16/10/2016
EU AGRADEÇO
Venho aqui, como diretor do espetáculo “Dez Minutos”, fazer um agradecimento. Ou vários. Tenho que agradecer ao elenco do espetáculo por terem se doado ao máximo para que a apresentação de ontem (14/10), no 20º Santiago Encena, acontecesse. Depois de muita correria, de muito esforço, de muitas noites passadas em claro conversando e repensando o espetáculo, Dez Minutos tornou-se uma obra de arte e foi apresentado em um festival. A dedicação de Arthur Mastroiano, Bruna Lima, Gabrielle Heinz, Guilherme Senna, Leonardo Rodrigues, Natalia Krum e Otávio Muxfeld deve ser reconhecida e, por mim, agradecida. É com os olhos cheios de lágrimas que digo aos que nos acompanham desde a estreia, em novembro de 2015, que conseguimos representar com muita humildade, o que é fazer teatro. Tenho que manifestar publicamente o quanto esses guerreiros foram unidos em cena, não havendo cena de um ou de outro. O que houve foi teatro, houve comunhão, houve jogo, houve dedicação, houve reflexão, houve o mais profundo respeito com o público da cidade de Santiago e de outras cidades que estavam presentes no festival.
Vimos, sentimos, vivemos o fenômeno teatral com plena dedicação e ética, honrando a difícil profissão do ator/da atriz. Em nenhum momento fomos desrespeitosos, seja com a técnica, seja com os colegas de cena, seja com os colegas de profissão. Assistimos espetáculos que nos fizeram refletir sobre nossa ética no nosso trabalho, sobre o nosso papel na sociedade, sobre o que colocamos em cena para ser pensado. Aprendemos que sabemos respeitar a todos, mesmo que não sejamos respeitados. Soubemos ouvir com humildade.
Esse diretor que desafoga um grito de vitória, tem que agradecer aos amigos do Teatro Sagrado que nos acolheram como irmãos. Tenho que agradecer às risadas que compartilhamos, às caronas que pegamos do Círculo Militar até o alojamento e vice-versa, aos abraços que foram tão necessários para que não fossemos esmagados pelos sentimentos ruins que caíram como a chuva que nos molhou hoje.
Lamento que a Cia D’Gestus tenha seu reconhecimento apagado por motivos até agora desconhecidos. Nos propomos a realizar nosso trabalho voltado à poesia que o espetáculo propõe, deixando, talvez pela primeira vez, nossos “eus” de lado emprestando todo o corpo e toda a energia para que o público pudesse sentir a arte lhes atravessar. Na apresentação, suspendemos o público, o tempo e o espaço e, depois que os soltamos, ninguém mais que ali estava foi o mesmo, ninguém passou por alí sem sentir o teatro na pele.
Desde o início do ano, nos desafiamos a fazer teatro “fora da bolha”, e descobrimos a crueldade do ser humano em atos irresponsáveis e corruptos. Apesar de avisados, acreditamos que pudesse ser diferente, quebramos a cara. Quebramos a cara para que pudéssemos mandar embora a casca e mostrar quem somos realmente: Aqueles ‘loucos’, abraçados, chorando na chuva por terem que desejar ‘até logo’ aos amigos que fizemos, por terem a consciência de que se doaram ao teatro como nunca haviam feito, por terem sido desconsiderados mas, acima de tudo, por estarem mais unidos, mais fortes e cercados de pessoinhas que roubaram nossos corações.
Assim, agradeço aos meus atores, ao Teatro Sagrado... enfim... Aos meus AMIGOS. Vocês sabem o que fizeram por nós, o quanto fomos mais fortes com vocês!
E que venham as próximas apresentações.
Djefri