07/02/2025
NORMAS ÁUREAS (POEMA)
Glicério Montes
Ris da alheia aparência, mordaz?
Eia, aprenda um refrão, zombador:
A beleza em que Deus se compraz,
Só possui quem transborda de amor.
Deus condena e jamais abençoa
Quem aos pobres despreza também.
Não se mede o valor da pessoa
Pelos bens e o prestígio que tem.
Quanto a quem pisa os fracos, há dias
Em que vê: Robustez nada é.
De que vale o furor de um Golias
Quando enfrenta um Davi rico em fé?
E por que maltratar os judeus,
Negros, índios ou seja quem for?
Não cochila um minuto esse Deus
Que abomina o racismo e o rancor.
Nunca seja orgulhoso e arrogante.
Humildade é tesouro sem-par.
Em valor, não há bem que a suplante,
Nem dinheiro que a possa comprar.
Fuja as normas de um Creso, eu lhe digo,
Mas cultive as virtudes de um Jó.
Desde o rei mais soberbo ao mendigo,
Todos nós tornaremos ao pó.
Itaperuna/RJ, 05 de junho de 1995, segunda-feira.