10/05/2026
Ninguém te conta que ser mãe é viver em um constante estado de despedida. A gente passa a vida inteira dizendo “oi” e “cuidado”, mas o que ninguém ensina é como dizer “vá”.
Lembro do peso dele no meu colo. Era um peso que me ancorava no mundo. Se eu fechasse os olhos, eu sabia exatamente onde o meu coração batia: batia fora do peito, naquela respiração curta, às vezes ruidosa, de quem ainda está aprendendo a existir. E agora? Agora o silêncio da casa tem um som diferente. É um silêncio que não pede copo d’água, que não tem medo do escuro, que não chama pelo meu nome às três da manhã.
Engraçado... eu costumava rezar por cinco minutos de paz. Cinco minutos sem ser “mãe”, para ser apenas... eu. E agora que eu tenho todo o tempo do mundo, eu olho no espelho e pergunto: quem era aquela mulher antes do primeiro choro? Ela ainda mora aqui, ou ela se diluiu no café frio e nas noites sem dormir?
Dizem que os filhos são do mundo. Que frase bonita, não é? Tão poética quanto dolorosa. Porque o mundo é grande demais, é frio demais, e eu ainda sinto o impulso de colocar um casaco neles, mesmo quando o sol está rachando lá fora. É um instinto ridículo. Uma teimosia do sangue.
Eu não quero que eles voltem para o meu colo. Eu quero que eles voem, que alcancem as montanhas mais altas, que vejam o que eu não vi. Mas, às vezes, só às vezes... eu queria que o tempo fosse como um disco de vinil. Que eu pudesse colocar a agulha de volta naquela tarde de domingo, onde o único problema do universo era um joelho ralado que um beijo meu podia curar.
Hoje, meu beijo já não cura nada. Mas o meu amor... ah, esse continua aqui. Sentado no escuro, esperando o som da chave na porta, ou o vibrar do celular. Sendo a âncora, mesmo quando o navio já se perdeu de vista no horizonte.
Vá. Ganhe o mundo. Mas saiba que, se o vento soprar forte demais... o meu abraço ainda tem o tamanho exato da sua saudade.
Feliz dia das Mães❤️
Texto .marcelo