10/05/2026
Hoje não celebramos apenas a maternidade. Celebramos a maternagem.
A força de quem cuida, acolhe, protege, alimenta, ensina, trabalha exausta e mesmo assim encontra colo no meio do caos.
Celebramos as mães solos, mães atípicas, mães típicas, mães lésbicas, mães pretas, mães periféricas, mães autônomas, desempregadas, avós que viraram mãe, tias que viraram porto, mães de coração, mães de rede, mães de luta. Pra quem tem uma mãe. Pra quem tem duas. Pra quem aprendeu que amor também é construção coletiva.
No Brasil, quase 8 milhões de mulheres criam seus filhos sozinhas, segundo dados do IBGE. A cada ano, cresce o número de lares sustentados por mulheres que enfrentam jornadas duplas, triplas, invisibilizadas e precarizadas. Muitas mães atípicas abandonam carreiras para garantir cuidado integral aos filhos. Mães autônomas vivem sem estabilidade. Mães periféricas seguem sustentando o país enquanto ainda precisam lutar pelo básico: respeito, renda, acesso, saúde mental e políticas públicas.
Falar sobre maternagem também é falar sobre desigualdade social, divisão injusta do cuidado e a urgência de uma sociedade que reconheça o cuidar como trabalho, potência e transformação social.
Que neste Dia das Mães a gente se lembre da grandeza que existe em toda pessoa que escolhe cuidar. Como dizia Simone de Beauvoir, “não se nasce mulher: torna-se”. E talvez possamos dizer também que ninguém nasce mãe pronta — a maternagem é construída todos os dias, no afeto, na resistência e na coragem.
Que possamos abraçar o nosso tamanho, porque nos olhos das crianças somos gigantes. E que estejamos em rede e nenhuma mulher precise maternar sozinha.
Fotos da maternagem em ação no Festival Baixadinha - Porto Cidade 2026
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