11/11/2025
MESMO COM A INFÂNCIA INTERROMPIDA
Na manhã tranquila do domingo, no Hospital Central de Nampula (HCN), o maior centro de referência do norte de Moçambique, os profissionais da maternidade assistiram a um dos partos mais desafiantes e, ao mesmo tempo, mais dolorosos do ponto de vista social: uma menina de apenas 10 anos, identificada pelas iniciais E.J., deu à luz um bebé do s**o feminino.
Foi um parto normal, conduzido com competência e sensibilidade por uma equipa médica que fez de tudo para salvar duas vidas: a da mãe e a do recém-nascido.
A menor, proveniente do distrito de Mecuburi, chegou à unidade com complicações, mas o profissionalismo dos técnicos e enfermeiros evitou o pior.
Por trás da bravura dos profissionais, ergue-se uma realidade que deve fazer-nos reflectir: uma criança tornou-se mãe.
E quando uma criança se vê obrigada a viver uma experiência que pertence ao mundo dos adultos, toda a sociedade precisa de parar, pensar e agir.
Este episódio revela, mais uma vez, o quanto ainda é urgente reforçar as mensagens de sensibilização sobre a maternidade e paternidade responsáveis, sobre o direito à infância e sobre o papel das famílias e comunidades na protecção dos seus.
, irmão mais velho da menor, contou que a gravidez foi resultado de uma violação, cujo suposto autor já se encontra detido. A menina terá escondido a situação durante algum tempo, alegadamente devido a ameaças do agressor. O caso foi descoberto por volta do quarto mês de gestação.
disse que o episódio deixou toda a família em choque. “Conhecendo o risco que ela podia correr devido à idade, já estávamos sem esperança. Mas, pela graça de Deus, o milagre aconteceu. Os médicos foram instrumentos nas mãos do poder divino e o impossível aconteceu”, relatou, aliviado.
“Já estava tudo preparado para uma cirurgia. A menina já se encontrava no bloco operatório, e de repente entrou em trabalho de parto, e foi normal. Estou triste porque a infância da minha irmã foi interrompida”, acrescentou.
A educação, o diálogo e o amor dentro das famílias continuam a ser o primeiro escudo de defesa contra as práticas que ferem o futuro das nossas meninas.
O Hospital Central de Nampula, enquanto instituição de referência e guardião da vida, reitera o apelo à harmonia social e à comunicação dentro das famílias.
Que pais e encarregados de educação falem com os seus filhos; que orientem, escutem e eduquem com foco e firmeza.
Que as raparigas mantenham o foco na escola, nos livros e nos sonhos, porque o tempo do amor responsável deve chegar depois da formação.
E que os adultos, homens e mulheres, cultivem a sensibilidade e o respeito mútuo, conscientes de que cada gesto molda o futuro colectivo.
Cada criança tem o direito de crescer brincando, aprendendo e sonhando, e a sociedade tem o dever de garantir isso.
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O NOSSO MAIOR VALOR É A VIDA!