19/05/2026
SE AS RUAS FALASSEM
Se as ruas falassem.
Falariam de homens que não têm palácios,
Mas guardam a cidade como reis silenciosos.
Fala-se de mulheres que não têm tronos,
Mas vigiam as madrugadas com olhos de águia,
Mesmo quando a fome pesa mais que a farda.
Quem diria em viva voz
Que ser policial é viver entre o amor e o risco?
É sair de casa sem saber se volta,
E ainda sorrir para acalmar quem ficou?
Quem diria…
Que na rua de 3/100, onde o frio entra pelas costuras,
Há passos firmes, botas gastas,
Guardando o sono de quem nunca agradeceu?
Se as ruas falassem…
Contariam histórias abafadas pelo ronco da cidade,
Gritariam nos becos dos Pavês e nas esquinas da rua marginal
“Ali caiu um herói anónimo,
Ali alguém disse: ‘não tenho medo de morrer,
Tenho medo que o povo não entenda minha missão!’”
Se as ruas falassem
Falariam de noites sem luz e sem pão,
Onde a rádio chama e a coragem responde.
De patrulhas em silêncio,
Onde a única arma é o coração.
Quem diria...
Que um policial também sente medo,
Mas mesmo assim continua a caminhar de beco em beco
Quem diria
Que um polícia também Sente frio,
Mas mesmo assim esconde se em seus próprios braços enquanto vigia?
Carrega a culpa que não é dele
Se protege é culpado
Se pretender também é culpado
Chora mas não lacrimeja
Grita e ninguém escuta
Não é coragem, é profissão
Não é medo é missão,
É proteção
Mesmo assim, há quem o despreza
Por isso,
Se essas ruas não falarem, darão gritos
Revelando fardas que escondem feridas,
Revelando sorrisos que camuflam cansaço,
Esposas e filhos dormindo sozinhas,
Enquanto os maridos estão ao relentos nas ruas sem saber se voltam vivos ou mortos
E os filhos ao nascer do sol,
Esperam beijos e abraços que talvez nunca terão
Quem diria…
Que quando a multidão foge,
É o policial que se levanta?
Quem diria…
Que mesmo sem medalha,
Ele é o escudo invisível da paz?
Se as ruas falassem…
Falariam com respeito,
Com lágrimas de gratidão:
“Obrigado, herói de Báruè!
Guardião de Catandica,
Sentin