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A tua opinião importa!Estamos a realizar uma pesquisa nacional de audiência para saber qual é o canal de televisão mais ...
27/12/2025

A tua opinião importa!
Estamos a realizar uma pesquisa nacional de audiência para saber qual é o canal de televisão mais assistido em Moçambique 🇲🇿📺
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Esta pesquisa é anónima e tem como objectivo identificar o canal de televisão mais assistido em Moçambique. As suas respostas serão usadas apenas para fins académicos e estatísticos.

Crimes com Rosto de Criança, Justiça com Mãos AtadasPor: Xisto FernandoEstamos a caminhar para um cenário insustentável,...
18/07/2025

Crimes com Rosto de Criança, Justiça com Mãos Atadas

Por: Xisto Fernando

Estamos a caminhar para um cenário insustentável, onde os menores de idade se transformarão nos maiores criminosos da nossa sociedade. Não é alarmismo, é uma constatação. Em muitos bairros urbanos, já se vê adolescentes a matar, violar, agredir e roubar, certos de que nada lhes acontecerá, protegidos por uma lei que os considera “inimputáveis”.

A actual legislação moçambicana, ao impedir a responsabilização criminal de menores de 16 anos, acaba por abrir as portas à impunidade precoce. Muitos jovens, e até adultos que os manipulam, exploram esse vácuo jurídico como escudo para actos brutais. Assim, os crimes cometidos por menores não param de crescer, alimentados pela certeza de que não haverá consequência real.

Não se defende aqui a punição bruta ou a prisão severa. Defende-se sim, uma responsabilização proporcional, pedagógica e justa. O Governo deve repensar o modelo actual e criar centros de reeducação adaptados à realidade nacional: espaços com acompanhamento psicológico, actividades educativas, formação cívica e social. A estadia nesses centros deve ser ajustada à gravidade do crime, e não tratar todos os menores como se fossem crianças inocentes a roubar rebuçados.

A ideia de que “por serem menores não podem ser responsabilizados” já não funciona numa sociedade em que menores organizam assaltos, agridem com armas e até tiram vidas. Não faz sentido continuarmos a tratar com luvas de algodão quem já sabe manusear facas e pistolas. Isso é, como bem diz o povo, tentar ensinar um leão a comer hortaliça.

Se não tomarmos medidas agora, estaremos a criar um futuro onde a justiça será refém da idade biológica, e onde a criminalidade juvenil se tornará norma. A lei deve proteger a infância, sim, mas não pode ser cúmplice da delinquência. Educar também é corrigir. E corrigir, às vezes, exige firmeza.


Tractores para pessoas? Não é progresso, é improviso!O Governo moçambicano anunciou a compra de 100 tractores com atrela...
17/07/2025

Tractores para pessoas? Não é progresso, é improviso!

O Governo moçambicano anunciou a compra de 100 tractores com atrelados para o transporte de passageiros nas zonas rurais. À primeira vista, a medida parece uma tentativa de responder à crónica crise de mobilidade nessas regiões. Mas, se olharmos com mais atenção, percebemos que esta iniciativa não é sinónimo de progresso, mas sim de improviso institucionalizado.

A questão fundamental que se levanta é: para que servem os tractores? Não são, certamente, para transportar pessoas. O tractor foi concebido para trabalhar a terra, puxar alfaias agrícolas, transportar produtos do campo e, em casos extremos, resíduos e gado. Ver tractores a transportar pessoas é o retrato fiel do abandono a que o meio rural foi votado — e da total ausência de uma política séria de desenvolvimento.

Mais grave ainda: esses tractores, se fossem distribuídos por associações de camponeses ou cooperativas agrícolas, teriam um impacto directo na produtividade rural, reduzindo o esforço braçal e permitindo o cultivo em maior escala. Isso sim seria desenvolvimento rural! Isso sim seria uma estratégia eficaz de combate à pobreza e de fomento da economia local.

Distribuir tractores para transportar pessoas é, no fundo, aceitar que as estradas são intransitáveis e perpetuar essa realidade com soluções paliativas, quando o que se exige é o investimento urgente na reabilitação das vias de acesso e na implementação de sistemas dignos de transporte público.

O povo rural merece dignidade. Merece estradas seguras. Merece autocarros próprios para passageiros. Merece políticas agrícolas sérias. Não merece atrelados puxados por máquinas que foram feitas para a terra, e não para a vida.

Enquanto se insistir em disfarçar a pobreza com improvisos, o país continuará a girar em círculos. Um tractor com atrelado a transportar pessoas não é símbolo de desenvolvimento, é símbolo de atraso.


Moçambique: Contenção de Despesas ou Má Gestão das Prioridades?Por: Xisto Fernando Em Moçambique, uma contradição gritan...
15/07/2025

Moçambique: Contenção de Despesas ou Má Gestão das Prioridades?

Por: Xisto Fernando

Em Moçambique, uma contradição gritante revela-se nos acontecimentos mais recentes relacionados com o Governo e a gestão dos recursos naturais. Recentemente, o Executivo decidiu eliminar os subsídios atribuídos aos médicos estagiários, alegando "contenção de despesas". Esta medida tem gerado indignação generalizada, sobretudo quando se observa que, em paralelo, o país continua a receber avultadas somas provenientes da exploração de gás natural — como os 210 milhões de dólares que o projecto Coral Sul já canalizou para o Fundo Soberano Moçambicano. A questão que se impõe é: como pode um Estado que arrecada tais receitas cortar apoio financeiro a sectores essenciais como a saúde?

A Realidade dos Médicos Estagiários

Os médicos estagiários — estudantes de Medicina em fase de prática clínica — assumem um papel fulcral no Sistema Nacional de Saúde. São eles que asseguram, em muitos casos, o funcionamento diário de hospitais públicos, especialmente nas zonas rurais ou superlotadas dos centros urbanos. Trabalham longas horas, frequentemente sem condições adequadas, sem materiais suficientes, e com remunerações precárias — quando não inexistentes.

A decisão de eliminar os seus subsídios compromete não apenas o seu bem-estar, mas também a qualidade dos cuidados prestados à população. Muitos destes jovens dependem desses valores para se manterem nos estudos, cobrirem despesas de transporte, alimentação e, por vezes, até alojamento. Retirar-lhes este apoio é, em termos práticos, um golpe directo à formação médica no país.

O Fundo Soberano: Para Que Serve, Realmente?

O Fundo Soberano Moçambicano foi concebido como uma reserva estratégica, destinada a garantir estabilidade económica e justiça intergeracional. Esperava-se que servisse para reforçar sectores como a saúde, a educação e as infra-estruturas, bem como para salvaguardar o país em momentos de crise. No entanto, a realidade demonstra um distanciamento crescente entre a acumulação desses fundos e a melhoria efectiva das condições de vida da população.

A pergunta impõe-se: como pode o país alegar falta de meios para sustentar estagiários da saúde, quando está a consolidar milhões de dólares num fundo estatal? O que se esperava como motor de transformação nacional está a ser convertido, por má gestão ou prioridades distorcidas, num cofre fechado, alheio às urgências sociais.

O Erro de Prioridades

Moçambique não é um país pobre em recursos. Pelo contrário: é detentor de vastas riquezas naturais. O verdadeiro problema reside na forma como estes recursos são geridos — e, sobretudo, em quem realmente deles beneficia. Enquanto os dirigentes fazem discursos sobre contenção e austeridade, multiplicam-se as viagens governamentais, os subsídios a elites partidárias, os projectos de fachada e as despesas com luxos institucionais.

Cortar subsídios aos futuros médicos do país é um acto de cegueira política, de insensibilidade social e de profunda irresponsabilidade. Os estudantes não devem ser tratados como números num orçamento que se ajusta consoante conveniências políticas. São seres humanos que escolhem dedicar-se ao serviço público, muitas vezes em condições difíceis, e merecem reconhecimento, dignidade e apoio.

Conclusão: Um País de Contradições

Moçambique vive um paradoxo inquietante: há dinheiro, mas não há investimento no essencial. O país acumula milhões em receitas provenientes do gás, mas continua a falhar na protecção dos seus sectores vitais. A contenção de despesas não pode justificar tudo — muito menos quando se trata de áreas estruturantes como a saúde.

É tempo de o Governo moçambicano repensar as suas prioridades. O Fundo Soberano não pode ser uma reserva política ou um cofre para uso desconhecido. Deve estar ao serviço da população, sobretudo dos que asseguram os cuidados médicos, a educação e a coesão social. Sem isso, estaremos a construir uma riqueza artificial, desligada da realidade do povo.

Não se pode continuar a sacrificar o futuro da Nação em nome de uma estabilidade financeira que apenas serve os mesmos de sempre. É hora de inverter o rumo — com coragem, com justiça, com visão de país.


A OJM não representa a juventude moçambicanaPor: Xisto Fernando Dizem que a OJM – Organização da Juventude Moçambicana –...
11/07/2025

A OJM não representa a juventude moçambicana

Por: Xisto Fernando

Dizem que a OJM – Organização da Juventude Moçambicana – representa todos os jovens do país. No entanto, eu, como muitos outros jovens, não me identifico com esta organização. A verdade nua e crua é que a OJM não é a organização da juventude moçambicana, mas sim a organização da juventude da FRELIMO.

A prova disso é clara: as eleições para eleger o próximo líder desta agremiação serão realizadas na sede do partido FRELIMO. Como pode uma organização que se diz nacional e representativa de todos os jovens realizar os seus processos internos dentro de uma estrutura partidária? Isso não é apenas incoerente, é profundamente injusto. Porque nem todos os jovens moçambicanos pertencem – ou querem pertencer – à FRELIMO.

A juventude moçambicana é diversa, crítica, criativa, e tem dores reais: desemprego, falta de acesso à educação de qualidade, exclusão social, violência e ausência de oportunidades. No entanto, a OJM tem servido apenas como eco das decisões partidárias, longe de ser uma voz independente que leve ao poder político as reivindicações legítimas da juventude.

Talvez seja a partir da OJM que se elaboram certos relatórios que tentam pintar um cenário irreal, dizendo que os jovens estão satisfeitos com a governação. Mas nós sabemos a verdade: esta organização não fala por nós. Não vive os nossos dilemas. Não sente as nossas angústias.

Nós, jovens moçambicanos, precisamos urgentemente de uma organização que não esteja amarrada a nenhum partido político. Precisamos de uma plataforma livre, aberta, transparente e verdadeiramente representativa. Uma organização que lute, com independência, por políticas públicas que melhorem a vida dos jovens – sem bajulação, sem alinhamentos automáticos com o poder, sem fingimentos.

Está na hora de deixarmos de aceitar que se fale em nosso nome sem nos ouvir. Está na hora de construirmos novas formas de organização que respondam, de facto, às necessidades da juventude moçambicana.


Fechar as Portas do Estado é Fechar as Portas ao FuturoPor: Xisto FernandoO recente anúncio do Governo moçambicano de li...
10/07/2025

Fechar as Portas do Estado é Fechar as Portas ao Futuro

Por: Xisto Fernando

O recente anúncio do Governo moçambicano de limitar novas admissões na Função Pública até 2028 é mais do que uma medida de contenção — é um grito de desespero disfarçado de estratégia. Num país com pouco mais de 36 milhões de habitantes, onde o desemprego juvenil cresce de forma alarmante e as oportunidades profissionais são escassas, encerrar a principal via de acesso ao emprego formal revela uma desconexão gritante entre os gabinetes do poder e a realidade da rua.

Moçambique ainda não consolidou políticas públicas eficazes de empregabilidade. A maior parte dos jovens termina os seus estudos sem saber para onde ir. As promessas de industrialização, de diversificação da economia, de incentivos ao investimento produtivo, continuam engavetadas entre discursos vazios e planos nunca executados. Num cenário em que o próprio setor privado é frágil e limitado, o Estado deveria ser, por lógica, o maior empregador e dinamizador da economia — e não o primeiro a bater com a porta.

O argumento do Governo é cortar nas despesas. Mas pergunto: por que não cortar nos salários exorbitantes de ministros, directores nacionais, chefes de departamento e deputados que vivem acima das possibilidades do país? Por que não reduzir as frotas de viaturas de luxo, os subsídios injustificados, as missões externas rotineiras e as mordomias que só servem a elite do sistema?

Em vez de sufocar o acesso à Função Pública, o Estado devia investir na criação de fábricas, indústrias transformadoras, unidades agro-processadoras, cooperativas, e promover programas de empregabilidade com visão e sustentabilidade. Devia preparar a juventude para responder às exigências do mundo moderno — e não abandoná-la à sorte de um mercado informal saturado e instável.

Muito se tem dito que “os jovens precisam ser empreendedores”, como se fosse possível um país inteiro empreender sem consumidores com poder de compra, sem acesso a financiamento, sem redes de apoio, nem políticas públicas consistentes. A verdade é que nem todos têm vocação ou perfil para o empreendedorismo. E isso não é um problema — é a diversidade natural das sociedades. Muitos jovens moçambicanos precisam, sim, de empregos dignos — e são precisamente esses empregos que o Governo agora decide encerrar.

Este não é apenas um erro político. É um crime social silencioso contra uma geração inteira.


Meus amigos, aí está o meu primeiro E-book ( livro digital), apenas 150 MT, será distribuído via WhatsApp, E-mail e outr...
19/06/2025

Meus amigos, aí está o meu primeiro E-book ( livro digital), apenas 150 MT, será distribuído via WhatsApp, E-mail e outros canais digitais.

18/06/2025

Para ocupar um cargo político que tem a ver com, artes e cultura, não precisa necessariamente que seja um artista, basta que seja alguém que pense na cultura no seu todo, e mude alguma coisa..

Formação Jornalística: Uma Urgência Silenciosa na Imprensa MoçambicanaPor: Xisto Fernando Há discussões que, apesar de a...
17/06/2025

Formação Jornalística: Uma Urgência Silenciosa na Imprensa Moçambicana

Por: Xisto Fernando

Há discussões que, apesar de antigas, continuam a clamar por ressurreição. Uma delas é a velha questão: é necessária a formação académica para se fazer jornalismo? Alguns sustentam que basta saber escrever, ter boa dicção ou até uma aparência agradável para a televisão. Outros, entre os quais me incluo, defendem que o jornalismo, para ser digno desse nome, exige formação técnica e ética — e essas ferramentas não se colhem nas ruas, mas sim nos bancos da escola.

O jornalismo não é ofício de improvisação. Não basta ter boa presença de câmara nem saber falar com desenvoltura para merecer o título de jornalista. O jornalismo é uma prática social com responsabilidades profundas — éticas, humanas e cívicas. Reduzi-lo à aparência ou ao talento comunicativo é desprezar o papel estruturante que esta profissão tem numa sociedade democrática. E, mais grave ainda, é desacreditar o trabalho das instituições que, com esforço e escassez de meios, formam profissionais para este ofício.

Ao negar a importância do curso de jornalismo, estamos, implicitamente, a afirmar que as universidades que oferecem esta formação estão a gastar recursos públicos em vão. O que, convenhamos, não é só uma ofensa às instituições, mas também uma negação da construção de um saber colectivo.

A crise ética e técnica que assombra parte significativa da nossa imprensa é reveladora desta ausência de formação sólida. Basta observar a forma como certos canais de televisão tratam os temas de justiça. A TV Miramar, por exemplo, tem adoptado uma linha editorial que transforma entrevistas de rua em verdadeiros tribunais televisivos. Os alegados criminosos são interrogados diante das câmaras como se estivessem perante um juiz — sem qualquer respeito pela presunção de inocência, pelo contraditório ou pelos direitos fundamentais do indivíduo. Mesmo que se trate de um confesso, o jornalista não deve, não pode e não tem legitimidade para assumir o papel de magistrado.

Não se trata de uma questão de estilo ou escolha editorial. Trata-se de princípios. E princípios jornalísticos não são maleáveis ao gosto da audiência ou da audiência ao gosto do canal. São regras deontológicas que se aprendem com estudo e prática orientada. Sem isso, teremos apenas performers da informação.

Noutras estações, o jornalismo transformou-se em fábrica de memes, alegando que é uma forma “inovadora” de comunicar com o povo. Mas é preciso perguntar: que tipo de povo se quer formar? Um povo informado ou entretido? Um cidadão crítico ou um consumidor passivo de piadas informativas? A fronteira entre o jornalismo e o entretenimento está a esbater-se perigosamente, e o que vemos cada vez mais são jornalistas que se tornam protagonistas do espectáculo, eclipsando a notícia que deveriam mediar.

A função do jornalista não é ser notícia. O jornalista é, ou deve ser, a ponte entre o facto e o público. Quando o jornalista se torna mais importante que o acontecimento, há um problema de ética profissional. Infelizmente, vivemos tempos em que abundam jornalistas-celebridade e escasseiam jornalistas de investigação. E isso tem impacto directo na qualidade da informação a que o cidadão comum tem acesso.

Hoje temos mais repórteres do que jornalistas. Mais microfones do que apuração. Mais pressa do que precisão. E essa realidade é o reflexo de uma sociedade que ainda não compreendeu a importância da formação jornalística como pilar da liberdade e da democracia.

Por isso, a resposta à pergunta inicial parece-me evidente: sim, é necessário curso de jornalismo para se fazer jornalismo. Não porque o diploma, por si só, garante competência, mas porque a formação académica fornece os fundamentos para uma prática ética, crítica e transformadora. Tirar esse mérito é matar o jornalismo antes mesmo de o praticar.


A humidade é hipócritaPor: Xisto Fernando Os governantes do mundo discursam sobre a paz, mas continuam a fabricar armas ...
16/06/2025

A humidade é hipócrita

Por: Xisto Fernando

Os governantes do mundo discursam sobre a paz, mas continuam a fabricar armas em massa — como quem prepara o terreno para a próxima carnificina. Pregam o desarmamento nos microfones e, nas sombras, assinam contratos bilionários com a indústria bélica. Dizem querer evitar guerras, mas financiam conflitos por procuração em países que nem conseguem nomear.

Os países mais industrializados envenenam o ar, o solo e a água, mas reúnem-se em cimeiras luxuosas para falar do “futuro sustentável”. Chegam de jatos privados para debater a pegada de carbono. Criam leis ambientais que impõem aos pobres e subsidiam corporações que matam rios.

Os Estados poluem os oceanos, despejam petróleo, plástico, morte — e depois promovem campanhas para “salvar as tartarugas”. É o marketing da culpa, a cosmética da consciência.

Os países ricos fazem campanhas solidárias para “ajudar África”, mas o que realmente exportam é dependência, dívida e evangelhos disfarçados de ajuda. Ninguém desenvolve o outro, apenas explora com luvas limpas.

As grandes empresas falam em diversidade, mas nos bastidores continuam a discriminar. Usam rostos negros nas campanhas, enquanto mantêm estruturas de exclusão nos conselhos de administração.

Os chefes religiosos pregam humildade, mas vivem em palácios. Falam de amor ao próximo, mas condenam minorias. Dizem que Deus é misericordioso, mas constroem muros em nome d’Ele.

Os defensores dos direitos humanos só gritam quando os mortos são brancos ou ocidentais. A dor tem nacionalidade. A justiça, passaporte.

O ser humano planta monumentos à liberdade, enquanto ergue fronteiras. Diz amar a natureza, mas despeja lixo no quintal do vizinho. Veste slogans de igualdade, mas alimenta a máquina do privilégio.

No fundo, a humanidade é uma encenação diária. Vive de gestos simbólicos para esconder a brutalidade real.

E ainda assim, entre tanta hipocrisia, há quem insista em acreditar. Talvez essa seja a maior contradição de todas.


Different Colours, One People: Uma crítica à canção de Lucky Dube à luz do racismo contemporâneoPor: Xisto FernandoNum t...
13/06/2025

Different Colours, One People: Uma crítica à canção de Lucky Dube à luz do racismo contemporâneo

Por: Xisto Fernando

Num tempo em que o mundo se proclama globalizado, tecnológico e progressista, o racismo persiste como um vírus antigo, mutante, que infecta consciências, estruturas e políticas. Entre manchetes que noticiam violência policial, discriminação sistémica e discursos de ódio, a canção “Different Colours / One People” do sul-africano Lucky Dube, lançada em 1993, continua a soar como um grito necessário — ou, talvez, como uma advertência ignorada.

Com um reggae envolvente e uma letra simples, mas profundamente simbólica, Dube denuncia a fragmentação racial promovida por interesses políticos, por narrativas históricas excludentes e por sistemas que mantêm a desigualdade sob véus institucionais. “Diferentes cores, um só povo” não é apenas o refrão; é uma filosofia de vida, uma proposta ética e um apelo à humanidade.

A canção, nascida em plena transição pós-apartheid, carrega o peso de um continente marcado por séculos de opressão racial e colonialismo. Mas o que impressiona — e entristece — é a actualidade desta mensagem, mais de trinta anos depois. Em pleno 2025, o racismo continua a matar, a silenciar, a excluir.

Nos Estados Unidos, o movimento Black Lives Matter ainda se ergue contra mortes evitáveis e injustiças estruturais. Na Europa, multiplicam-se os discursos anti-imigração que associam a cor da pele à criminalidade ou à “ameaça cultural”. Em África, paradoxalmente, ainda se observam tensões étnicas internas alimentadas por lógicas coloniais mal resolvidas. E em Moçambique, as desigualdades raciais e regionais continuam a ser camufladas sob o manto da “unidade nacional”.

A canção de Lucky Dube percorre o planeta, nomeando países e contextos, como quem aponta o dedo ao mundo todo: ninguém está isento da responsabilidade de mudar. Quando o artista canta que “Deus não criou Zulus nem Swazis — criou pessoas”, ele ataca directamente a raiz da tribalização e racialização das identidades humanas.

Mais do que uma composição musical, “Different Colours / One People” é uma aula de cidadania universal, uma crítica à política da exclusão e um espelho que reflecte a falência moral das sociedades que ainda julgam pela aparência. Lucky Dube não oferece respostas fáceis, mas exige reflexão.

Ouvir esta canção hoje é um acto político. É recordar que a cor da pele nunca deveria determinar o valor da vida. É confrontar-nos com o nosso silêncio perante injustiças. É, acima de tudo, reconhecer que a humanidade só será plena quando deixar de classificar-se em escalas de melanina.

Lucky Dube já partiu, mas a sua voz permanece. Talvez seja hora de deixarmos de a ouvir apenas com os ouvidos — e começarmos a escutá-la com consciência.


Será que ainda existem profetas hoje?Por: Xisto FernandoA figura do profeta é uma das mais fascinantes — e controversas ...
12/06/2025

Será que ainda existem profetas hoje?

Por: Xisto Fernando

A figura do profeta é uma das mais fascinantes — e controversas — da fé cristã. No Antigo Testamento, os profetas eram homens e mulheres levantados por Deus para anunciar verdades duras, confrontar reis, denunciar injustiças e guiar o povo. Eram, em suma, mensageiros de Deus, não de si mesmos. Hoje, porém, a paisagem é outra: os "profetas" proliferam nas redes sociais, nos púlpitos televisivos, nas igrejas neopentecostais. Uns vendem bênçãos, outros fazem promessas, e muitos parecem mais adivinhos do que servos.

Mas afinal, existem ainda profetas hoje? E se Deus continua a falar profeticamente, será o título de “profeta” ainda adequado? Ou talvez estejamos a usar palavras bíblicas fora do seu tempo, contexto e função?

Deus fala, sim, mas nem tudo o que brilha é profecia

Não há dúvidas de que Deus continua a comunicar-se com os seres humanos. Ele fala pela Escritura, pelo Espírito, pela consciência, por sonhos, por visões, pela arte e, em ocasiões raras, até por palavras específicas dirigidas a situações concretas. Esta forma de falar — que muitos identificam como “profética” — ainda pode ocorrer. Sim, Deus pode levantar vozes que desafiem, inspirem e apontem caminhos.

O problema não está em Deus falar, mas no uso e abuso do título “profeta”. Muitos dos que hoje se autointitulam assim parecem mais preocupados em prever casamentos, detectar “inimigos espirituais” ou antecipar transferências bancárias milagrosas. Profetizam sucesso pessoal, e não arrependimento. A sua linguagem é frequentemente vaga, teatral, e, curiosamente, sempre favorável ao ouvinte. São profetas que nunca enfrentam reis, apenas os bajulam.

No Novo Testamento: apóstolos, não profetas

Jesus, ao formar os alicerces da Igreja, não chamou profetas, mas apóstolos (Mateus 10:1-4; Lucas 6:13-16). Os apóstolos foram enviados com autoridade para ensinar, curar, fundar comunidades e testemunhar a ressurreição. O dom da profecia existia, sim, no seio da comunidade cristã primitiva (ver 1 Coríntios 14), mas nunca foi confundido com a missão apostólica nem com o papel institucional dos profetas do Antigo Testamento.

Apostolicamente, o foco estava na proclamação do Evangelho e na edificação da Igreja, e não em previsões personalizadas. Os profetas neotestamentários — como Ágabo — tinham um papel complementar, não central.

Profetas ou apóstolos: o que é mais relevante hoje?

Será que o título “profeta” faz sentido nos dias de hoje? Em parte, sim, se entendermos profecia como o dom de comunicar uma verdade divina com impacto transformador. Há pregadores, escritores, activistas, artistas e líderes espirituais que, mesmo sem usarem esse rótulo, profetizam com a vida, com a palavra e com o exemplo. Talvez não sejam "profetas" no sentido clássico, mas são vozes proféticas no meio do ruído.

Por outro lado, há também quem se autoproclame “apóstolo”, outro título que exige cautela. Apostolado, na sua raiz, significa “enviado”. Em certo sentido, todo cristão comprometido com o Reino é um “apóstolo” — enviado ao mundo com uma missão. Mas, biblicamente, o apostolado implicava um chamado directo de Cristo, algo único e não replicável. Por isso, usar “apóstolo” ou “profeta” hoje como título hierárquico, é mais fruto de vaidade do que de vocação.

Qual é, então, o verdadeiro papel dos profetas e apóstolos hoje?

Se por profeta entendermos alguém que discerni os tempos, denuncia o pecado, chama à justiça e aponta para Deus — então sim, ainda há profetas. Mas raramente usam esse nome. Muitos são incómodos, marginalizados, esquecidos. São os que dizem o que poucos querem ouvir.

Se por apóstolo entendermos alguém que é enviado com uma missão clara de fundar comunidades, levar a Palavra e guiar os fiéis com autoridade espiritual humilde, também podemos reconhecer essa função. Mas sem cair na armadilha do título pomposo.

Conclusão: mais serviço, menos títulos

Deus continua a agir. Continua a levantar homens e mulheres que falam com coragem, discernimento e compaixão. O que falta não é profecia — é humildade. Não é inspiração divina — é responsabilidade espiritual.

Mais do que saber se ainda existem profetas, talvez a pergunta seja outra: estamos a escutar os verdadeiros? Ou estamos demasiado entretidos com os espectáculos dos falsos?


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