O Rio de Janeiro é uma das Cidades que mais recebeu herança africana no mundo. E isso, não só em quantidade, já que aqui se localizava um dos maiores portos de desembarque de escravizados nas Américas, mas também em diversidade, pois, para cá vieram africanos de vários povos como Angola, Congo, Benguela e Moçambique. Nossa história, hábitos e costumes denotam que, no Rio a África está em toda part
e. Todo esse legado moldou nossas características e, felizmente, nossa cultura é riquíssima e não há como interpretá-la, entendê-la ou explicá-la, sem reconhecer a importância da África para os brasileiros em geral e para os fluminenses e cariocas em particular.
É sabido, contudo, que passados quase 130 anos da abolição, os negros ainda se localizam nos estratos mais baixos de todos os indicadores sociais, isto porque é muito recente o reconhecimento pelo Estado da dívida histórica que o país possui para com os afrobrasileiros. Nos últimos anos, no entanto, tem aumentado o reconhecimento acerca da riqueza do legado africano e a promoção da cidadania da população negra. A implementação de ações afirmativas em diversas áreas como educação, saúde, mercado de trabalho e para povos tradicionais, denotam essa evolução. Podemos destacar ainda, de modo mais específico, algumas políticas públicas nesse sentido, como a introdução da temática das relações étnico-raciais na Lei de Diretrizes e Bases da Educação, o Estatuto da Igualdade Racial, a política de cotas nas universidades e nos concursos públicos, bem como a criação de órgãos públicos de promoção da igualdade racial, a fim de ajudar na evolução dessas políticas. Reconhecemos esse avanço, mas sabemos que é preciso evoluir. Dessa forma, um dos campos mais importantes para se promover a igualdade e o reconhecimento é na área cultural. Por conta disto, recentemente alguns governos vêm apoiando a cultura afro-brasileira e promovendo ações afirmativas nesta direção, como os eventos no Feriado da Consciência Negra, os editais do Ministério da Cultura para contemplar artistas e produtores negros e campanhas publicitárias contra a intolerância religiosa. No Rio de Janeiro, por exemplo, iniciativas como a criação da Superintendência de Promoção da Igualdade Racial no Estado, da Coordenadoria de Igualdade Racial e da Virada Cultural Afro-Brasileira, no Município, demonstram que estamos no caminho certo para a promoção da cidadania da população negra, mas é preciso ampliar e qualificar ações como essas, para que as mesmas se fortaleçam e se capilarizem como políticas de Estado e não somente de um Governo.