? Eu vou ter uma conversa com ele e muito séria. A Leonor foi preparada, eu conheço ela. Não gosta de depender 100% de alguém para suas despesas. Deixa ele f**ar descansado.
— já não dá para ligar nele agora, porque deve estar com a Leonor.
***
Edson acabou de chegar depois de ter comprado comida para os dois. Leonor estava deitada num sono profundo devido o cansaço da viagem e da noite que teve com a Angelina. Na verdade, Angelina torturou ela de tal maneira que sentia muita dor nas suas partes íntimas.
Edson tentou acordá-la mas foi em vão. Angelina estava mesmo cansada e foi levada pelo sono. A única solução foi deitar ao lado dela.
Ele respirou fundo e já sentia seu pau saltar do calção. Passou a mão nas pernas dela e deslizava os dedo tentado fazer subir o vestido dela mas Leonor afastava a mão dele. Edson respirou fundo e decidiu tentar de novo. Passou a mão no rabo dela ainda por cima do vestido e acariciava. Em seguida deu um tapa leve nela e Leonor voltou a pedir para parar.
Edson todo furioso, pegou no telefone e enviou uma mensagem pro Ale a dizer que o game estava violento, mas Ale não respondeu. Se calhar estava ao telefone com a Raquell.
Edson voltou a tentar a sorte. Passou a mão na cintura da Leonor, e depois apertou os peitos dela. Leonor acordou chateada e virou pro Edson.
— qual é o seu problema? Eu disse que estou cansada.
— como assim está cansada? Desde que você chegou até agora é só dormir amor?
— sim, porque estou cansada. Me entende ainda Edson, eu estou cansada. Guarda essa apetite para depois, agora me abraça apenas e vamos descansar um pouco, pode ser? Eu estou mesmo aqui, não vou fugir.
Edson respirou fundo, abraçou ela e fechou os olhos.
Por volta das 4 horas, Edson abriu os olhos e respirou fundo. Ele sentiu que já tinham descansado demais e que estava na hora de aquecer um pouco o corpo. Acariciava o corpo dela e aos poucos Leonor foi acordando. Edson fez subir o vestido dela e quando passou os dedos na parte íntima, Leonor sentiu uma dor mas segurou. Edson todo apressado, tirou as roupas dele e colocou a calcinha dela de lado tentando forçar a penetração.
Leonor revirou os olhos toda chateada e perguntou. — você assim não reparou que estou seca?
— tá um pouco molhada. Quer mais?
— Edson, você já fez isso mesmo? Eu não estou pronta, você tem que me preparar antes de forçar essa coisa aí tipo um cabo não sei de onde.
Edson fez suas manobras de lubrif**ação e tentou de novo a penetração. Leonor já não falou nada e só esperava ele terminar. Depois de muita luta, conseguiu fazer a penetração e Leonor só ficou com os olhos fechados apertando os lençóis devido a dor que sentia. Ela ainda não estava recuperada com o que Angelina fez com ela, mas para não deixar o suposto namorado na mão, aguentava tudo.
Edson deitou e mandou ela ir para cima. Leonor ficou por cima e a dor era tanta que acabou por desistir.
— melhor você f**ar por cima mesmo, por favor.
Edson entendeu depois de ver a expressão facial dela.
Edson fez suas remadas e gozou na barriga dela.
— terminou? — perguntou Leonor olhando no gozo dele e depois na cara dele de morto. — tabom. Agora limpa isso e me deixa descansar.
Edson limpou seu gozo e caiu morto na cama pegando no sono.
Por volta das 10h, os dois saíram e foram até o salão do Ale, mas não o encontraram. Ligaram para ele mas dava ocupado. Leonor pediu ao Edson que a levasse até a casa dele. Edson levou a Leonor até a casa do Ale e o encontraram a arrumar as coisas, uma vez que era sábado.
Cumprimentaram-se, Ale deu as boas vindas a ela e f**aram a bater um papo meio descontraído.
— Amor você já pode ir. Eu preciso tratar alguns assuntos com o Ale. Um recado da Raquel e eu não quero esquecer depois.
— Mas eu posso f**ar e fazer parte também. Pensei que podíamos passar o dia juntos. — Edson não gostou nada daquela ideia.
— Eu só vou na segunda de manhã, teremos muito tempo juntos. Edson, eu não gosto disso. Estar grudado sempre que nem crianças. Pode me dar espaço um pouco? Eu preciso tratar alguns assuntos com o Ale, por favor. Depois eu ligo para você vir me pegar, pode ser?
— tabom. Vou esperar a sua ligação. Até mais tarde.
Edson tentou dar um beijo na boca como despedida, mas Leonor virou e deu a bochecha.
— até mais tarde amor. — ela sorriu e Edson foi embora. Leonor olhou pro Ale, sorriu e respirou fundo.
— desculpa Ale, eu sei que é seu irmão mas tenho que dizer isso. Chato chato, chato, mil vezes chato. Eu tive que arrumar essa desculpa para me livrar dele um pouco. Toda noite só queria s**o s**o s**o e na madrugada quando já deixei, todo bruto.
Ale ficou a rir e pediu para ela sentar.
— eu vou terminar de arrumar isso e depois já converso com você. Fique a vontade aí, eu vou ligar p'ra Raquel.
Ale ligou p'ra Raquel e Leonor decidiu sentar virando na TV.
Antes mesmo da Raquell atender, Leonor disse ao Ale que estava com fome. Ale teve que terminar de arrumar e foi comprar algumas coisas para a Leonor. No final do dia, não foi necessário ela ligar, Edson apareceu e a levou.
Durante o dia, Leonor ficou a conversar com a Raquell pelo vídeo chamada e quando o saldo terminava, arrumava um assunto com o Ale.
A noite, quando Ale já estava sozinho Raquell ficou a reclamar sobre aquele dia.
— Eu vou conversar com a Leonor quando ela chegar. Ela foi aí para f**ar com o namorado dela, e não f**ar o dia inteiro na sua casa. Eu só estava a rir com ela, mas não gostei disso.
— Ela vai pensar que eu reclamei dela para você. Deixa assim, ela pode interpretar mal.
— que interprete do jeito que quiser. É mesmo assim que começa, confianças fora do limite e depois um dia vai achar que é normal passar a noite na sua casa. E vocês homens como o vosso cigarro é automático, será rápido.
Ale ficou a rir daquele comentário da Raquell por uns longos segundos.
No outro lado, Edson fazia amor com Leonor como se estivesse com raiva dela, pois não gostou do que aconteceu naquele dia. Antes mesmo de Leonor sentir um pouquinho de prazer, Edson já gozou e dormiram. Na madrugada a mesma estória se repetiu.
Leonor decidiu ir a casa do Ale de novo e ao invés dele f**ar com ela, Ale chamou a Yolanda e ele desapareceu.
No final do dia, Edson foi buscá-la e a história se repetiu. S**o antes de dormir e s**o na madrugada, aí caíram no sono de novo.
Por volta das 8h quando ela já estava preparada para voltar na sua cidade, Edson levava ela na estação e decidiu ligar então pra Raquell para avisar que já estava voltando. Quando Raquell atendeu, deu a ela uma notícia não muito agradável.
— Como? Quando ? — perguntou Leonor parando no meio do caminho.
— Ontem a noite eu estava a falar com o Ale quando ouvi um barulho. Eu saí e quando cheguei na rua, encontrei um grupo de jovens a dar uma surra na Angelina. Ela estava jogada no chão enquanto chutavam ela e as pessoas só assistiam. Quando cheguei perto, eles já tinham entrado num carro e fugiram. Estou no hospital com ela e ainda não me falaram nada.
— não chora Raquell, eu já vou pegar o autocarro. Isso tem mãos do Orlando.
— claro que tem. Eu avisei a Angelina que isso não acabaria bem.
— já chega disso. Alguém tem que parar o Orlando. Eu vou pegar o autocarro e daqui algumas horas estou aí. Não chora, a Angelina vai f**ar bem, ela vai f**ar bem. Tem que f**ar bem.
Leonor desligou a chamada e olhou pro Edson que estava parado sem entender.
— o que foi?
— nada não. Vamos, eu já estou meio atrasada.
Leonor pegou o autocarro e deram partida com destino a Luanda. Ela f**ava a pensar na Angelina o tempo todo e aí lembrou da carta que deixou para ela na noite que passaram juntas. Tirou a mala, vasculhou até encontrar a carta e abriu.
Carta — antes de tudo, quero que saiba que não fiz planos disso. Nunca foi minha vontade ser a pessoa que há muito tempo demonstrei ser. Porém, eu não culpo ninguém pois eu tive muitas chances de poder fazer diferente. Eu tinha sonhos, tinha objectivos como qualquer mulher, mas as coisas não correram como tal e acabei me tornando nessa pessoa. Eu sempre detestei você e parecia que era recíproco. Mas de repente, não sei que p***a aconteceu, todo aquele ódio se transformou em algo mais terrível ainda. Saudade, ciúme e vontade em tê-la. Isso me consumiu e te magoar tem sido um peso todos os dias. Eu tinha que dar um basta no Orlando, e para isso tive que abdicar a vontade de estar com você para dar certo. Doeu bastante e ainda dói pois você já se entregou para outro e não tenho como te julgar. Eu fiz isso para tentar te mostrar onde é o seu lugar e a quem você pertence de verdade. Se depois disso, você ainda quiser se encontrar com ele, então é porque eu estava errada esse tempo todo. Provavelmente os meus planos podem dar errado e vou sair machucada mais uma vez. Se eu morrer, quero que saiba que foi verdadeiro e eu não menti. Se eu morrer, guarde boas memórias de mim por favor.
Atenciosamente, Angelina.
Fim.