25/05/2026
Eu não acredito na ideia de “voltar para casa” quem me conhece sabe! ainda assim, em cada país do continente africano que caminhei, algo em mim com uma força tão bonita, reconhece intimidade, presença e pertencimento. Não como metáfora afetiva, mas como realidade viva. Me emociono a cada lembrança.
O continente africano que encontrei é sofisticado, contemporâneo, múltiplo, tecnológico, espiritual, intelectual e profundamente humano.
Existe uma tentativa histórica de separar África de sua diáspora, como se o oceano pudesse interromper continuidades civilizatórias, mas alguns reconhecimentos acontecem para além da lógica.
Eles vivem no corpo, na pulsação, na maneira de olhar o mundo, de compreender o coletivo, o tempo, o sagrado e a criação.
em cada gesto, em cada polifonia, em cada silêncio compartilhado, enxergo uma África impossível de ser reduzida as narrativas estreitas que durante séculos tentaram defini-la.
Minha presença nesses territórios e tudo que venho absorvendo ao longo desses anos, literatura, cinema, moda,música, artes plásticas… São experiência de aprendizagem, troca e reposicionamento interno. Um exercício contínuo de escuta diante de culturas que seguem sustentando, apesar das violências históricas.
Hoje celebro o continente africano dentro da sua total complexidade.
Honro sua maternidade civilizatória.
Respeito sua existência plural.
Agradeço as permanências que atravessam o Atlântico e continuam nos ensinando outras possibilidades de humanidade.
Viva o continente África.