07/04/2026
SE EU FOSSE REVOLUCIONÁRIO II
Com toda humildade que a ignorância me permite
Se eu fosse revolucionário, não pediria licença para continuar a falar, continuar a escrever para inspirar porque há muito que o silêncio virou cúmplice da injustiça no Municipio da Vila de Marracuene.
Não há radicalidade aqui, radical é ver o desgaste das mães com as suas trochas sem saber ´´onde pedir sal``, como se fossem criminosas, enquanto os verdadeiros ladrões vestem fato e gravata discursam sobre “ordem e estética Municipal”.
Se eu fosse revolucionário, lembraria a cada vendedor escorraçado que o passeio também é seu. Que o pão que vendem é mais digno do que muitos contratos assinados nas sombras, lembraria que exigir um mercado não é errado, errado é continuar a pagar por taxas sem beneficio.
Como cantava Azagaia: "Povo no poder , povo no poder. Isto, não e não é só slogan, é dever!"Mas aqui… o povo só é lembrado quando há eleições. Depois disso, vira obstáculo, vira desordem, vira problema a remover. Vira manada desorientada
Se eu fosse revolucionário, não aceitaria que construam campo de futebol para distrair a juventude enquanto faltam mercados para garantir a sobrevivência. Não aceitaria prioridades invertidas onde o espectáculo vale mais que o sustento.
E ouviria ecoar as palavras de Samora Machel: "A luta continua!" Mas perguntaria: continua para quem? Para o povo… ou contra o povo?
Se eu fosse revolucionário, diria que não há desenvolvimento quando se humilha quem trabalha. Não há progresso quando se empurra o pobre para longe da vista, como se fosse vergonha, como se o errado fosse o povo, mas talvez seja, afinal, a soberania reside no povo.
E outra vez Azagaia gritaria nas nossas consciências: "Eles têm medo de um povo consciente!" Talvez seja isso. Talvez o problema nunca foram os vendedores nos passeios… mas sim o medo de que eles percebam e exerçam a sua força e mandar a forca todas injustiças praticadas por quem devia proteger com zelo e dedicação.
Se eu fosse revolucionário, organizaria, educaria e despertaria. Porque revolução não começa com pedras, começa com consciência mas também ``pedra a pedra construiria um novo dia ´´.
E quando o povo acorda, não há polícia municipal, nem ordens improvisadas, nem desculpas burocráticas que consigam travar.
Se eu fosse revolucionário Não escreveria apenas palavras, escreveria história, esta continua e sua luta talvez seja travada fora do papel.
Tulinho
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Alfaite de Palavras