28/11/2012
Quem nunca se apaixonou por personagens do cinema? Eu, sempre. Aqui, a primeira de uma série de 7 homens sensacionais que a sétima arte me apresentou, Calvin Wier-Fields, de Ruby Sparks.
Ele usa máquina de escrever e, como todo bom escritor, vive numa multidão solitária em casa, na rua e na vida. Observa e se infiltra tanto em silêncio que é capaz de descrever uma cidade inteira, suas funções, pessoas, respiraçoes, edifícios e confusões. Mentaliza tanto sua personagem que ela e ele passam realmente a existir. Quando isso acontece, ele leva um copo d´agua na cara dela, ela saiu correndo, ele sai atrás, eles discutem a relação, ela dá bolsadas nas costas e nos ombros dele, um terceiro ameaça chamar a polícia, ela se acalma e fala que ele é só um babaca. Ele sai da zona de conforto e é aí é que a mágica acontece. Ele pega ela pelas pernas, joga nas costas bem ao estilo homem das cavernas, sai correndo com ela mostrando os fundos, a beija como se fosse o primeiro amor e a primeira vez, atravessa as pessoas com passos bêbados. Se tornam cúmplices, flutuam na discoteca, no restaurante, no cinema ao ar livre e em qualquer lugar impossível. E morre. Morre de amores na contramão, mas sem atrapalhar sábado, tráfego ou público. Muito pelo contrário.
Veja bem, ele não é galã, não tem barba ou uma moto sensacional, mas, depois disso tudo levou embora todas as minhas últimas chances. Eu confesso e me entrego: s**o verbal é comigo mesmo, ainda mais se agirmos como se o amanhã não existisse. A vida é agora e ele sabe muito bem disso.