24/01/2021
Episódio 2
“Cartão de Residência”
Esta é a primeira música composta em português, em 79 aonde o Bob Marley ainda estava vivo.
Eu com os meus 19 anitos, e com o Paulo víamos um futuro brilhante (primeira banda de reggae no mundo palope e ainda por cima com temas em Tuga), voltamos para Lisboa muito positivos, e como o Paulo já tinha trabalhado no Sinofila (sala de ensaios não grátis), organizamos varias audições para encontrarmos um baixista e um baterista em princípio. Não foi fácil porque o reggae era algo de estranho para os músicos que existiam nessa altura, e num dia desses na Pedra, vi o Hélder Edgar (Samora) que tinha acabado de chegar de Moz, e eu sabia que ele era um excelente guitarrista e com muito bom gosto, e que já tocava em Moçambique em boas bandas... Convidei lhe para fazer parte da banda que ainda se quer não tinha nome, e ele gostou da cena e prometeu-me que iria trazer um baterista.
Dito e feito, ele trouxe o Basílio.
Mas tivemos um problema porque o Samora era guitarrista e não baixista, e eu não conseguia tocar o baixo porque as cordas eram grossas (lol) e então foi a partir daí que o Hélder ficou um baixista.
Primeiro ensaio teste...!
Basílio assentou-se na bateria e começou a tocar o famoso One Drop que é assim (tsi tsi taque tsi) e era isso mesmo que se fazia no reggae e coisa que nenhum antes conseguiu.
Então ficamos todos à risadas e agradecemos a Jah desse gift e a partir daí já estávamos formados como banda, e começamos a ensaiar, mas tinha-mos que ir a PEDRA para assinar o ponteiro porque como disse antes, a sala de ensaios não era grátis, e na altura eram 100$00 por hora...!
Ficamos uns bons meses à ensaiarmos e no principio o dono do Sinófila ria-se de nós ( como quem diz, a partir do momento que vocês me paguem a minha mola, eu vou fingir que vocês estão num bom ritmo musical) mais no fim de vários meses o Kota vinha sempre curtir os Nambers a última hora e dava-nos mais uma gratuita, paga pela casa...!
Primeiro concerto:
Foi no jardim de São Pedro de Alcântara, aonde o grupo de baile em que o “Samora” fazia parte e foi contratado num fim de semana dos Santos Populares, para lá tocarem. Então foi aí que nós vimos uma chance para ver a reação do público.
Subimos pro palco, eu, Paulo e Basilio o Hélder já tava no palco, 1,2,3,&4 os Nambers começaram e o publico aproximou-se e depois da segunda música o banda de baile subiu no palco e queria que nós parássemos, mas com o público ali eles não ousaram a insistir:..!
Rebentamos com a cena, o público em êxtase e pudera nós então...!
Que até o os organizadores vieram nos convidar pra tocar-mos no dia seguinte que seria um sábado.
Pronto nós já estamos na praça como a primeira banda de reggae, a PEDRA já tinha os seus embaixadores, e graças a esse concerto os bufos começaram a respeitarem nos, e já tinhamos uma ocupação ao menos válida (os rastas na altura eram considerados como marginais e drogados) e mesmo os rastas que não eram músicos, eu e o Paulo falamos com o dono do Sinofila e ele arranjou cartões de músicos para nós todos (quando os kaíngas nos pediam documentos, nós mostrávamos o cartão de músico...!
Fizemos tanto eco, que até chegou aos ouvidos da banda, Salada de Frutas com a Lena D’água, e isso só por termos tocado uns 5 títulos na sexta à noite.
Sábado, os Nambers já estavam lá prontos para o segundo concerto, ambiente totalmente diferente dos Santos Populares, muitos jovens e o nosso público também já lá estava, o marido da Lena D’água também lá estava e isso deveria ter sido bom para os Nambers, mas quando o grupo de baile soube que estava lá o Salada de Frutas e um outro público, infelizmente eles sabotaram nos, em não nos deixaram subir no palco.
Passou se uma hora e tal e nada não havia como, então o público começou a bazar e pra nós foi um fiasco.
Mas a partir daí Nambers, já estava na boa front line e boas coisas e oportunidades começaram a bater, a nossa porta...!
Próximo episódio, soon come...!
Composed- ras Tomaz Muzynhao(TM) & ras Paulo, Lisboa-Portugal/79