05/07/2026
Estudo da Obra (Yinguisa II), de Virgilio Tamele - Trechos do Caderno de Registos Na Exposição Viagens em Memórias Longínquas
Esta obra de cerâmica do Ceramista e artista plástico Virgílio Tamele integra-se conceitualmente no acervo da sua aclamada exposição “Viagens em Memórias Longínquas”. A peça evoca uma forte ligação telúrica e ancestral, característica da sua linha de cerâmica transformacional.
Apresenta-se um estudo e interpretação detalhada da obra, analisando os seus aspetos técnicos, estéticos e simbólicos:
1. Elementos Técnicos e Estéticos
Morfologia Orgânica: A peça possui uma silhueta antropomórfica ou de vaso assimétrico. O corpo é robusto e texturado, tamanho da obra acima de 90 cmsX40 estreitando-se num gargalo que culmina numa abertura irregular e plissada.
Esta coroa superior assemelha-se às pétalas de uma flor ou a labaredas solidificadas.
Cromatismo e Queima: Predominam as tonalidades de terracota, ocres quentes e laranjas queimados. Há também manchas escuras e acinzentadas que indicam uma queima tradicional (provavelmente em forno de lenha). O fogo atuou diretamente sobre a argila, deixando marcas orgânicas de fumo e calor na superfície.
Textura Visual e Tátil: A superfície é rugosa, imperfeita e vigorosa. Não há marcas visíveis de ferramentas industriais. Predomina o trabalho puramente manual e o desgaste natural da matéria. As reentrâncias e relevos criam um jogo dinâmico de luz e sombra.
2. Interpretação Simbólica e Conceptual
DIMENSÕES INTERPRETATIVAS
- Raízes e Ancestralidade
- Barro como Ciclo Vital
- A argila liga o presente à terra
- Representação da vida, transformação e às memórias de Moçambique pelo fogo e marcas do tempo.
- Conexão Espiritual e Sagrada: No contexto da pesquisa de Virgílio Tamele, a cerâmica ultrapassa a função utilitária. O vaso atua como um recipiente de significados sagrados e identitários. A argila representa a própria matéria da criação, ligando o homem à natur