Este foi um passo historicamente fundamental para o desenvolvimento cultural da Bahia e do Brasil, tendo em vista sua importância em nível local e nacional. À visão da época, o primeiro diretor da escola, Martim Gonçalves e o então reitor da UFBA, Edgar Santos, contribuíram para a grande projeção da produção cultural da Bahia nas últimas décadas do século XX. Em 1956, a criação da Escola de Teatro
na Universidade Federal da Bahia fazia parte de um vasto e audacioso plano cultural do Reitor Edgar Santos, que instituiu as escolas de música, dança e teatro, e incorporou à Universidade a quase centenária escola de Belas Artes, transformando-as rapidamente em centros de excelência. Duas intenções presidiam a iniciativa, ambas orientadas para a atualização da arte teatral numa cidade onde os hábitos provincianos persistiam; por um lado, a divulgação da dramaturgia moderna através de um teatro vivo, conquistando o interesse do grande público e integrando efetivamente a produção universitária na vida da comunidade; por outro, a implantação de um instituto-modelo onde se formassem atores, diretores e professores com os mais modernos métodos e técnicas. Esse empreendimento pioneiro podia ser considerado, na época, uma utopia. Porém o Reitor convidou um dos fundadores do Teatro Tablado do Rio de Janeiro, o artista, professor e médico pernambucano Martim Gonçalves, o criador e primeiro diretor da Escola de Teatro da UFBA (1956-1961), que, com o apoio da Fundação Rockfeller, reuniu a equipe que viabilizou essa utopia: Gianni Ratto, Yanka Rudzka, Jean Mauroy, J.H.Koellreuter, George Izenour, Jack Brown, Brutus Pedreira, Domitila do A|maral, Antonio Patiño, Anna Edler, João Augusto de Azevedo, Othon Bastos, Sérgio Cardoso e Maria Fernanda. Luís Carlos Maciel e Alberto D'Aversa viriam em seguida. A presença de José Possi Neto, de 1972 a 1976, confirmaria essa vocação utópica fundadora, de prover uma formação universitária e artística, experimental e profissionalizante, modelar e, sobretudo, contemporânea. Da primeira turma de alunos saiu o grupo que constituiria o Teatro dos Novos (1959) que resultou no Teatro Vila Velha (1964), de grande importância na formação e consolidação do atual teatro e cultura baianos. Com base na premissa universalmente conhecida pelos profissionais do palco - teatro se aprende na prática - a Escola de Teatro prosseguiu projetando suas atividades para propiciar ao aluno a contínua vivência do fazer artístico em paralelo com os estudos teóricos. Além de testar seu desempenho como ator e diretor em montagens didáticas, vinculadas as disciplinas do currículo, o aluno participa continuamente de espetáculos e mostras públicas. Em função dessa filosofia de trabalho, a Escola de Teatro configura-se como um centro de formação e produção onde a aprendizagem das artes cênicas está intimamente associada à realização de eventos artísticos. Cerca de 20 espetáculos são montados anualmente por professores, alunos e artistas convidados, promovendo o encontro da Universidade com a Comunidade e revelando a forte presença da Escola de Teatro no cenário cultural de Salvador. A Escola de Teatro, além disso, nos últimos três anos tem recebido nota seis na avaliação realizada pela CAPES, em sua pós-graduação (mestrado e doutorado); assim como nota máxima (cinco) em seus cursos de graduação, avaliação realizada pelo Guia do Estudante, publicação que há 12 anos avalia as instituições de ensino superior brasileiras. Deste modo a Escola de Teatro da UFBA hoje é, assim como no passado, um centro de referência e excelência da arte teatral no Brasil.