27/05/2025
As dores das mortes constantes são o que me mantém viva. Porque morrer de fato é um luxo que não posso me dar.
Meus pés queimam até perder o tato a cada frieza... e com cara de chuva olho pra eles e os acaricio. Eles nunca foram nada além dos pés que me sustentam...
Minha mente inquieta que não se contenta com cada compasso perdido, cada canção cessada, cada dia que nego a pequena morte diária, hoje só pede sossego, afeto real, anda cansada de tanta emoção, só quer ficar calminha no canto escuro do quarto, no colo dos deuses... Sem agonia, sem prantos, suspiros ou faltas de fôlego.
Esses pés já carregaram várias mortes, talvez por isso tantas dores, e que venham mais se preciso for, e sempre é...pisar sobre sonhos em demolição, rasgar-se e recriar-se à base da dor, do sangue que jorra em meio a fúria, do vazio quase vácuo estelar que surge em meio a tanto nada.
E eu nesse meu caos tão divino e doloroso, só quero dançar, pra esquecer de cada desfalecida que me despi....quem sabe dançar ajude, ou não....
Mas mesmo calejados e em brasa continuarão sua caminhada dançante, rumo ao nada que sempre vem.
"Ponha os pés no chão!" Sempre disseram...
Meus pés estão cansados desses tempos, desse mundo imundo, irresponsável, raso, vazio.
Não , não ouzo toca-los nesse chão, nesse solo infértil de amor.
Pq o amor é o caminho, e sem isso não chego em lugar algum. Se não é amor, se não há amor, não me cabe amar cada passo ou compasso dessa canção. Não. Não me cabe, não me entrego!.., me recuso a por os pés no chão!
Meu sagrado não aceita nada além de um solo fértil pra pisar com leveza e dançar ao som do silêncio.