17/11/2025
A Carta para Helena
(Pequeno romance )
Em um tempo marcado pela luta e pelo ruído das guerras, quando os campos estavam cegos pela dor e as mãos calejadas de exaustão, eu escrevia. Mesmo sem pão, sem a companhia de uma mesa que me oferecesse co***lo, e sem um teto que me abrisse suas portas, eu tinha algo a mais: o amor. Um amor que, mesmo sem corpo e sem forma, se sustentava por palavras, pelo eco de um nome. O nome dela: Helena.
Os ventos da guerra sopravam fortes, trazendo consigo o odor amargo da morte e da perda. O som das espadas, dos gritos e dos tiros ecoava por toda parte, e eu, Ingmando, me via perdido em meio a esse caos, mas sempre com algo pulsando dentro de mim. Era como se o mundo estivesse ruindo, mas, em minha alma, uma chama continuava a arder, uma chama chamada Helena.
Nessas longas noites de solidão, com a fome me corroendo e o frio me envolvendo como um manto de escuridão, eu pegava meu punhado de palavras e, com o último fio de esperança, escrevia para ela. As cartas eram feitas com o suor de minha alma, e mesmo sem comida, eu me alimentava delas.
"Querida Helena," eu começava sempre, e o início já era um co***lo, uma respiração mais forte. "No campo de batalha, onde a carne se dilacera e o espírito se perde, há uma coisa que ainda me mantém inteiro: o pensamento de você."
Cada carta, cada linha escrita, era uma luta pela vida. Eu, sem saber de onde vinha a força, combatia o desespero com minhas palavras. E como a espada não podia atravessar a poesia do amor, minha alma se erguia, mesmo nas mais densas trevas.
"Dizem que o amor em tempos como este é uma tolice, que é apenas um luxo que os corações fracos podem permitir. Mas eu, Helena, sinto que é o único laço que me mantém preso ao que vale a pena, mesmo quando o mundo diz o contrário. Talvez você, como todos, diga que é uma tolice também. Mas saiba que minha tolice é minha verdade. E nessa verdade, você é o único porto seguro."
Era essa a luta, Helena. Uma luta diária entre o corpo qu