20/11/2025
Hoje, os canhões que destruíram Palmares mudaram de forma, mas continuam apontados para a mesma direção. Eles se manifestam no racismo estrutural que permeia nossas instituições, na violência policial que tem cor e endereço certos, e na desigualdade salarial gritante. O Quilombo moderno é a luta por espaços de poder.
Diante desse cenário, a meritocracia em um país escravocrata por mais de três séculos é um mito cruel. As políticas de ações afirmativas e a Lei de Cotas não são "favores" nem "privilégios"; são as ferramentas mínimas e necessárias de uma reparação histórica tardia. Elas são o reconhecimento de que a corrida começou muito antes para uns, enquanto outros ainda estavam acorrentados. Valorizar a cultura afro-brasileira e garantir o acesso à universidade e aos cargos de chefia é devolver ao Brasil a sua verdadeira face, aquela que foi forjada não apenas na Casa Grande, mas, fundamentalmente, na inteligência e na tecnologia social dos quilombos.
Portanto, celebrar o Dia Nacional da Consciência Negra é um ato político de amor e guerra. É olhar para a imagem de Zumbi e ver não apenas um passado distante, mas um chamado urgente para o presente. É entender que Palmares não acabou; ele vive em cada estudante cotista que se forma, em cada ativista que levanta a voz e em cada lei que busca equidade. Que o 20 de novembro seja, para sempre, o lembrete de que a liberdade não se ganha; conquista-se, constrói-se e defende-se todos os dias.
Zumbi vive, porque a luta continua.
Lucas Fontes Lima
*-GIMMICK-*
(Assistente Social graduado pela Uniasselvi, Ativista da Cultura Hip-Hop e membro dos Movimentos Negro em Sergipe. Presidente do PT de Areia Branca, Membro da Academia de Letras Areia-Branquense, Membro da Nação Hip-Hop Brasil, Graduando do 4° período em Ciências da Religião pela Universidade Federal de Sergipe)
20 de Novembro
Primavera de 2025.
Areia Branca, Agreste, Sergipe, Nordeste, Brasil.