08/15/2016
Chegamos ao último textão sobre o livro "Impro: Improvisation and Theatre" do querido Keith Johnstone. Essa é a hora em que todos choram, bate aquele aperto no peito e buscamos no Google a receita de um brigadeiro com calmante.
Mas calma. Vamos relembrar o que discutimos sobre esse livro.
A grande premissa de KJ é a de que TODOS são CRIATIVOS por natureza. Ele entende que as histórias já existem e circulam no inconsciente coletivo. Ou seja, elas estão circulando por aí e qualquer um seria capaz de acessá-las e transmiti-las na forma de improvisação [no caso, estamos sendo específico para a improvisação, mas poderíamos expandir para outras formas de arte].
A facilidade de acesso e transmissão das histórias e ideias, por sua vez, está relacionada com a ESPONTANEIDADE do indivíduo. Quanto mais espontâneo for o improvisador, mais fluida será a improvisação.
No entanto, esse atributo é geralmente reprimido pelo formato da educação formal, em que se exige respostas corretas. Com o passar do tempo, as crianças vão se tornando adultos com medo de exposição, de se tornarem vulneráveis aos julgamentos dos outros. Surge, assim, o BLOQUEIO, que é a negação pelo improvisador (e não do personagem) de uma proposta em cena.
Grande parte dos exercícios e jogos de KJ são orientados para relaxar os improvisadores e resgatar a espontaneidade de cada um.
Seguindo a linha de raciocínio de que é natural ser criativo, KJ também terá uma preocupação de explorar uma atuação mais natural dos improvisadores. O conceito que ele desenvolve é o de STATUS, que ajuda na construção das interações entre os personagens e o ambiente.
Ainda com uma preocupação sobre a atuação, KJ entende que alguns objetos podem ajudar na construção de personagens de forma rápida, como é exigido na improvisação. Esses objetos são chamados de MÁSCARAS e são capazes de expurgar a personalidade do improvisador e colocar em seu lugar o espírito do personagem.
Além disso, sabemos que a improvisação é uma dramaturgia espontânea, e por isso os improvisadores, além de dominarem as técnicas de atuação, devem também compreender a estrutra de uma história. Portanto, KJ discorre sobre as HABILIDADES NARRATIVAS, onde será destacada a importância de focarmos na estrutura da história, e não no conteúdo. (E por que isso? Porque o conteúdo emerge da espontaneidade, pois ele o conteúdo já existe e está pairando no ar, lembra?)
Por fim, é isso. Mesmo com uma série de textões é impossível esgotar as discussões sobre esses conceitos apresentados nesse livro. Por isso, se esquecemos de alguma coisa que ache relevante, comente!
(Imagem extraída da internet)