Glicério Montes / Poesia

Glicério Montes / Poesia União Brasileira de Trovadores (UBT);
Academia Itaperunense de Letras - RJ;
Academia de Letras de Viçosa - MG.

NORMAS ÁUREAS (POEMA)Glicério MontesRis da alheia aparência, mordaz?Eia, aprenda um refrão, zombador:A beleza em que Deu...
07/02/2025

NORMAS ÁUREAS (POEMA)

Glicério Montes

Ris da alheia aparência, mordaz?
Eia, aprenda um refrão, zombador:
A beleza em que Deus se compraz,
Só possui quem transborda de amor.

Deus condena e jamais abençoa
Quem aos pobres despreza também.
Não se mede o valor da pessoa
Pelos bens e o prestígio que tem.

Quanto a quem pisa os fracos, há dias
Em que vê: Robustez nada é.
De que vale o furor de um Golias
Quando enfrenta um Davi rico em fé?

E por que maltratar os judeus,
Negros, índios ou seja quem for?
Não cochila um minuto esse Deus
Que abomina o racismo e o rancor.

Nunca seja orgulhoso e arrogante.
Humildade é tesouro sem-par.
Em valor, não há bem que a suplante,
Nem dinheiro que a possa comprar.

Fuja as normas de um Creso, eu lhe digo,
Mas cultive as virtudes de um Jó.
Desde o rei mais soberbo ao mendigo,
Todos nós tornaremos ao pó.

Itaperuna/RJ, 05 de junho de 1995, segunda-feira.

MINHA VIDA SEM VOCÊ (POEMA)Glicério Montes [Composto aos 20 anos]Tão vazio o tempo passa!Vivo triste; e quem não vê?Como...
21/01/2025

MINHA VIDA SEM VOCÊ (POEMA)

Glicério Montes [Composto aos 20 anos]

Tão vazio o tempo passa!
Vivo triste; e quem não vê?
Como dói, como é sem graça,
Minha vida sem você!
Quantos ais em cada prece!
Que suspiros, ao compor!
Quem me dera que eu pudesse
Encontrá-la, meu amor!

Sobre a crista da montanha,
Vejo a lua aparecer.
Outra noite então me apanha
Tão tristonho sem você!
Vejo flores ao luar:
Novamente, é primavera.
Como dói ter que esperar
Quando o tempo não espera!

Morro aos poucos, sem alento,
Desde aquela despedida;
Mas o amor que eu acalento
Nunca morrerá, querida!
Desde o adeus daquele dia,
Tudo em volta é solidão!
Onde está minha alegria?
E os meus sonhos onde estão?

Nosso mundo era perfeito!
Quantos planos nós fizemos
Num passado todo feito
De ventura e amor extremos!
Se perder você foi triste,
Algo mais calou tão fundo:
Perceber que não existe
Outra moça igual no mundo!

Itaperuna/RJ.

AMOR E LIBERDADE (Glicério Montes)Poema em versos isométricos (decassílabos), composto para a antologia "Liberdade", da ...
03/01/2025

AMOR E LIBERDADE (Glicério Montes)

Poema em versos isométricos (decassílabos), composto para a antologia "Liberdade", da Editora Chiado.

Se ainda alguns de nós penamos tanto,
Cativos aos grilhões os mais diversos,
Estanca, ó doce amor, o nosso pranto!
Irrompe, ó liberdade, em nossos versos!

Ser livre é basilar, já disse Kant.
Mas sê-lo sem amar é dura sina.
Que todo homem seja livre, e cante,
E viva, e espalhe o amor que Cristo ensina.

Amor que não liberta não existe;
E é falsa a liberdade sem amor.
Não há destino mais cruel e triste
Que não amar, e um jugo ao outro impor.

Que nunca mais alguém que humilhe, oprima
E explore o seu irmão haja entre nós!
De Deus nós todos somos obra-prima,
E importa obedecer à Sua voz.

Na lancinante cruz nós temos visto
O singular amor que vem do Pai.
Ouçamos, pois, a voz de Jesus Cristo:
Tal como eu vos amei, também amai!

Erguei os vossos olhos para verdes
Os lírios, e as gaivotas sobre o mar.
Notai quão mais garridos e mais verdes
Os campos dos que têm o dom de amar.

Não há virtude, irmãos, que mais agrade,
E alegre, e glorifique o Rei dos reis.
Somente o amor produz felicidade;
E amando – só assim – livres sereis.

Serrita – PE, 18 de julho de 2021, domingo.

Ilustração: Imagem do filme "12 Anos de Escravidão" ("12 Years a Slave").

À LUZ DO TEU OLHAR (POEMA)Glicério MontesO que pedi a Deus a vida inteira,Eu encontrei à luz dos olhos teus.Tu és um son...
27/12/2024

À LUZ DO TEU OLHAR (POEMA)

Glicério Montes

O que pedi a Deus a vida inteira,
Eu encontrei à luz dos olhos teus.
Tu és um sonho, ó linda brasileira!
Que mais eu ousarei pedir a Deus?

Belo é o sorriso; as formas, primorosas;
A voz é de calar o uirapuru;
E coram de despeito as lindas rosas
À luz do olhar de um anjo como tu.

O teu caráter nobre me fascina;
Cativa a formosura intensa e rara;
Se pões em mim teus olhos, nordestina,
Já nada mais enxergo; e o mundo pára!

Ao teu olhar, eu sinto paz e calma,
Pois nele há bem-querer... quanta doçura!
Conforta o coração e enleva a alma,
Teu meigo olhar, que o meu olhar procura.

E eu juro, ao ver o ardente amor que emana
Do tão sublime olhar que ao meu se cruza:
Eu sempre te amarei, pernambucana!
Jamais terão meus versos outra musa!

Declamo, olhos nos olhos: Minha flor,
Nenhum poema o meu amor traduz!
Amor maior, princesa, só se for
Aquele incomparável de Jesus.

Meu coração agora te pertence,
E sempre tu serás a sua dona!
Jamais hei de deixar-te, ó recifense!
O verdadeiro amor nunca abandona!

O coração que o teu olhar aquece
E inunda de prazer, meu querubim,
Abriga um só desejo, uma só prece:
Ser teu, apenas teu, até o fim!

Viçosa/MG.

OLHAI QUE ESTRELA LINDA (POEMA DE NATAL)Glicério MontesOlhai que estrela linda,Na velha Canaã,Vem celebrar a vindaDa Est...
20/12/2024

OLHAI QUE ESTRELA LINDA (POEMA DE NATAL)

Glicério Montes

Olhai que estrela linda,
Na velha Canaã,
Vem celebrar a vinda
Da Estrela da Manhã!
Os magos do Oriente,
Os campos a transpor,
Exultam: "Felizmente,
Nasceu o Redentor!"

Olhai que estrela linda,
Na noite de Belém,
Vem celebrar a vinda
De Cristo, o sumo bem!
Com p***a, ela anuncia:
É nato o Rei dos reis!
Em rude estrebaria,
Seu leito encontrareis.

Olhai que estrela linda,
Beijando o prado em flor,
Vem celebrar a vinda
Do amado Salvador!
E aquele trio bom
Traz ouro, incenso e mirra
À Rosa de Saron,
Tão pura, que não mirra!

Olhai que estrela linda,
Com brilho tão vivaz,
Vem celebrar a vinda
Do Príncipe da paz!
Quis Deus, que nos governa,
Nascer na manjedoura,
Trazendo vida eterna
E paz imorredoura!

Olhai que estrela linda,
No deslumbrante céu,
Vem celebrar a vinda
Do terno Emanuel!
Conforme as profecias,
Não mais estamos sós!
O divinal Messias
Se fez como um de nós!

Itaperuna/RJ, 24 de novembro de 1983, quinta-feira.

NOSTALGIAGlicério MontesQuero voltar e ver de novoTuas paisagens e esse povoQue tão bonito e alegre é,Rever-te as fontes...
17/12/2024

NOSTALGIA

Glicério Montes

Quero voltar e ver de novo
Tuas paisagens e esse povo
Que tão bonito e alegre é,
Rever-te as fontes ao luar,
E, ao som dos pássaros, pescar
Em teu gentil Muriaé!

Às margens desse rio belo,
Bem junto às faldas do Castelo,
A tua história floresceu.
Longe de ti, nada alivia
A lancinante nostalgia
Que agora sente o filho teu.

Por mais esforços que eu reúna,
Sem ti não vivo, Itaperuna,
Formosa terra dos puris!
Em caros sonhos, me convidas
De volta às sendas refloridas
Da minha infância tão feliz!

Eu me recordo bem ainda
Da professora meiga e linda
Que me ensinou o bê-á-bá.
Ai, que saudade, Itaperuna,
Da Escola Rotary e da aluna
Que me inspirava tanto lá!

Como eu amava essa menina!
O tempo agora é que me ensina
Como o mais hábil professor;
E a vida - escola que não falha -
Não dá diploma nem medalha,
Mas aprimora pela dor.

Eu aprendi com nostalgia
Que era feliz e nem sabia!
Ah, quanta falta do meu lar!
Como é sem graça a minha vida
Sem aspirar, terra querida,
O teu aroma singular!

Relembro os piques, as cirandas
E o futebol nas horas brandas
Daquele tempo sem igual;
As borboletas, que eram tantas,
As joaninhas sobre as plantas
E os muitos bichos do quintal.

Amava estar na varandinha
Que a nossa casa rosa tinha,
Embevecido, a contemplar
Um dos mais belos horizontes
Que várzea, mata, sol e montes
Podem compor ao nosso olhar!

Que o Deus querido, muito em breve,
De volta ao doce lar me leve;
E hão de cessar, enfim, meus ais.
Pois minha vida, Itaperuna,
Em outra parte, é como a escuna
Perdida em meio aos vendavais.

20 de outubro de 1990, sábado.
(Corumbá, Mato Grosso do Sul)

RIMAS PARA UM SONHO (POEMA)Glicério Montes Afegãos, croatas, sírios...Vejo todos ocupadosNa contemplação dos líriosQue f...
08/12/2024

RIMAS PARA UM SONHO (POEMA)

Glicério Montes

Afegãos, croatas, sírios...
Vejo todos ocupados
Na contemplação dos lírios
Que florescem pelos prados.
Livre, enfim, eis toda a Terra
De armamentos nucleares.
Aviões e naus de guerra
Enferrujam nos hangares.

Que águas cristalinas estas!
O ar é puro, cem por cento.
Ninguém mais queima as florestas,
Nem se vê desmatamento.
Passarinhos, aos milhares,
Cantam livres céu afora;
Sobre a terra e pelos mares,
Regozijam fauna e flora!

Quanto amor e paz há quando
Cristo reina em nossas vidas!
Não há jovens se drogando,
Nem famílias destruídas.
Nunca mais houve chacina
De crianças indefesas.
Sonda os lares, e examina
Que fartura há sobre as mesas!

Todos hás de ver seguros;
Sim, por onde quer que fores.
Entre as casas, não há muros:
Só canteiros, belas flores.
Mas se tudo é só um sonho
Que arrebata então meu ser,
Acordar é tão medonho
Mal que importa acontecer!

Itaperuna/RJ, 11 de fevereiro de 1992, terça-feira.

BEIJA-FLOR COR DE JAMBO (POEMA)Glicério MontesBrilhava "A Moreninha"Na corte do Brasil,Tal como brilha a minhaNo meio de...
05/12/2024

BEIJA-FLOR COR DE JAMBO (POEMA)

Glicério Montes

Brilhava "A Moreninha"
Na corte do Brasil,
Tal como brilha a minha
No meio de outras mil.
Também é tão travessa
Que lembra um beija-flor!
Quem pode haver que esqueça
Seu jeito encantador?

Faceira, o olhar brejeiro,
Com todos vem bulindo.
Faz graça o tempo inteiro,
E o seu sorriso é lindo!
Ao ver-me, faz mesura
E voa para mim.
Que flor mais bela e pura
Nasceu no meu jardim!

Tem formas graciosas
E voz de rouxinol.
No aroma, lembra as rosas
Que brilham no arrebol.
Cabelos ondulados
E negros olhos tem.
Depois de os ter fitado,
Jamais quis outro alguém!

É serelepe em cena;
Não tem sarau que a canse.
Em tudo essa morena
Me lembra a do romance.
Mas prendo sem estorvo
Seu talhe junto a mim,
E doces beijos sorvo
Nos lábios de carmim.

As aves, de entre os ramos,
Gorjeiam nosso amor;
E quantas graças damos
Por ele ao Criador!
Tem alma nobre e boa,
Meu lindo colibri.
Que mimo de pessoa,
Senhor, eu descobri!

Itaperuna/RJ, 12 de outubro de 2005, quarta-feira.

O POEMA QUE EU DEVIAGlicério MontesVer de perto ser ceifada a tua vida,Eu confesso com saudade, não foi fácil.Tu partist...
24/11/2024

O POEMA QUE EU DEVIA

Glicério Montes

Ver de perto ser ceifada a tua vida,
Eu confesso com saudade, não foi fácil.
Tu partiste, mas nenhum dos teus duvida
De que vives hoje em dia num palácio.
Sei que habitas um país de amor e paz,
Para o qual eu seguirei também um dia.
Gostaria que me ouvisses de onde estás:
Um poema, avô querido, eu te devia.

Tua nova pátria é mui feliz e bela;
Seus encantos não tem par; tudo reluz!
Não há morte ou dor, nem carro que atropela.
Sem perigo algum, passeias com Jesus.
Tu partiste, mas deixaste a todos nós
A certeza de que foste para Deus.
Gostaria que hoje ouvisses minha voz:
Um poema eu te devia dentre os meus.

Nunca esqueço os dois pacotes de bolacha
Que ficaram atirados pelo chão.
Sim, partiste; mas avô melhor, quem acha?
Companheiros mais leais, onde acharão?
Eras lindo, meu avô, não só por fora:
Teu legado excede os mais sublimes bens!
Gostaria que me ouvisses nesta hora:
Um poema eu te devia; aqui o tens!

Ao meu avô materno, Mário Picanço Monti, morto por atropelamento.

Itaperuna/RJ.

MEU HERÓI AOS VINTE E SETE (POEMA)Glicério MontesHoje faltam só dez diasPara o meu aniversário.Deu-me quantas alegriasUm...
23/11/2024

MEU HERÓI AOS VINTE E SETE (POEMA)

Glicério Montes

Hoje faltam só dez dias
Para o meu aniversário.
Deu-me quantas alegrias
Um herói que não tem páreo!
Ele ofusca o Super-homem
E os demais, quando em ação.
Por mais forças que estes somem,
Perto dele nada são!

Diferente é o meu herói
Nas batalhas contra o crime:
Transgressores não destrói;
Ao contrário, Ele os redime!
Outro herói, com força rara,
Prende, fere e até liquida,
Mas o meu liberta, sara
E oferece nova vida.

Faço vinte e sete anos
Nesse dia vinte e sete.
Não sucumbo aos desenganos,
Nem há crise que me afete.
Pois o meu herói me ama,
Me protege e faz tão bem!
Nenhum outro tem a fama
E os poderes que ele tem.

Multidões ele conquista;
Doma o vento, amansa o mar;
Restitui ao cego a vista;
Cura o coxo, e o faz andar;
Faz calar os escarninhos
E o perseguidor mais vil;
Multiplica alguns pãezinhos,
E sacia cinco mil.

Seu olhar é meigo e doce;
Que bondade em sua voz!
Ai de todos nós, não fosse
Seu imenso amor por nós!
Sim, de um modo nunca visto,
Transformou o mundo inteiro!
Eis seu nome: Jesus Cristo;
Seu ofício: Carpinteiro.

Itaperuna/RJ.

Akiane Kramarik

CONFISSÕES (POEMA)Glicério MontesAmo mais a cada dia;E o sorriso dela é lindo!Deus, a vida me inebriaQuando a vejo assim...
15/11/2024

CONFISSÕES (POEMA)

Glicério Montes

Amo mais a cada dia;
E o sorriso dela é lindo!
Deus, a vida me inebria
Quando a vejo assim, sorrindo!

Amo muito, sim, não minto;
E o seu beijo é feito mel!
Ao beijá-la, ó Pai, me sinto
Transportado até o céu!

Nossa vida não desbota
Quando a gente sabe amar.
Amo, ó Deus, como a gaivota
Nunca amou o azul do mar!

Temporal não há que tisne
Este sonho bom que afago.
Pai, eu amo como o cisne
Nunca soube amar seu lago!

Ah, que eflúvios descobri
No jardim sutil do amor!
Amo como o colibri
Nunca soube amar a flor!

E é mais linda do que a rosa
A mulher que me cativa.
Sua voz melodiosa
Emudece a patativa.

Abraçados, face a face,
Como a noite é pura e bela!
Ah, se o tempo então parasse
Bem ali, nos braços dela!

Que outro amor neste planeta
Sobrepuja o que há em mim?
Nem Romeu, ó Julieta,
Soube amar-te tanto assim!

Itaperuna/RJ.

Endereço

Viçosa, MG

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