01/04/2026
Na edição passada do KINANI, Davi Pontes e Wallace Ferreira apresentaram a peça Repertório N.3 que é a última parte de uma trilogia de práticas coreográficas. Esta pesquisa foca em estudos pós--coloniais, de género e raça, com uma questão fundamental de como criar uma dança de autodefesa.
Ela reúne estudos sobre violência que, por um lado, investem na ideia da dança como treinamento de autodefesa, aplicando aspectos como mimese, representação e estudos de imagens coreografadas por corpos dissidentes, numa tentativa de arquivar acções para elaborar resistência e conjurar formas de permanecer no mundo e, por outro lado, não criar um projecto para generalizar a violência, mas para contrariar a matriz de inteligibilidade que impede as minorias de se tornarem sujeitos com direito à própria vida.
Outra estratégia fundamental neste trabalho é a pose, pois acreditam em seu poder de desafiar o tempo. As poses não pertencem aos corpos; são um jogo de significados. Quando posamos, estamos revivendo uma história que pode ou não ser nossa, mas que é compartilhada. Uma pose é uma máquina do tempo que pode se arrastar através do tempo ou sobrepor tempos dentro da mesma imagem. 💃🏾🎬🌎
N.3