25/08/2026
Um pequeno rastreador da Apple acabou revelando um caminho que ninguém esperava. Um AirTag escondido dentro de um livro raro acompanhou uma grande remessa por vários estados americanos até parar em uma instalação de alta segurança da Amazon em Las Vegas, Nevada. Segundo uma investigação da 404 Media, o local estaria ligado à preparação de enormes quantidades de textos para treinamento de sistemas de inteligência artificial.
A descoberta começou depois que jornalistas passaram a desconfiar de compras em massa de obras antigas, raras e pouco conhecidas. Em parceria com um livreiro independente, eles aproveitaram um pedido anônimo de cerca de mil livros e colocaram discretamente um AirTag dentro de um dos exemplares. O objetivo era simples: descobrir para onde todo aquele material estava realmente indo.
O sinal terminou em uma instalação da Amazon onde funcionaria uma operação identificada pelo codinome VGT3. Ali, os livros seriam processados de maneira praticamente irreversível. As encadernações são removidas, as páginas são separadas para permitir uma digitalização rápida e, depois de transformados em arquivos digitais, os exemplares físicos acabam destruídos.
Existe uma razão importante para o interesse justamente nesse tipo de acervo. Livros publicados antes da explosão da inteligência artificial generativa, especialmente anteriores a 2022, oferecem textos produzidos integralmente por humanos. Para empresas que precisam alimentar modelos com enormes quantidades de linguagem de alta qualidade, esse material pode ser especialmente valioso.
A investigação também abriu uma discussão muito maior. Livreiros independentes veem exemplares difíceis de encontrar desaparecerem de seus estoques para depois serem desmontados, enquanto especialistas levantam dúvidas jurídicas e éticas sobre transformar obras físicas protegidas por direitos autorais em dados digitais destinados ao treinamento de IA.
A Amazon afirmou que compra livros por canais comerciais para melhorar seus produtos e serviços. Ainda assim, a imagem revelada pela investigação chama atenção: obras que sobreviveram durante décadas são compradas, transportadas para um centro fechado, desmontadas página por página e convertidas em dados para alimentar sistemas artificiais. O caso reacendeu o debate sobre até onde as empresas de tecnologia podem ir na corrida por novos materiais para treinar inteligência artificial.