Em Cena Projeto de Extensão vinculado à disciplina de Psicologia Jurídica do curso de Direito da Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

O Em Cena é um projeto de extensão vinculado à disciplina de Psicologia Jurídica do curso de Direito da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Sua proposta é promover, através do cinema, debates sobre temas contemporâneos que se tornaram objetos de saber e de intervenção por parte do Direito e da Psicologia Jurídica. Com a exibição de obras cinematográficas, serão abordados temas que dialogam c

om diversas questões ligadas ao cinema, ao direito, à psicanálise e à psicologia jurídica e social. A partir da ideia de “conceito-imagem”, a exposição de filmes tem como objetivo contribuir para a formação crítica dos espectadores, bem como auxiliá-los na elaboração de um pensamento conceitual vinculado às reflexões profícuas para fornecer ferramentas e conhecimentos necessários para compreender as interfaces entre a Psicologia e o Direito. O projeto funciona com a realização de Ciclos de Cinema que acontecem mensalmente durante o ano letivo, onde são convidados professores ou especialistas nas temáticas propostas, visando a promoção de debates com o público presente. Os temas, filmes e comentadores são selecionados em reuniões abertas organizadas pelos discentes componentes do projeto, com a coordenação da Profª Drª Ana Paula de Ávila Gomide.

28/04/2017
28/04/2017

ATENÇÃO! EVENTO CANCELADO!
Devido à paralisação de hoje e envolvimento dos organizadores do projeto nas atividades de greve geral, o evento sobre o filme Preciosa será cancelado. Aguardem possíveis programações futuras.

O Filme "Preciosa" conta a história de uma adolescente negra, obesa, pobre e vítima de violência física, sexual e psicol...
17/03/2017

O Filme "Preciosa" conta a história de uma adolescente negra, obesa, pobre e vítima de violência física, sexual e psicológica, tratando assim de temas como sofrimento psíquico, capacidade de resistência, trauma, sanidade e loucura, privação de afeto. A adolescente marginalizada pela sociedade e pela própria família, muitas vezes, olha-se no espelho imaginando ser magra e loira. Quando perguntada sobre como gostaria de ser, é categórica ao responder que deseja a imagem de sua própria fantasia. Outra cena importante do filme é a que remete a um dos devaneios de Preciosa: neste, é mostrado a inserção do discurso de Marthin Luther King, I have a dream, nome popular dado ao histórico discurso público feito pelo ativista político estadunidense, no qual falava da necessidade de união e coexistência harmoniosa entre negros e brancos no futuro. O discurso, realizado no dia 28 de agosto de 1963 nos degraus do Lincoln Memorial em Washington, D.C. como parte da Marcha de Washington por Empregos e Liberdade, foi um momento decisivo na história do Movimento Americano pelos Direitos Civis.

8 de março: o dia da luta pelos direitos das mulheres Filme: As Sufragistas (2015) de Sarah Gavron
08/03/2017

8 de março: o dia da luta pelos direitos das mulheres

Filme: As Sufragistas (2015) de Sarah Gavron

06/03/2017

Atenção! Modificação de data e local do filme Preciosa: A data de exibição e debate do filme será 28 de Abril, às 14h, no Bloco 5R - anfiteatros C/D (Campus Sta Mônica)

Para uma discussão sobre o filme Preciosa pensando no Brasil atual
03/03/2017

Para uma discussão sobre o filme Preciosa pensando no Brasil atual

Cortar investimentos públicos significa manter os negros nos grilhões

18/02/2017
O título "holocausto" para se referir ao hospício de Barbacena é bem apropriado porque o hospício foi comparado a um cam...
18/02/2017

O título "holocausto" para se referir ao hospício de Barbacena é bem apropriado porque o hospício foi comparado a um campo de concentração nazista (nas palavras de Franco Basaglia). Veremos homens, mulheres e crianças transportados em vagões de trens ao manicômio (lembremos das ferrovias que conduziam os judeus, homossexuais, ciganos, e demais vítimas para os campos de Auschwuitz), e quando lá chegavam no hospital Colônia, estes eram despidos e tinham suas cabeças raspadas. Os internos sofriam todos os tipos de humilhações, reduzidos a um estado de natureza, de animalidade ou de “vida nua” (lembrando Aganbem), de desumanização. O manicômio foi um local de horror em que ocorreu um genocídio de pessoas inocentes. Assim como em Auschwuitz, onde os corpos das vítimas eram utilizados para material de consumo (os cabelos das vitimas, por ex, serviam para produzir tecidos) , os cadáveres do hospício de Barbacena também foram comercializados para as faculdades de medicina, transformados em lucro e em mercadoria (nas “peças anatômicas” eram taxados preços). Ou seja: tanto nos campos de concentração nazista quanto no hospício de Barbacena encontramos a mesma lógica que vigora por trás da racionalidade responsável pela produção do irracional e da barbárie: em nome da ciência e de sua racionalidade instrumental, voltadas para a dominação totalitária daqueles que são considerados “inúteis”, “frágeis”, “diferentes”, “fora da norma”, “doentes”, cometem-se as maiores atrocidades e se produz o Horror – e na maior parte das vezes tendo como pano de fundo a pretensa eficácia científica sob o discurso da “neutralidade”. Vide o surgimento histórico da psiquiatria higienista para “tratar” e “curar” os doentes e seus desdobramentos como instrumentos de Poder. Enfim, sobre os dados que apontam que mais de 60 mil pessoas foram mortas no hospício (o que é horrível demais constatar isso) e das comparações que se faz do hospício ao genocídio nazista, remetemos ao texto de Adorno “Para Elaborar o Passado”. Adorno problematiza a disposição atual de se negar ou minimizar o ocorrido dos totalitarismos, referindo-se a uma humanidade sem memória. Ora, também presenciamos isso aqui no Brasil a respeito do silêncio com relação às atrocidades cometidas no hospício. Então Adorno também se refere neste texto aos argumentos que dizem: “não morreram tantos judeus, tantas pessoas assim”..., ou: “não foram 5 milhões de judeus que morreram, mas 3 milhões, ou, em Barbacena foram só 60 mil comparado ao horror do holocausto, ou, a milhões de pessoas que morrem no Brasil por fome, etc”, Sobre isso, ele escreve: “na contabilização de tais cálculos, na pressa de ser dispensado de uma conscientização recorrendo a contra-argumentos, reside de antemão algo de desumano”. Ele aponta sobre o recalque da culpa e da responsabilidade da humanidade com relação aos efeitos perversos de nosso processo civilizatório. E, para finalizar, a citação de um trecho do livro “Eclipse da Razão” de Horkheimer: “Os mártires anônimos dos campos de concentração são os símbolos da humanidade que luta para nascer. A tarefa da filosofia é traduzir o que eles fizeram numa linguagem que será ouvida, mesmo que suas vozes finitas tenham sido silenciadas pela tirania". O livro e o filme, então, deram voz a estes mártires condenados pelo saber psiquiátrico, pela sociedade e pelo Estado autoritário brasileiro.

Ana Paula de Ávila Gomide - Coordenadora do Em Cena

Paulo Amarante lembrou que a passagem de Basaglia pelo Brasil, em 1978 e 79, ocorreu no auge da aprovação da lei italina...
04/02/2017

Paulo Amarante lembrou que a passagem de Basaglia pelo Brasil, em 1978 e 79, ocorreu no auge da aprovação da lei italina, única no mundo que determina a extinção e proíbe a construção de novos manicômios em todo o território nacional. Em 1979, Basaglia visitou o hospital psiquiátrico de Barbacena e o comparou a um campo de concentração.

A visita de Franco Basaglia ao Brasil, em 1978 ano em que foi iniciado o Movimento da Reforma Psiquiátrica no país foi o tema abordado por Paulo Amarante, pesquisador do Departamento de Planejamento e Administração em Saúde (Daps) e coordenador do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Saúde mental (...

O calendário de filmes do mês de Novembro será prontamente divulgado! ;)
01/11/2016

O calendário de filmes do mês de Novembro será prontamente divulgado! ;)

Hoje a sessão de "A Pele Que Habito" foi repleta de emoções, cheia de mulheres que admiramos e que elucidaram a obra do ...
02/09/2016

Hoje a sessão de "A Pele Que Habito" foi repleta de emoções, cheia de mulheres que admiramos e que elucidaram a obra do ponto de vista da psicologia e do Direito.

O ciclo de cinema Em Cena retornou com uma grande obra “Eu, Pierre Rivière, que degolei minha mãe, minha irmã e meu irmã...
02/09/2016

O ciclo de cinema Em Cena retornou com uma grande obra “Eu, Pierre Rivière, que degolei minha mãe, minha irmã e meu irmão”, baseada no livro homônimo coordenado por Michel Foucault. O enredo trata de um real caso de parricídio ocorrido na França, em 1835, que possibilitou, no século seguinte, a importante análise referida, que, valendo-se da metodologia arquegeneológica foucaultiana, entrelaça a psiquiatria e a justiça penal. Podemos observar a representação fílmica de Pierre Rivière, o condenado pelo crime, por meio da noção de sujeito conforme Foucault: o sujeito é constituído histórica e discursivamente sobre determinações a ele exteriores. No filme, Pierre é constituído a partir dos discursos que emite e também daqueles presentes nos laudos médicos e na peça jurídica que compõe a sentença final da sua condenação. No livro, Foucault não posiciona-se em relação à condenação ou ao laudo psiquiátrico, analisando de forma técnica e exterior os múltiplos discursos que atravessam o caso, atinentes aos atos de Pierre – desde suas motivações ao parricídio à maneira de como o executou, agindo lógica, racional e, por vezes, arrependidamente – e às representações sociais que dele se fazia.
Nesse contexto, somos convidados a refletir: A loucura é a ausência de razão? Somos remetidos à forma que a psiquiatria foi – e ainda é – utilizada em laudos periciais, hierarquizando a razão: não se atesta se a razão do indivíduo não condiz com certo estado de verdades historicamente constituído, mas se o indivíduo possui razão ou não razão (o que é também um jogo de verdades e exclusões deste estado supracitado), sendo aquele que não a possui considerado inapto para a convivência social. Outro importante ponto destacado refere-se ao paradigma do inquérito: a confissão como modo de extrair a verdade. Diante dessa questão, cabe lembrarmos que a tortura já foi considerada um instrumento legal e bastante utilizado nos processos de condenação, pois extrair o discurso confessional do sujeito era mais importante a verificação factual desse discurso.
Por fim, gostaríamos de agradecer às(aos) docentes convidados – Prof. Cleudemar, Prof. Diego, e Profª. Giorgia –, que integraram a mesa, e possibilitaram debate extremamente proveitoso. Também gostaríamos de convidar todas e todos para a próxima exibição do ciclo Em Cena: Dia 2 de Setembro, às 13:30, no Auditório 5O-B, com o filme “A Pele que Habito”, de Pedro Almodóvar.

Endereço

Uberlândia, MG

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