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 Há cidades que sobrevivem por causa de uma sombra.A igrejinha do Largo de Santana parece dessas.Pequena.Branca.Quase um...
18/05/2026

Há cidades que sobrevivem por causa de uma sombra.

A igrejinha do Largo de Santana parece dessas.

Pequena.
Branca.
Quase um pássaro pousado entre carros, maresia e trânsito.

Hoje ela parece inseparável do Rio Vermelho.

Mas nem sempre foi assim.

Durante os anos 1980 e 1990, aquele espaço atravessou disputas urbanas reais. Houve pressão por expansão viária, transformação da paisagem e reorganização do bairro.

O que hoje parece natural quase desapareceu.

E talvez essa seja uma das coisas mais estranhas sobre as cidades:

a gente costuma chamar de “paisagem” aquilo que um dia precisou ser defendido.

Teve gente segurando aquela igreja com as mãos invisíveis da insistência.

Gente de jornal dobrado no braço.
De conversa em mesa de bar.
De abaixo-assinado molhado de chuva.
De estudante carregando cartaz torto.

Gente ocupando rua.

Inventando presença.

Fazendo danceata como quem planta música no asfalto.

Antes dos reels, das hashtags e dos algoritmos, já existiam redes.

Bares.
Praças.
Universidades.
Jornais.
Conversas longas atravessando madrugada.

A cidade também era construída assim:

pela insistência coletiva de manter certos espaços vivos.

Porque algumas pessoas entendem uma coisa muito cedo:

quando uma cidade perde completamente seus lugares de permanência, ela começa a virar apenas circulação.

E circulação sozinha não produz memória.

Talvez por isso a igreja tenha hoje essa força mansa.

Ela ficou.

Como ficam certas colheres antigas na cozinha da avó.

Tortas.

Mas ainda servindo memória.

Muita gente fotografa o Largo sem saber que ali já houve risco de apagamento.

Paisagem também adoece.

E às vezes só continua existindo porque alguém decidiu não soltar.

O Rio Vermelho não herdou aquilo pronto.

Foi gente segurando o bairro pela beirada para ele não escorrer inteiro no cimento.

 Às vezes um espaço deixa de ser apenas arquitetura e passa a existir como hábito coletivo. O terraço do Glauber talvez ...
17/05/2026

Às vezes um espaço deixa de ser apenas arquitetura e passa a existir como hábito coletivo. O terraço do Glauber talvez nunca tenha sido pensado como praça, mas durante anos foi usado como extensão informal da cidade: gente olhando o mar, esperando alguém, atravessando o fim da tarde sem necessariamente consumir nada. Aos poucos, o espaço deixou de ser percebido apenas como propriedade privada e passou a ocupar um lugar afetivo no imaginário urbano. O próprio cinema parece ter alimentado isso, porque cinemas de rua sobrevivem também pela sensação de vida ao redor: circulação, encontro, permanência, mistura social. Só que espaços híbridos vivem em equilíbrio instável.

Quando aparecem desgaste, custo, vandalismo ou medo de perda, surge a tentativa de recuperar controle sobre aquilo que já tinha virado experiência coletiva. E talvez seja essa a fratura central da discussão. O público tenta preservar uma experiência de cidade; o cinema tenta preservar a própria sobrevivência. No fundo, o debate fala menos sobre um terraço específico e mais sobre a dificuldade contemporânea de manter espaços culturais abertos sem que eles sejam destruídos, abandonados, privatizados ou excessivamente controlados. Talvez a pergunta real não seja quem pode entrar, mas como um lugar continua vivo sem perder a própria capacidade de existir.

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16/08/2023

Embarque nos 'Metrô Poemas', um livro acessível que une criatividade, sustentabilidade e diálogo. Apoie a arte independente, explore uma trilha sonora exclusiva e participe de eventos emocionantes. Adquira seu exemplar e conecte-se com a comunidade artística: https://linktr.ee/metropoemas

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A primeira edição do Festival Ferrovias começa amanhã!O Festival Ferrovias é um evento que celebra a cultura e a históri...
16/08/2023

A primeira edição do Festival Ferrovias começa amanhã!

O Festival Ferrovias é um evento que celebra a cultura e a história do Subúrbio Ferroviário de Salvador.

O acontecerá de 17 a 20 de agosto em quatro espaços comunitários do Subúrbio de Salvador:

Centro Cultural de Plataforma

Quilombo Aldeia Tubarão

Acervo da Laje

Escola Comunitária Nossa Senhora de Escada

A entrada é gratuita.

Para mais informações, visite o site do festival: www.festivalferrovias.com

Venha participar do Festival Ferrovias!

Trem do Subúrbio, Trilhos de Resistência O documentário "Trem do Subúrbio, Trilhos de Resistência" é um retrato da luta ...
14/08/2023

Trem do Subúrbio, Trilhos de Resistência

O documentário "Trem do Subúrbio, Trilhos de Resistência" é um retrato da luta da comunidade do subúrbio de Salvador contra a desativação do sistema ferroviário da capital baiana. O filme apresenta a voz dos moradores, pescadores, marisqueiras e líderes comunitários, bem como o posicionamento do Ministério Público, arquitetos, urbanistas e representantes de organizações sociais. Além disso, expõe a verdade por trás do projeto de VLT-Veículo Leve sobre Trilhos anunciado pelo governo, destacando que a tecnologia proposta é, na realidade, um monotrilho sobre pneus, com estruturas elevadas de concreto, impactando o meio ambiente e impossibilitando a expansão da malha ferroviária.

Um filme da resistência e da memória do sistema ferroviário, uma história que não pode ser esquecida. Junte-se a nós neste incrível evento e apoie a preservação da cultura ferroviária e das comunidades locais.

Festival Ferrovias

O Festival Ferrovias é um evento que ocorrerá de 17 a 20 de agosto, em quatro espaços comunitários do Subúrbio de Salvador. O festival oferecerá exibições presenciais e virtuais do documentário "Trem do Subúrbio, Trilhos de Resistência", bem como debates, palestras e oficinas sobre a importância da ferrovia para a cidade de Salvador.

Participe deste evento histórico!

Flipelô 2023: Ação “Vá de Metrô para a FLIPELÔ”A Flipelô, a Festa Literária Internacional do Pelourinho, acontece de 10 ...
09/08/2023

Flipelô 2023: Ação “Vá de Metrô para a FLIPELÔ”

A Flipelô, a Festa Literária Internacional do Pelourinho, acontece de 10 a 13 de agosto de 2023, no Pelourinho, em Salvador, Bahia. Para incentivar o uso do transporte público, a Casa de Jorge Amado e o Instituto CCR em atuação na área da CCR Metrô Bahia oferecem um serviço de traslado gratuito de vans da Estação Campo da Pólvora ao Taboão, no Pelourinho.

As vans saem a cada 30 minutos, de quinta a domingo, das 10h às 22h. O serviço é gratuito e não é necessário fazer reserva.

Além do traslado gratuito, a Estação Campo da Pólvora também está decorada com o tema da Flipelô, com espaços instagramáveis para fotos. Também está em exposição na estação as imagens finalistas do concurso cultural Amados Olhares.

Para mais informações, acesse o site da Flipelô ou o site da CCR Metrô Bahia.

Serviço:

Ação “Vá de Metrô para a FLIPELÔ”

Quando: 10 a 13 de agosto de 2023 (quinta a domingo)

Horário: 10h às 22h

Onde: Estação Campo da Pólvora

Traslado gratuito em vans

Moro em Cachoeira São Félix mesmo que às vezes e em Guaramiranga, que nunca fui antes da Pandemia. O coração encontra mo...
24/07/2023

Moro em Cachoeira São Félix mesmo que às vezes e em Guaramiranga, que nunca fui antes da Pandemia. O coração encontra morada em lugares que vão além do mapa, conexões que transcendem distâncias físicas. Cachoeira São Félix me traz paz e inspiração, mesmo à distância. Guaramiranga permanece um destino desconhecido, mas vive em meus sonhos. Lar é uma viagem da alma, uma jornada poética interna, onde emoções e laços moldam nossas visões sobre pertencimento. Mesmo longe, esses lugares têm raízes em meu coração, perpetuando a poesia dos espaços que me habitam.

Rogério Ferrari  é uma grande personalidade baiana que parecia bem próxima de todos a minha volta mas eu apenas o olhava...
22/07/2023

Rogério Ferrari é uma grande personalidade baiana que parecia bem próxima de todos a minha volta mas eu apenas o olhava distante admirando. Se existe mesmo inveja criativa, ele foi uma das mais maravilhosas que invejei. Em 2011 fui selecionado para o salão de fotografia na caixa cultural em meio as ocupações de praças pelo mundo. E vi sua foto simbólica que parei quase uma hora contemplando na galeria e esqueci de todas outras fotos, até da minha. Eu adotei de vez o preto e branco e sonhava estudar trabalhar esses temas de ocupações e quilombos urbanos na Ufba 2012/2014. Se eu tivesse continuado o estudo iria escolher Ferrari como ponte no horizonte para essas utopias. Logo depois .undr e mel começaram a fazer o filme Muros (2015) com ele na comunidade onde moro, Nordeste de amaralina relacionando a estética com a localidade da Palestina, escadas, becos, casas em cima de casas e morros. 2016 Rogério Ferrari convida meu vizinho de amaralina que alucina a multidão para um documentário sobre Guarani kaiowas. Povos que causaram o enxame no Facebook com todos usando o nome antes de junho de 2013. Final de 2016 construo um apoio a Pronzato com produções da lamestizaaudiovisual.com.br e participando de debates no com Fabricio e Mel, Ferrari, Trajano, Esteban e outros ocupando a mente através das Artes Cinemátograficas. 2017/2019 seguimos na pelourinho/cinema do museu. Em 2017 Ferrari expõe fotos sobre os Saarauis, povo que vive em campos de refugiados no Deserto do Saara. Simone Carvalho sobre céu do Caribe “mexido” por nuvens pós-furacão. Ferrari lança em 2018 o livro Parentes na galeria RV. A diversidade dos povos indígenas. Ym pequeno histórico de interações e que tem muita coisa que merece destaque. De muro de berlim a ciganos, de Ipiaú a Salvador. Rogério Ferrari não dá pra colocar em palavras e nem me sinto digno pela pouca intimidade mas posso dizer que ele somava o melhor da Bahia e do mundo. E merece uma aclamação pública como Pierre Verger, Jorge amado e Glauber rocha. Foto, poesia e cinema. Pixando as lutas com coragem em todos espaços fazendo mais amor e mais revolução

Apresentamos Timóteo Lopes, um talentoso artista visual e a mente criativa por trás do Atelier Baluarte! 🌟✨ Com formação...
18/07/2023

Apresentamos Timóteo Lopes, um talentoso artista visual e a mente criativa por trás do Atelier Baluarte! 🌟✨ Com formação em Bacharelado em Artes Plásticas e cursando mestrado em Artes Visuais, Timóteo é apaixonado por explorar diversas técnicas artísticas, incluindo desenho, pintura, gravura, fotografia e intervenções urbanas.

No Atelier Baluarte, localizado no coração de Salvador, Timóteo e outros artistas parceiros oferecem cursos particulares de artes gráficas, proporcionando uma oportunidade única para você aprender e se aprofundar em diferentes expressões artísticas. Com ênfase na xilogravura, Timóteo cria obras de médio e grande formato, representando tanto elementos da natureza quanto retratos de pessoas anônimas.

Agora você pode acompanhar o trabalho inspirador de Timóteo Lopes e explorar as criações impressionantes do Atelier Baluarte. Siga-os no Instagram:

Timóteo Lopes:
Atelier Baluarte:

Mergulhe em um mundo de arte, criatividade e expressão! 🎨✨

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14/07/2023

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Endereço

Subúrbio Ferroviário De Salvador
Salvador, BA
40717-090

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