02/05/2025
Já passei pelo inverno...
Agora é primavera.
Mas o amor?
Ainda é só uma quimera.
Tão linda, tão cruel...
Quem me dera, quem me dera
Poder moldar-te do vazio,
E fazer do nada um céu.
Estou sóbrio demais...
E essa lucidez é uma cela.
Uma quarentena da alma,
Sem janelas, sem calma,
Onde os dias se arrastam, iguais.
E os nossos sonhos?
Costa do Sol, Macaneta...
Estão tão longe, tão frios, tão irreais.
O fim? Era previsível,
Tu nunca foste real.
Apenas traço invisível
Num quadro emocional.
Miúda feita do pó
Dos meus próprios pensamentos,
Criação de noites longas,
De desejos lentos, lentos...
Me diz, qual é a direção?
Se tudo o que vivo é ilusão,
Se tudo que sinto é invenção.
Eu só segui meu coração...
E agora?
Agora ele me arrasta por abismos
Onde só existe solidão.
Às vezes, eu quero gritar,
Jogar tudo ao vento —
Mas o vento me responde
Com teu toque, com teu lamento.
E lembro:
Tudo é imaginação...
Pura ficção.
Uma vida que a gente inventa
Quando não suporta mais a realidade lenta.
“Cada um tem a vista da montanha que escalar”,
Disse Kell Smith, com voz de co***lo.
Mas eu escalei todas...
E só vi você no topo, sozinha,
Desfazendo-me em choro.
Não importa o quanto eu tente fugir,
Meu peito ainda chama por ti.
É patético, eu sei.
Mais um clichê...
Mas és a minha dor mais bonita,
A ferida que não deixo sarar,
A lembrança bendita
Que insiste em ficar.
“Amor nasce da força de tanto imaginar”,
Antero Simões disse —
E eu acreditei.
Te imaginei tanto...
Que te amei.
Mas agora não sei
Se sigo sonhando ou se te enterro de vez.
Me perco nessas ruas estreitas,
De olhos fixos no poente...
E ainda vejo teu vulto à frente,
Imaginária… e ausente.
Me diz, por favor, qual é a direção?
Se tudo o que toco se desmancha no chão,
Se tudo que resta é essa cruel invenção,
E um coração... que sangra em vão.
E mesmo quando tento lançar teu nome ao vento,
Ele volta.
Volta como um lamento,
Como perfume que já não sei de onde vem,
Como dor que não cessa,
Como ausência que só cresce.
Queria aquela vida…
A que a gente inventa antes de dormir.
Queria não sentir.
Queria só partir...
O pequeno poeta🥰