29/12/2021
OFICINA VIOLA MACHETE
Relembre dos momentos do processo de construção
Mario Gato, um dos raros luthiers ainda em atividade em todo o litoral norte paulista resgatou a viola machete que era muito comum na região e estava esquecida no universo caiçara há praticamente 100 anos. Procurou referências da memória das medidas de seu mestre Ricardo Nunes que contava sobre o Zé do Céu da Picinguaba fazia a viola machete e de outros fandangueiros como seu Leopoldo do Puruba que já tinha ouvido falar. Com essas referências realizou trocas também com luthiers caiçaras como Aorelio Domingues de Paranaguá e Cleiton Prado de Iguape que contribuíram com suas experiências para chegar ao resultado da 1a viola machete, meia regra de 5 cordas de volta ao cenário do fandango caiçara.
A oficina proporcionou além da troca de conhecimentos também uma integração entre diferentes luthieres de várias partes do país, teve o Pedro Caetano de Caraguatatuba que constrói rabecas, Vado Pimenta de São José dos Campos que constrói caixas e rabecas feitas com cabaças, Rodrigo Veras de Recife que trabalhou no resgate da viola machete do Recôncavo Baiano, Wilson Campos, luthier também de São José dos Campos, além dos luthieres caiçaras de Ubatuba Ricardo Pennino, Fernanda Justo e Roberto Ferreiro.
As trocas foram desde técnicas modernas para a fabricação, quanto formas artesanais e rústicas que os caiçaras usavam antigamente, como colas feitas do caule quente no braseiro do forno a lenha de sumbarê, uma espécie de orquídea e as cordas feitas de fibras de tucum, uma espécie de palmeira e revestida com a tripa de ouriço (porco espinho). A viola machete construída na oficina foi feita com equipamentos simples para uso de madeira em geral o que proporciona que qualquer pessoa interessada em construir pode fazer ao assistir os vídeos.
Obrigada a todos e todas que participaram desse momento importante e histórico para o fandango caiçara!