16/05/2026
No fundo, quando a noite parecia não ter fim, eram os tambores que faziam a casa grande estremecer. No batuque, nascia a força para atravessar o escuro, como quem caminha guiado por uma luz que não se apaga.
Diziam que, ao tocar no Brasil, cada tambor despertava ecos em África, um chamado antigo da terra mãe.
Em 2027, a Unidos da Piedade desperta esses sons guardados no tempo e faz pulsar os tambores da liberdade, entoando o caxambu como um canto de vitória.
Em 13 de maio de 1888, Negro Adão reuniu os seus para comemorar a liberdade, num instante em que o chão e o céu pareciam ouvir o mesmo clamor. E até hoje, Maria Laurinda mantém viva a chama do Caxambu Santa Cruz, fazendo vibrar a ancestralidade que habita o Quilombo de Monte Alegre.
13 de maio é portal aberto entre passado e presente, é marca, é memória, é território que insiste em florescer. É também lembrança de que a luta segue viva, como brasa que não se apaga. Piedade, em 2027, é o primeiro clarão no horizonte, é o raiar da liberdade no Sambão do Povo.