11/06/2026
Hoje precisei mudar a proposta da aula de artes na escola.
As crianças estarão usando camisetas da Copa do Mundo — provavelmente camisetas novas, escolhidas com carinho pelas famílias — e por isso não poderemos trabalhar com tinta ou argila. Vamos desenhar.
E isso me fez pensar…
As crianças têm roupa para jogar futebol.
Roupa para o ballet.
Roupa para ir à praia.
Roupa para brincar na pracinha.
Roupa para festas.
Roupa para ir à igreja.
Mas por que ainda é tão difícil pensar em uma roupa para a aula de artes?
Na arte, a roupa pode manchar.
Argila mancha.
Tinta mancha.
E isso faz parte da experiência.
Eu nem gosto da expressão “roupa suja”.
Arte não suja.
Arte marca.
Aqui no Atelier Margareth Freitas, as crianças já chegam com a “roupa de atelier”. Uma roupa confortável, fresca, que pode receber tinta, barro, marcas do fazer, do experimentar, do criar.
Não é a roupa de festa.
Não é a roupa nova.
É a roupa da infância acontecendo.
Muitas vezes colocam uma camisa enorme por cima do uniforme tentando proteger a roupa. Mas nem sempre protege… e, em Vitória, uma cidade tão quente, isso ainda deixa as crianças desconfortáveis.
Talvez a gente precise começar a olhar para a aula de artes como olhamos para os esportes, para a dança, para a praia.
A arte também é corpo.
Também é experiência.
Também merece uma roupa apropriada para acontecer de verdade.
Margareth Freitas