14/07/2026
SIRAT, 2025, drama espanhol do diretor Oliver Laxe
Que filme! Nada me preparava para a surpresa e as 2 horas de tensão deste que considero uma obra prima do cinema. Concorreu ao Oscar de Filme Internacional, depois de ser premiado em Cannes. Para mim, merecia o Oscar e não o levou, creio, por causa do tema espinhoso, a começar pelo título SIRAT, que na religião islâmica significa a ponte mais fina que um fio de cabelo e mais afiada que a lâmina de uma espada, que todas as almas devem atravessar no dia do Juízo Final. O desconforto começa nas cenas iniciais com a batida monótona da música eletrônica - senti enorme desconforto e ansiedade - e a sinopse é simples: Luis (Sergi Lopez) e seu filho, o menino Esteban (Bruno Nunes Arjona) vão a uma rave no deserto do Marrocos em busca da filha/irmã desaparecida há 5 meses, depois de ser vista numa rave. Eles espalham fotos da moça e acabam encontrando um grupo que viaja numa espécie híbrida de 2 caminhões e trailers, de rave em rave. Luís vê ali a chance de encontrar a filha, passa a seguir o grupo e é então que eventos dramáticos acontecem, quando eles decidem seguir viagem pela montanha, para evitar encontrar militares no país convulsionado pela guerra. O filme é, para mim, uma outra forma de reproduzir o Inferno de Dante, porque expõe a vulnerabilidade humana e retrata a nossa incapacidade de controlar o destino. "Es muss sein", foi o que pensei e senti a mesma emoção do livro A INSUSTENTÁVEL LEVEZA DO SER, do Milan Kundera. É filme para os fortes. É daqueles filmes que não terminam nunca, porque você sai do cinema com ele na cabeça. É dos meus e se for do seu também, confira lá.