21/08/2026
A navalha na capoeira
Naifa, Nafe, Sardinha, eram alguns dos nomes pelos quais era conhecida a Navalha, uma arma outrora muito utilizada pelos capoeiras. Pelo que se sabe, a navalha é uma herança dos portugueses, que a teriam introduzido entre os capoeiristas no Rio de Janeiro ainda no século XIX.
Os fadistas portugueses, eram sujeitos sociais muito próximos aos capoeiras do Rio de Janeiro, pois além de freqüentarem os mesmos ambientes: portos, boemia, prostíbulos, botequins, eram também considerados sujeitos marginais que sofriam a dura perseguição da polícia, assim como os capoeiras por aqui. E nesses conflitos com a polícia, e também nas disputas entre os seus próprios pares, a navalha era uma arma que estava sempre à disposição, e não raro, eram responsáveis por graves ferimentos entre esses sujeitos e até morte em muitos casos.
O próprio lenço de seda utilizado no pescoço, parte indispensável da indumentária do capoeira (e também do sambista) clássico de outros tempos - aquele que usava chapéu de banda, terno branco, sapato bicolor e uma argola na orelha esquerda - tinha uma função muito específica: proteger o cidadão, do golpe certeiro da navalha.
O esguião, como também era conhecido o lenço de seda, tinha a propriedade de impedir o corte da navalha por mais afiada que ela fosse, pois a seda do qual era feito, fazia com que a navalha deslizasse sobre sua superfície sem atingir o pescoço da vítima.
Manduca da Praia, Natividade e o legendário Madame Satã no Rio de Janeiro, assim como Caboclinho, Inocêncio Sete Mortes e Noca de Jacó na Bahia, ou como Nascimento Grande em Pernambuco, são nomes de alguns capoeiras que ficaram também conhecidos como exímios manejadores da navalha.
A navalha hoje em dia, já não faz mais parte do universo da capoeiragem, mas é sempre bom ficar de olho aberto, numa roda de capoeira, quando o jogo aperta e algum sujeito coloca as mãos no bolso de trás da calça afinal nunca se sabe !!!
Na imagem vemos mestre cobrinha verde em uma roda ensinando a arte de jogar capoeira com navalha em seus pés.
(Texto de Edilson Nascimento)