04/12/2022
No vídeo a Ekede Edite , que esteve com Mãe Filhinha uma boa da vida, fala um pouco da religiosa e da sua participação a frente da Irmandade da Boa Morte . A mediação, ficou por conta do historiador Luiz Claudio do Nascimento , o popular Cacau Nascimento.
O evento aconteceu no dia 19 de novembro as 19h. no Cine Theatro Cachoeira como parte da abertura da Mostra de mesmo nome.
Edite Marques de Sousa, é Equede do Itaylê e irmã da Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte - Cachoeira / Bahia. Nasceu em 16 de abril de 1946 . Tem 75 anos e é natural de São Gonçalo dos Campos. Conheceu o candomblé em 1955 no Monte na casa da Mãe Lira de Iemanjá em Cachoeira. Aos 10 anos de idade conheceu Mãe Filhinha, na época filha de Nossa Senhora da Boa Morte , tornando - se sua equede até ao seu falecimento em 2014 quando esta , tinha 110 anos de idade. Hoje, além de fazer parte da Irmandade da Boa Morte , a equede Edite, como é conhecida, é fotógrafa profissional e artesã de arte em tecido.
SOBRE MAE FILHINHA
Narcisa Cândido da Conceição (Cachoeira, 18 de janeiro de 2014), mais conhecida como Mãe Filhinha foi a Ialorixá do Candomblé no Terreiro IIê Axé Itailê de Iamanjá Ogunté, fundado por ela no bairro Baixa da Olaria em Cachoeira. Foi um dos membros da Irmandade da Boa Morte durante 70 anos. Foi a juíza perpétua (cargo mais alto da Irmandade) nos últimos anos.
Morreu de causas naturais aos 110 anos. Seu sepultamento foi realizado em 19 de janeiro de 2014, no Cemitério da Piedade, em Cachoeira, Bahia.
https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Narcisa_C%C3%A2ndido_da_Concei%C3%A7%C3%A3o
SOBRE A IRMANDADE DA BOA MORTE
A história da Irmandade da Nossa Senhora da Boa Morte deita raízes na maciça importação de mão-de-obra escrava da África para o Recôncavo canavieiro da Bahia. O fato de ser uma associação leiga composta exclusivamente de mulheres negras, numa sociedade patriarcal e marcada por forte contraste racial e étnico, fez da Irmandade um caso único no catolicismo do Brasil. Entre a grande quantidade dessas instituições religiosas existentes no país, nenhuma possui as características da Irmandade da Nossa Senhora da Boa Morte de Cachoeira, seja no que se refere à sua condição de gênero, seja no que se refere às suas íntimas articulações com o candomblé.
Organizada num contexto histórico marcado por intensos conflitos sociais decorrentes das lutas anti-coloniais e anti-escravistas, a Irmandade da Boa Morte projetou-se como associação leiga desvinculada da estrutura canônica, sobretudo, por suas festas e procissões de agosto, iniciadas na Igreja da Barroquinha, em Salvador, e depois fixadas como tradição cultural e religiosa em Cachoeira. A p***a, a imponência do vestuário das irmãs, as joias e balangandãs das “negras de partido alto”, conferiram a essa devoção afro-barroca rara singularidade, chamando atenção de tantos quantos participam dos ritos de dormição de Maria e assunção da Virgem, para a originalidade dessa manifestação ímpar do sincretismo religioso baiano.
Como não registrou estatutos ou preservou quaisquer documentações originais, não se sabe ao certo a data exata de sua constituição como associação leiga. Essa informação continua a desafiar a investigação dos pesquisadores e quem sabe algum dos quatro cartórios de registro cível da cidade, ou mesmo os exemplares dos mais de 130 jornais editados a partir de 1817, ou mesmo os arquivos eclesiásticos, não elucidem tal questão.
Odorico Tavares é da opinião que a Irmandade data de 1820, tendo sido um desdobramento da congênere da Salvador que funcionava em um altar lateral da Igreja de Nossa Senhora da Barroquinha e apoiada na Irmandade do Senhor Bom Jesus dos Martírios, de crioulos, cuja origem remonta a meados do século XVIII. Desse núcleo religioso afro-brasileiro nasceram os mais tradicionais candomblés urbanos do Brasil. Outros pesquisadores enquadram a Irmandade da Boa Morte no quadro da inquieta conjuntura das três primeiras décadas do século XIX, repleta de revoltas, rebeliões, levantes, fugas de escravos e agitado momento político cujo pano de fundo era a luta pela independência do país e pela libertação dos negros do cativeiro da escravidão.