19/09/2018
“O problema com o mundo moderno é que os idiotas estão seguros e os inteligentes cada vez mais cheios de dúvidas”.
A frase do filósofo galês Bertrand Russel (1872-1970) foi escrita na década de 1930 como um alerta.
Vencedor do Nobel de literatura em 1950, Russel ganhou notoriedade como defensor da vida criativa, moderna e racional que os totalitarismos de seu tempo (nazismo, fascismo ou comunismo) ameaçavam.
O paradoxo do pensamento de Russel é a base do conceito do chamado “efeito Dunning-Kruger” ou a síndrome do “idiota confiante”.
Trata-se do distúrbio cognitivo dos indivíduos que ignoram o limite da própria ignorância. O conceito foi criado em 1999 em um artigo publicado por dois psicólogos americanos da Universidade de Cornell, Justin Kruger e David Dunning.
“Os incompetentes são frequentemente abençoados com uma confiança inadequada, afiançada por alguma coisa que, para eles, parece conhecimento”, diz trecho do artigo.
Nesta semana, o próprio Dunning publicou no sitePolitico um texto em que sugere que sua teoria seria a chave para justificar a ascensão do candidato republicano Donald Trump à liderança das pesquisas na eleição presidencial americana.
No artigo, o pesquisador explica como Trump fala grosso, mas mostra desconhecimento completo sobre temas fundamentais do cargo que pleiteia, como o programa nuclear americano ou a política externa do país.
Dunning sugere que parte dos eleitores, em especial aqueles que enfrentam sofrimentos materiais e emocionais, gosta das bravatas de Trump, mas não reconhece suas gafes como erros porque não sabe que elas são erros.
“A única coisa que a gente sabe é o limite do próprio conhecimento. Se você não entende que a verdade é construção histórica e que o ponto de vista do diferente é essencial para conhecê-la, você se torna um ‘idiota confiante’. Isto é cimento para fundamentalismos”,
“O problema com o mundo moderno é que os idiotas estão seguros e os inteligentes cada vez mais cheios de dúvidas”.