20/05/2026
FRELIMO querem ver os jovens assim.
Três rapazes de costas, a caminhar numa rua de terra.
Camiseta desbotada, chinelo no pé, mochila nas costas como se carregassem o peso do país inteiro.
Nenhum olha pra trás. Nenhum sorri pra câmera.
Estão indo. Pra onde? Isso ninguém pergunta.
Dizem que juventude é o futuro da nação.
Mas o futuro deles cabe num par de chinelos gastos e numa mochila vazia.
O futuro deles é andar. Andar sem destino certo, porque destino certo custa dinheiro, e dinheiro aqui tem dono.
“Txintxane va Desgraçado” — a frase sai cuspidida, como cuspe no chão.
Não é xingamento vazio. É diagnóstico.
É o grito de quem vê um país que formou uma geração inteira pra ser espectadora da própria vida.
Estudaram, formaram, juraram bandeira.
E agora? Agora andam.
Eles da FRELIMO querem ver os jovens assim, dizem.
Domesticados pela falta, calados pela fome, ocupados demais a sobreviver pra pensar em mudar alguma coisa.
Porque jovem com barriga cheia e cabeça cheia de ideias é perigoso.
Jovem com chinelo e mochila nas costas é previsível. Cansa, senta, aceita.
Mas há um detalhe que o poder esquece:
Quem anda, pode parar.
Quem anda, pode virar.
Quem anda, pode cansar de andar sozinho.
Esses três rapazes de costas não são derrota.
São um aviso andando.
Porque um dia a rua de terra acaba.
E quando acabar, vão se deparar com um muro.
E aí a pergunta não vai ser mais “pra onde vamos?”.
Vai ser “por que vocês nos puseram a andar tanto, sem nunca chegar?”.
Txintxane va Desgraçado não é só insulto.
É epitáfio do tempo que está a acabar.
E epitáfio, quando é lido por quem ainda respira, vira convocatória.
A FRELIMO pode querer ver os jovens assim.
Mas juventude que anda, um dia aprende a correr.
E quando corre, ninguém segura.
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