28/03/2025
Uma gata magra roubou um peixe na cozinha, e a dona da casa quebrou um cabo de vassoura nela. A gata caiu no chão, contorcendo-se, tentando recuperar o fôlego.
— Ladra! Some da minha casa! — gritou a mulher, furiosa.
A gata não conseguiu correr porque suas patas falharam, então saiu se arrastando, arfando, sentindo-se fracassada por não conseguir comida para seu filho.
Ela se esgueirou até um beco escuro, onde seu filhote miava baixinho, com o corpinho magro tremendo de fome e molhado pelo orvalho da noite. Assim que viu a mãe chegando sem o peixe, seus olhinhos inocentes se afogaram em lágrimas.
— Mamãe, você disse que ia trazer peixe! Estou com fome!
A gata sentiu um nó apertar sua garganta e deu um sorriso forçado para que o filho não percebesse que ela estava machucada.
— Perdoe a mamãe, meu amor… Mas eu prometo, nunca vou deixar você morrer de fome.
Mas agora, a casa onde antes moravam estava rigorosamente fechada. Portas trancadas, janelas seladas. Não havia mais como voltar. Assim, a gata saiu arrastando o filho pelos calçadões das ruas, sobre o orvalho da noite fria. Não tinha ideia do que faria dali para frente.
Sem outra saída, a mãe colocou o filho embaixo de alguns papelões em uma calçada e disse:
— Espere aqui. Mamãe vai buscar comida.
Porém, quando deu as costas, deu as costas para sempre. Nunca mais voltou. Afinal, não tinha como sustentá-lo. Toda vez que tentava roubar algo, levava uma surra. Para não morrer de tanto apanhar, abandonou o filho.
O gatinho, fraco de fome, quando percebeu que sua mãe não voltaria mais, encheu os olhinhos de lágrimas e começou a miar bem baixinho, o miado da desistência e do medo, pois sabia que seu fim era certo.
Mas então, uma sombra se aproximou. Uma mão humana estendeu um pedaço de pão.
— Ei, pequenino… Tá com fome?
Era um jovem de olhar gentil. O filhote cheirou o pão e, fraco, tragou de uma só vez. O jovem sorriu e levou o gatinho para sua casa.
Na nova casa, encontrou uma cama quente e comida farta.