16/01/2025
Tudo bem, contei várias histórias maneiras sobre a viagem. Mas faltou falar sobre o que é que os pesquisadores estão fazendo na Antártida.
O trabalho de pesquisa feito durante a expedição ICCE tem envolvido pesquisadores de meteorologia, biologia, geologia, glaciologia e oceanografia, de 7 nacionalidades: Brasil, China, Rússia, Peru, Argentina, Chile e India. Com parte dessa pesquisa desenvolvida de forma constante a bordo do Akademik Tryoshnikov.
Por exemplo, um grupo de oceanografia vem coletando e analisado a água do mar, em intervalos de 2hs, desde a nossa partida em 22 de dezembro. Outro grupo tem lançado balões meteorologicos em zonas de baixa pressão atmosférica- ao longo da viagem serão lançados cerca de 40 balões.
Por outro lado, há atividades que são executadas com o navio estacionado. Neste caso, os oceanógrafos tem feito pesquisas mais profundas - em todos os sentidos, pois lançam n’água uns aparatos que chegam a coletar água a 2mil metros.
Durante estas paradas também acontecem os vôos para o continente. Em alguns destes momentos pude acompanhar geólogos coletando amostras de solo, outros responsáveis por instalar pequenas estações de monitoramento projetadas para captar e disponibilizar dados climáticos via satélite por até 7 anos.
Finalmente há o grupo da glaciologia que coleta amostras de gelo. Em resumo eles furam o gelo acumulado sobre o continente. Parte deste gelo é retirado como cilindros de 1m de comprimento que, em conjunto, podem cobrir profundidades de 10, 20, 30m ou mais. Eles chamam essas amostras de testemunhos de gelo, camadas de neve compactada ao longo dos anos que aprinsionaram bolhas de ar. Como a idade deste gelo cresce conforme a profundidade aumenta, ficam disponíveis amostras muito fiéis da composição atmosférica do passado. Por aí já dá para entender como os cientistas podem ser tão categóricos ao informar que estamos arruinando o clima. O histórico de anos, décadas e milênios está todo arquivado em camadas sob manto de gelo da Antártida.
Continua...