Se Deslocando pelo Mundo

Se Deslocando pelo Mundo Viagens

Um mapa mundi tatuado nas costas e um avião pequenino tatuado no pulso revelam a paixão dessa engenheira civil por viage...
19/02/2017

Um mapa mundi tatuado nas costas e um avião pequenino tatuado no pulso revelam a paixão dessa engenheira civil por viagens. Bianca Gurgel Campos de Melo, 27 anos, começou a viajar ainda criança, com os pais, que moravam em Manaus (AM), e tinham parentes em Belém (PA) e Natal (RN). Quando ela tinha 11 anos os pais se mudaram para Natal , então ficou mais fácil percorrer todo o Nordeste de carro. A primeira viagem ao exterior foi aos 21 anos, para conhecer Orlando, na Flórida (EUA). Conta que ficou nervosa, porque não falava “quase nada de inglês”, mas observou que muitas pessoas falavam espanhol também. Foi aí que começou a descobrir como é emocionante conhecer outras culturas. Hoje, viajar é a prioridade de Bianca, que conhece 13 países, entre os quais Estados Unidos, Espanha, França, Reino Unido, Itália, Argentina, Portugal e Marrocos. No momento está em Dublin, Irlanda, num intercâmbio para aperfeiçoar o estudo de inglês tanto pela carreira quanto pela paixão pelo mundo. “O inglês é importante para os viajantes. Ajuda muito em qualquer país. Você pode não falar a língua do país, mas no aeroporto, hotel, hostel e monumentos turísticos sempre tem alguém que fala inglês. Até as máquinas de metrô e ATM vão ter a língua do país e a opção de inglês”.
De tantas viagens já feitas, quais são as lembranças? “Cada viagem tem uma lembrança, das coisas que vi, do que experimentei, e das pessoas que estavam comigo e que conheci”. Ela é do tipo que coleciona lembranças, tipo caneca, chaveiro... Começou colecionando miniaturas de cada cidade visitada, mas agora, sem espaço na estante, está colecionando ímãs e patchs. Sobre acomodação, diz que prefere hotel, porque é mais organizado e privado. Mas nos últimos tempos tem f**ado em hostel. “É mais econômico”.
Há mulheres que relatam ter sofrido preconceito viajando sozinhas. Bianca garante que nunca passou por isso. Mesmo assim, ela revela que tem medo. “Tenho medo em relação a segurança, não importa o país que esteja. Óbvio que em alguns países fico mais relaxada, mas é bom sempre estar atenta”.
Dificuldades sempre existem. Bianca conta que não é muito boa em recordar caminhos de primeira, por isso é fácil se perder. Mas tem truques: sempre pega um mapa impresso da cidade (no aeroporto ou hostel/hotel) e antes de viajar baixa o mapa offline da cidade já com alguns pontos que quer visitar e a localização da acomodação. O bom é que o gps do celular funciona mesmo sem rede de telefone.
Com a experiência de quem já bateu pernas pelo mundo, ela compartilha dicas para quem quer viajar, mesmo em tempos de crise: “É tudo uma questão de organizar as finanças. Evito comer fora de casa, comprar coisas desnecessárias. Economizo na hora de comprar roupas, sapatos, acessórios. Monto um plano de quanto preciso guardar cada mês e quanto posso gastar, e trabalho em cima dele pra guardar dinheiro pra viajar”.
Sobre roteiro, ela diz que não gosta de um roteiro muito fechado, porque sempre aparecem coisas novas no caminho para conhecer; então organiza o que quer ver; pesquisa sobre a cidade para onde vai, o que é popular e também se há algum lugarzinho para ser descoberto; vê no mapa o que f**a próximo e assim tem uma ideia do que existe nas redondezas e planeja para qual direção ir em cada dia.
Para as mulheres que querem viajar, mas ainda têm medo, um conselho: “Se você não tem coragem de ir de cara, sozinha, pode ir se testando aos poucos. Foi como eu comecei, viajava com a família, as vezes só com a minha irmã ou amigos. Então comecei a ir sozinha para encontrar com amigos, e depois indo sozinha e conhecendo pessoas no caminho”. E diz mais: “como mulher, eu acredito que nós devemos batalhar cada vez mais pela liberdade de poder andar sozinha e se sentir segura em qualquer lugar. Eu acredito que viajar abre a cabeça das pessoas para outras culturas. E incentivo ao máximo, não só para outros países, como também no nosso próprio país. O Brasil é encharcado de cultura”.
Mesmo dizendo que não tem nenhuma viagem agendada, Bianca revela que está se organizando para “tentar” ir pra a Escócia ou País de Gales no próximo mês. É, Bianca, com um mapa cravado nas costas e um avião no braço, é difícil f**ar parada.

A  personagem desta sequência está na Ásia há um mês, num roteiro que inclui vários países. “Não tenho um roteiro defini...
15/02/2017

A personagem desta sequência está na Ásia há um mês, num roteiro que inclui vários países. “Não tenho um roteiro definido. Neste momento da minha vida só decido o que farei a cada dois dias”, diz ela, sorrindo. Shirley Yuri Tsukino, 33 anos, natural do Rio de Janeiro, é bacharel em Relações Internacionais e Letras (português-japonês). Na primeira viagem internacional tinha seis anos de idade, e foi ao Japão acompanhando os pais que são japoneses. No Brasil conhece vários Estados e quer visitar muito mais. “Nosso país possui lugares tão bonitos quanto o exterior”, afirma. Está acostumada a viajar sozinha e já esteve nos Estados Unidos, Inglaterra, Escócia, Chile,Argentina , Peru, Paraguai, Uruguai, País de Gales, França, Suiça, Liechtenstein, Áustria, Alemanha, Eslovênia, Croácia, Hungria, República Tcheca, Holanda, Bélgica,Itália, Irlanda, além do Japão... E vai colecionando pins (botons) de lembrança.
Fez intercâmbio em Londres (Inglaterra), Tóquio (Japão) e Dublin (Irlanda). Sobre hospedagem, ela diz que f**ar em hostel é ótimo para quem está viajando sozinha, pois é fácil fazer amizades e encontrar companhia para muitos passeios. E nessas andanças pelo mundo, houve alguma circunstância em que sentiu medo? “Apenas uma vez. Em Praga fiquei em um hostel sinistro e para completar tinha uma senhora muito estranha no quarto que f**ava horas ao telefone. Eu e as meninas do quarto achávamos que não tinha ninguém do outro lado da linha”. Para as mulheres que sentem medo de viajar sozinhas ela afirma que o mundo, os países, as cidades estão cada vez mais preparados para receber os turistas, os mochileiros/ mochileiras. Sobre discriminação contra mulheres que viajam sozinhas, Shirley diz que nunca passou por nenhum problema assim, mas sempre pesquisa antes se há relatos de situação desse tipo. Ela soube que em algumas partes da Índia não é recomendável a mulher viajar sozinha, por isso, selecionou alguns pontos por onde vai passar, quando for a esse país.
O inglês é indispensável para quem viaja ao exterior? Ela sorri e diz que a mímica é a língua internacional, com ela você consegue se comunicar com qualquer um, mas o inglês ajuda a fazer amizades e principalmente participar de tours locais que geralmente são em inglês. Outra dificuldade para a maioria das pessoas que deseja empreender uma viagem é o lado financeiro. Shirley não concorda e diz: “o que eu mais vejo são pessoas viajando com muito pouco .Você já ouviu falar em COUCH SURFING ? Você não gasta nada com hospedagem, dormindo no sofá das casas das pessoas do mundo todo. Tem muita gente que usa isso intercalando com hosteis. Depois você pode conhecer muitos lugares fazendo walking tour (que geralmente é de graca. Você contribuiu com a quantidade que puder”. Ela dá uma dica sobre planejamento: “faço uma estimativa de quanto precisarei por dia e foco nesta quantia. E sempre coloco um extra para os passeios mais caros que eu quero fazer”.
De todos os lugares que já visitou, Shirley guarda uma lembrança muito forte do Lago Titicaca localizado entre o Peru e a Bolívia. A população que vive naquele lago é muito simples e sorridente. “ Nunca mais esquecerei a cena de duas crianças que tinham a pele queimada do sol (assim como todos que vivem lá), brincando com o que comiam (tipo de cana de açúcar). Elas não têm brinquedos como a maioria das outras crianças, mas pareciam tão felizes”.
Hoje, ela está em algum lugar do sudoeste da Ásia e descobriu que “quanto mais a gente viaja mais quer continuar fazendo isso! Isso é um vício bom”.

Enfermeira aposentada, Solange Mara, 68 anos, já viajou para os Estados Unidos, duas vezes, esteve 24 dias na Europa, pa...
29/01/2017

Enfermeira aposentada, Solange Mara, 68 anos, já viajou para os Estados Unidos, duas vezes, esteve 24 dias na Europa, passando por Paris, Londres, Amsterdã, Bruxelas, Roma e Berlim. Mas sempre em excursão, ou com amigos. Fez um intercâmbio de quatro meses no Canadá para estudar inglês e em dezembro de 2016 chegou a Malta também para um intercâmbio. Foi a primeira vez que ficou em hostel, porque até então tinha medo de ser roubada ou de não se adaptar. “Encontrei uma família, pessoas com o mesmo objetivo e que se ajudam, mas é preciso ter espírito de aceitação”, admite ela. Os jovens companheiros de quarto compartilharam conhecimentos tecnológicos, quando ela precisou comprar passagens aéreas e terrestres e reservar acomodação na Suiça, próximo destino de Solange, onde f**ará por 12 dias, na primeira viagem sozinha. “Sozinha não. Quem tem Deus nunca está só”, diz ela, que na juventude viveu em depressão por dez anos. Quando se recuperou, fez curso de Enfermagem pela Igreja Adventista e trabalhou por 33 anos em hospital, em São Paulo. É solteira, sem filhos. “Se a mulher tem companhia masculina em quem confia, é maravilhoso. Caso contrário é possível ser feliz sozinha, porque felicidade é muito mais do que estar com alguém. Felicidade é paz, esperança, alegria, é saber que você pode ser útil a alguém”, diz ela, que está planejando fazer um curso de medicina natural na Geórgia (Estados Unidos) e no futuro, trabalhar como voluntária pelo mundo, em missões da igreja que frequenta.

Ainda não são muitas as mulheres que se aventuram, sozinhas pelo mundo. Tive o prazer de conhecer algumas, como Micaela ...
21/01/2017

Ainda não são muitas as mulheres que se aventuram, sozinhas pelo mundo. Tive o prazer de conhecer algumas, como Micaela Martins, 19 anos, que estuda Relações Internacionais na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. O primeiro “voo” foi para Foz do Iguaçu, na tríplice fronteira (Brasil, Argentina e Paraguai), com amigas. Na verdade, o primeiro voo mesmo foi saltar de paraquedas em Itatiaia (RJ). Parece que essa aventura abriu a janela do mundo. Em dezembro de 2016, a jovem chegou a Paris, para passar uma semana. Nos dois primeiros dias ficou com uma amiga, que mora na França, mas depois se viu sozinha em um hostel. Foi quando descobriu que sempre há alguém buscando a mesma coisa, e teve companhia para conhecer a cidade. Aprendeu a pegar metrô e trem e andou a pé, sem um roteiro bem definido. E concluiu que essa é a melhor forma de “saborear” os locais. Mas não deixou de conhecer as atrações que estão em qualquer roteiro turístico, como a Torre Eiffel, os inúmeros museus e catedrais. E se encantou com Montmartre, considerado o bairro mais charmoso de Paris. Destino seguinte: Malta, para um intercâmbio de três meses, numa escola de inglês. Na ilha, onde conheceu gente dos mais diversos países, descobriu a multiplicidade de cultura. “Vim focada no crescimento profissional e estou me descobrindo como pessoa”, diz. E f**ar em hostel é uma forma de aprender a conviver com pessoas de todo o tipo, aquelas que você gosta e as que não gosta. Sobre viajar sozinha, ela admite que é preciso ter cuidado, mas isso não é algo limitante. Ela acha que quanto mais mulheres perderem o medo e sairem da zona de conforto será melhor. “E vai chegar o momento em que será normal mulheres viajarem sozinhas”, enfatiza. Mas como ainda não é normal, principalmente mulheres tão jovens nessas aventuras, Micaela ouve com frequência perguntas do tipo: “quantos anos você tem? seus pais deixaram você viajar sozinha? você não tem medo? por que você não foi para a Disney?”. Micaela faz questão de dizer que não tem nada contra a Disney, mas acha que os roteiros que escolheu podem lhe acrescentar muito mais. Próximo destino? Marrocos, diz ela, abrindo um belo sorriso.

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