29/09/2021
O atendente de farmácia William Vasconcelos da Silva, 38, e o enteado, o estudante Samuel Vicente, 17, foram mortos após serem atingidos por diversos tiros durante uma ação policial na região do Complexo do Chapadão, zona norte do Rio, enquanto levavam a namorada de Samuel, Camily da Silva Polinário, de 18 anos, à uma UPA.
Eles tinham saído de uma festa em Vilar do Teles, em São João do Meriti, para levar Camily ao pronto-socorro, quando os disparos atingiram os três. Camily foi levada ao Hospital Estadual Carlos Chagas, em Marechal Hermes, mas precisou ser transferida para o Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha. Ela já recebeu alta.
A PM diz que os agentes foram recebidos a tiros na região durante um patrulhamento para coibir roubo de carga e de veículos. Com a situação mais tranquila, encontraram os três feridos e passou a apontá-los como suspeitos. A corporação afirma ter apreendido armas e entorpecentes com eles. A mãe de Samuel e esposa de William, Sônia Bomfim, nega a versão da polícia. "Meu filho era estudante e meu marido trabalhava em uma farmácia perto de casa", disse ao UOL. Samuel era estudante de uma escola cívico-militar, e tinha o sonho de ser policial.
Ela conta que não é a primeira vez que membros de sua família são atingidos por tiros durante operações policiais; em 2018, a filha pequena dela, hoje com 8 anos, foi baleada na mesma região. "Tive esse susto com a Rebeca que foi baleada em uma perseguição policial. Ela tinha cinco anos e estava em um ponto de ônibus a caminho da escola. Agora, mataram meu filho e meu marido e ainda estão taxando eles de criminosos. Jogaram eles no camburão e não teve nem perícia. Se eles trocaram tiros com a polícia, cadê o exame de pólvora nas mãos deles?", questionou.
De novo. A "bala perdida" que só encontra preto e pobre, logo são marcados como "suspeitos".