Alberto Valença Pintor

Alberto Valença Pintor Pintor Alberto Valença
1890 Alagoinhas, BA - 1983 Salvador, BA

Alberto Valença
(Alagoinhas/BA 1890 – Salvador/BA, 1983), um dos últimos representantes da Escola Baiana de Pintura, teve seu talento reconhecido pelo mestre Manuel Lopes Rodrigues (1859-1917), aos quinze anos de idade, enquanto aluno do curso de desenho no Liceu de Artes e Ofícios, Salvador, Bahia. Embora tenha passado a maior parte da vida na Bahia, frequentou a Academia Julian, em Paris, em 192

5/26; viveu na Bretanha, noroeste da França, em 1927/1928; e trabalhou no Rio de Janeiro em 1931/1933. Por quase três décadas, de 1933 a 1960, foi professor da Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia e mestre de várias gerações de artistas.

A Polarização em Machado de Assis / por Vera Spínola                                                                    ...
16/10/2024

A Polarização em Machado de Assis / por Vera Spínola

Os brasileiros estão cansados da polarização política, que tem trazido rupturas entre amigos, desavenças familiares, além de proporcionar uma visão redutora da realidade (L ou B). O fenômeno sempre existiu e foi acirrado em determinados momentos da história.
Pode-se dizer que o tema central do romance Esaú e Jacó de Machado de Assis é a polarização, embora o autor não tenha utilizado essa palavra uma única vez. Publicado em 1904, quatro anos antes de sua morte, o título vem de uma parábola bíblica de mesmo nome, encontrada em Gênesis. A parábola conta a história de Rebeca, a mãe de Esaú e Jacó, que tem Jacó como preferido. A disputa faz os dois irmãos se tornarem inimigos.
O romance Esaú e Jacó de Machado tem lugar na capital, então Rio de Janeiro, nos últimos anos da escravidão e da monarquia e nos primeiros anos da república, com referências ao encilhamento e ao Estado de sítio.
Os protagonistas são os gêmeos Pedro e Paulo, filhos de Natividade e Santos, que anos depois de gravitarem na corte receberam o título de barão e baronesa respectivamente. Os irmãos são fisicamente idênticos, mas opostos em tudo. O antagonismo entre eles leva Natividade a consultar uma advinha, a Cabocla, a qual prevê que serão grandes homens, mas pergunta se haviam brigado no ventre da mãe, que efetivamente na gestação sentira movimentos extraordinários, dores e insônias.
Os gêmeos não discordavam da cor da lua, por exemplo, mas aos 11 anos Pedro descobriu que as sombras da lua eram nuvens, e, Paulo, que eram falhas da nossa vista, e atracaram-se. Imagine em política.
Na juventude, Paulo foi para São Paulo, onde estudava Direito e se tornou republicano. Pedro, que era monarquista, continuou no Rio de Janeiro e ingressou na faculdade de medicina.
A Proclamação da República deu uma reviravolta na sociedade. Com humor, Machado conta algumas histórias para mostrar o impacto da mudança. Por exemplo, havia um confeiteiro no Catete de nome Custódio que havia encomendado uma nova tabuleta para seu negócio, pela qual pagaria caro, em que se deveria ler Confeitaria Do Império. Ao acordar no dia 15 de novembro de 1889, e tomar conhecimento do movimento político, mandou um bilhete ao pintor “Pare no D.” Mas o trabalho, para o qual havia dado pressa, estava pronto. O confeiteiro entrou em pânico. Além do prejuízo, que nome daria à confeitaria? O pintor só se prontificava a fazer outra tabuleta se fosse pago pela já concluída. Custódio consultou o vizinho, o Conselheiro Aires, que sugeriu o nome, Confeitaria da República. Mas se dentro de dois meses houvesse outra reviravolta, perderia de novo o dinheiro. Outra sugestão: Confeitaria do Governo. Poderia servir tanto para um regime como para outro. Mas nenhum governo deixa de ter oposição, retrucou o confeiteiro, e poderiam quebrar a tabuleta. Depois de refletir, Aires deu nova alternativa: Confeitaria do Império, fundada em 1860. Porém a palavra “império” geraria controvérsias, e ninguém leria em 1860. Mais uma ideia: Confeitaria Império das Leis. Custódio argumentou que o acréscimo das Leis poderia não ser lido. Nova sugestão Confeitaria do Catete. Mas já havia no bairro outra com esse nome. Finalmente optou por Confeitaria do Custódio. Gastaria algum dinheiro, mas as revoluções trazem sempre despesas. Seria melhor esperar uns dois dias “a ver em que param as modas”.
E assim Machado foi mostrando os conflitos psicológicos provocados pelo novo regime.
Pedro e Paulo tornaram-se deputados, apaixonaram-se pela mesma moça, Flora, que acabou morrendo. Continuaram discordando em quase tudo, porém prometeram à mãe no leito de morte que ficariam amigos. Cumpriram a promessa por apenas um ano e voltaram a ser inimigos.
O autor joga com a ambiguidade, os gêmeos são opostos e idênticos, como a monarquia e república, quando alguns grupos políticos, oportunisticamente desejam apenas o poder, não importando as diferenças e semelhanças.
A polarização de hoje tem outros nomes e símbolos. Como na tabuleta de Custódio, o uso de determinadas palavras, cores e bandeiras, para o bem ou para o mal, pode resultar em diferentes interpretações, discórdias e brigas, inclusive nas famílias, e até entre irmãos gêmeos.

E o que fazer nas fases mais avançadas, quando a cognição já foi para o espaço e o corpo se tornou um fardo insuportável...
09/10/2024

E o que fazer nas fases mais avançadas, quando a cognição já foi para o espaço e o corpo se tornou um fardo insuportável? Manter uma pessoa inerte, trancada num mundo impenetrável, é o melhor que podemos fazer? Terminei com essas palavras nossa última coluna, neste espaço. Foi o tema de uma série sobre demências que acabamos de apresentar no Fantástico.

A faixa da população que mais cresce no Brasil é a que está com mais de 60 anos. Hoje, quando morre um tio com 70 anos, dizemos que morreu moço. Há pouco tempo, quem atingisse essa idade era considerado muito velho. Num livro do século 19, Machado de Assis se referiu a um homem de 50 anos como "velho gaiteiro". Em 1903, um jornal de Manaus noticiou: "Caminhão desgovernado invade casa e mata uma velhinha de 40 anos".

Todos querem viver muito, mas não a qualquer preço. Você, leitora, é tão apegada à vida que lutaria para mantê-la ainda que não conseguisse sair da cama, não reconhecesse os filhos e confundisse os netos com ladrões prestes a assaltá-la? E você, leitor, valeria a pena continuar vivo para passar o resto dos dias sem fazer ideia de quem são aqueles estranhos que trocam as suas fraldas e lhe dão comida na boca?

Em "Memórias Póstumas de Brás Cubas", Machado de Assis escreveu: "A velhice ridícula é, porventura, a mais triste e derradeira surpresa da natureza humana".

Em mais de 50 anos de atividade clínica, acompanhei alguns pacientes com quadros demenciais avançados. Quando a doença chega às fases finais, os familiares, exauridos pela tarefa de zelar por alguém que exige cuidados permanentes, concluem que a morte seria a solução mais humana.

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Desejar a morte de uma pessoa querida, entretanto, gera sentimentos contraditórios, que fogem à racionalidade. Difícil admitir que desejamos a morte da própria mãe, do pai, de um dos irmãos ou do amigo com quem convivemos tantos anos. A reação mais comum é calar. Para quem suporta a carga de cuidados diários, rotina interminável quase sempre realizada por uma mulher, o dilema é: vão pensar que quero ficar livre do trabalho ou, pior, será que não quero mesmo?

Nesse momento, se apesar do sentimento de culpa um familiar pergunta ao médico por que não encurtar a duração daquele arremedo de vida, ouvirá que as leis brasileiras consideram a eutanásia um crime.

Está mais do que na hora de mudarmos essas leis. O Código Penal precisa atender às mudanças ocorridas nas sociedades modernas. Eu não quero de jeito nenhum vegetar num leito, sujeito à imprevisibilidade da visita da senhora com a foice, porque ela poderá me encontrar em condições indignas que ficarão gravadas para sempre na memória das pessoas que mais amo.

Nos tempos do Carandiru, ouvi de seu Araújo, um velho carcereiro: "Doutor, sabendo levar, a vida é uma festa". É verdade, mas toda festa uma hora acaba. Diante da possibilidade de perder a consciência no fim dela, preciso ter o direito de estabelecer as condições em que pretendo me retirar. Não quero ficar até entrar em coma alcoólico, dando trabalho aos donos da casa.

Em um fundo violeta vemos um casal. A mulher está representada de forma extremamente branca, ela está recostada, de olhos fechados, como que dormindo, amparada pelo homem que tem um braço ao redor da mulher, com a mão em seu ombro e a outra mão segurando a mão da mulher. A mulher descansa totalmente relaxada em uma cama de nuvens. O homem lhe dá total apoio nesse momento.
Libero Malavoglia/Folhapress
Enquanto tenho pleno domínio de minhas faculdades mentais, as leis devem me assegurar o direito de registrar em cartório as condições em que minha morte deve ser antecipada, por meios farmacológicos.

É um tema controverso, mas a sociedade precisa enfrentá-lo. É possível definir regras claras para que a vontade do declarante seja respeitada. Por exemplo: ele não quer continuar quando não reconhecer mais ninguém e perder o controle dos esfíncteres ou quando passar os dias mudo olhando para o teto ou quando estiver sem memória e precisar de uma sonda gástrica para não morrer de inanição.

Para os mais religiosos, que consideram a vida um dom divino que só pode ser confiscado pelo Criador, é importante não esquecer que concordamos com a doação dos órgãos de uma pessoa com morte encefálica. No entanto, o coração ainda pulsa e os pulmões trocam gás carbônico pelo oxigênio que a circulação leva para todas as células; só o cérebro morreu.

A eutanásia é aceita porque estabelecemos uma hierarquia entre os tecidos do organismo na qual o sistema nervoso central tem primazia sobre os alvéolos pulmonares e as células musculares do coração. Consideramos que o funcionamento do sistema nervoso central é o que nos confere a condição humana.

Qual a razão para não agirmos em respeito à mesma lógica quando a demência nos roubar a cognição?

Código Penal precisa atender às mudanças ocorridas nas sociedades modernas

11/09/2024

Benvindos à página do pintor Alberto Valença

06/09/2024

This is my website with information on the book Conversando com a Pintura de Alberto Valença

Do Livro Conversando com a Pintura de Alberto Valença por Vera Spinola:Pôr do Sol sobre o Convento do Desterro foi pinta...
25/08/2024

Do Livro Conversando com a Pintura de Alberto Valença por Vera Spinola:

Pôr do Sol sobre o Convento do Desterro foi pintado a partir da roça do Convento de São Francisco. Tela de valor iconográfico que capta o colorido do pôr-do-sol, fenômeno que nos trópicos dura alguns minutos. Quantas vezes Valença deve ter voltado ao cavalete montado na roça dos frades para compor esse poema cromático.

O Convento do Desterro, o mais antigo convento de freiras construído no Brasil, parece iluminado por raios dourados. No primeiro plano à esquerda vê-se um dos cunhais do paredão do Convento de São Francisco. O centro é a torre do Desterro sobre o convento que ocupa quase toda a tela. As árvores dispersas e a horta de São Francisco em primeiro plano, de onde o artista visualizou o cenário, compõem uma moldura de leveza e poesia ao imponente convento em perspectiva mais afastada.

Diógenes Rebouças comentou que se tratava de uma obra trabalhosíssima: "uma pintura que lembra a influência de Cézanne não só na cor, mas nas vibrações do sol como na matéria."

Museu Carlos Costa Pinto

Visite o site

https://www.albertovalenca.com.br

Fráguas. O termo significa fornalha de ferreiro, forja, e, por extensão de sentido, também ardor, calor, fogo. Metaforic...
15/08/2024

Fráguas.
O termo significa fornalha de ferreiro, forja, e, por extensão de sentido, também ardor, calor, fogo. Metaforicamente, indica sorte adversa, amargura, dor. E ainda é sinônimo de fábrica em português arcaico. O artista gostou do jogo semântico e adotou a expressão fráguas para designar as rochas aglomeradas entre a areia e o mar exclusivamente na praia de Ondina, Salvador, acrescentando assim mais um significado à palavra. Pintou Fráguas I e Fráguas II, obviamente ambas da Praia de Ondina, sob perspectivas e soluções cromáticas diversas, em 1924 e 1925 respectivamente.

Ao retornar da temporada na França, três anos depois, Valença voltou a Ondina para pintar Fráguas III, quadro que pode ser visto no Museu Costa Pinto. Ao todo, o pintor fez cinco representações de Fráguas. Tratava-se do mesmo objeto interpretado de acordo com o momento do dia. Há muitas marinhas do artista com imagens de rochedos em outras praias, nenhuma delas denominada Fráguas. Exclusividade de Ondina.

SPÍNOLA, Vera. Conversando com a Pintura de Alberto Valença: Um romance biográfico. p. 37 e 38.
Disponível em
https://www.caramure.com.br/search/?q=Vera+Spinola

Trecho do meu livro "Conversando com a Pintura de Alberto Valença".A luz e o movimento utilizando pinceladas soltas torn...
05/08/2024

Trecho do meu livro "Conversando com a Pintura de Alberto Valença".
A luz e o movimento utilizando pinceladas soltas tornam-se o principal elemento do Impressionismo, sendo que as telas eram pintadas ao ar livre para que o pintor pudesse capturar melhor as variações de cores na natureza. A pintura deveria assim mostrar as tonalidades que os objetos adquirem ao refletir a luz do sol num determinado momento, pois as cores da natureza mudam constantemente, dependendo da incidência da luz. Com isto, é também uma pintura instantânea. Representa-se um momento que pode durar poucos minutos.

Valença nunca se autodenominou impressionista. Considerava-se um plein airista, um neologismo inventado para distinguir o pintor de ar livre daquele de ateliê. É sempre difícil se rotular um autor plenamente em um movimento artístico ou vinculá-lo a uma única corrente, sobretudo em se tratando de alguém com uma obra bastante diversificada, com retratos, paisagens urbanas, campestres e marinhas, além de casarios e interiores. Ademais, toda obra de arte carrega uma boa dose de subjetividade e de influências.

Vera Spinola
Conversando com a Pintura de Alberto Valença
https//www.livrariacaramure.com.br
Livraria Caramurê - Vendas online

Que tal dar um passeio pelas obras do pintor Alberto Valença. visite o site
05/08/2024

Que tal dar um passeio pelas obras do pintor Alberto Valença. visite o site

Conheça a vida e obra de Alberto Valença (1890 – 1983), um dos últimos representantes da Escola Baiana de Pintura.

Lembranças de viagens. Villefranche-sur-MerOutono, outubro 2022. Ao pegarmos o ônibus, Hop on/Hop off, em Nice, Riviera ...
23/07/2024

Lembranças de viagens. Villefranche-sur-Mer
Outono, outubro 2022. Ao pegarmos o ônibus, Hop on/Hop off, em Nice, Riviera Francesa, descemos em Villefranche-sur-Mer sem muita expectativa. Um ponto de ônibus em lugar alto de onde se avistava o mar. Depois de pedir informação sobre como visitar a vila, descemos uma ladeira bastante íngreme. Paramos para almoçar em um restaurante no meio de uma tortuosa e charmosa viela medieval. Lembro que fomos muito bem atendidos por uma senhora italiana. Continuamos descendo e nos deparamos com uma rua obscura que parecia uma caverna. Entramos e descemos mais. Uma surpresa, uma abertura de onde se visualizava a paisagem marítima. Havíamos chegado à beira-mar. O ponto mais elevado de Villefranche-sur-Mer tem 575 m (Alpes Marítimos) e o mais baixo zero.
A maior surpresa foi avistar, do cais, uma península. Ou seria um cabo? Tratava-se de Saint Jean-Cap-Ferrat, residência do romancista West Somerset Maugham (Paris, 1874 – Nice, 1965). Os romances e contos de autoria dele eram a referência que eu tinha de Cap Ferrat.
Recordei-me dos livros, O Fio da Navalha (The Razor’s Edge) e Servidão Humana (To Human Bo***ge), lidos na adolescência, bem como Um Gosto e Seis Vinténs (The Moon and The Sixpence), inspirado na vida de Paul Gaugain, quando pude me sentir no Taiti entre os indígenas. Nos contos visitei ilhas nos mares da Ásia, a Índia, a China. Recomendo o belo filme da Netflix “O Despertar de uma Paixão”, inspirado no romance The Painted Veil, o Véu Pintado.
Em Villefranche-sur-Mer, lembrei-me de Larry, personagem de O Fio da Navalha. Aquele que abre mão da estabilidade e conforto à procura da verdade, de um significado para a vida. Dentre suas múltiplas experiências, foi soldado na 1ª guerra, marinheiro em um navio que rumava para a Índia, quando esperava encontrar o nirvana com os monges budistas do Himalaia. É como se buscasse uma utopia nunca alcançada pelo ser humano. Maugham também participa da história, interage com os personagens e observa o comportamento deles. Pude caminhar pelas ruas e bairros de Paris e viajar para lugares distantes, com indivíduos tão diversos. Alguns almejavam um status social elevado, outros o amor, a riqueza, o poder, a fama, a realização pela arte. O norte americano, Elliot, por exemplo, procurava viver na Europa como um nobre aristocrata. Isabel, a noiva apaixonada por Larry, que não está disposta a abrir mão do conforto da vida burguesa, nem dos prazeres mundanos.
Recentemente li Cakes and Ale, que tem Blackstable (Inglaterra) como um dos cenários, onde viveu Maugham, com os tios depois de ficar órfão. Nesse livro faz duras críticas a um escritor muito popular na época. Em um fim de semana, li sem parar uma novela de suspense e muita tensão, At the Villa, que acontece em Florença, Itália.
Dotado de um senso de humor aguçado e de uma vastíssima cultura, Maugham descreve conflitos humanos com ironia fina e sarcasmo, o que diverte o leitor. Seus temas são universais. Não envelhecem. Os personagens procuram uma felicidade inatingível, cada um ao seu modo. Dizia que havia três regras para se escrever um romance. Infelizmente ninguém sabe quais são elas. Não ganhou o Prêmio Nobel de literatura, mas está presente e perpetuado pelos seus milhões de leitores.
O acaso me levou não só a Ville Franche-Sur-Mer, mas a uma viagem pela literatura. Diferentemente de Larry, no decorrer de uma vida de 91 anos Maugham não abriu mão dos prazeres mundanos ao desfrutar do conforto da sua Villa Mauresque, em Cap Ferrat

ALAGOINHAS NÃO CONHECE SEU FILHO ILUSTRE – ALBERTO VALENÇAEdnaldo Soares            O pintor baiano Alberto Valença nasc...
18/07/2024

ALAGOINHAS NÃO CONHECE SEU FILHO ILUSTRE – ALBERTO VALENÇA
Ednaldo Soares
O pintor baiano Alberto Valença nasceu em Alagoinhas, em 7 de junho de 1890, mas é desconhecido de seus concidadãos. Poucos alagoinhenses já ouviram falar dele; alegam que o desconhecimento se dá porque ele nasceu em Alagoinhas por acaso e ali viveu poucos anos de sua primeira infância. Mas o que isso tem a ver com a falta de interesse de sua cidade natal em conhecê-lo, orgulhar-se de tão ilustre filho? São tantos aqueles que nascem por acaso em determinado lugar, sem ter raízes ou antepassados ali. O pai de Alberto Valença – Manoel Pires Valença – era telegrafista e, por força da profissão, era transferido de cidades, com certa frequência. Daí, deu-se que veio para Alagoinhas transferido de Pojuca.
Em Alagoinhas, nasceram Alberto e seu irmão Heitor e, ainda na primeira infância de Alberto, a família se mudou para Salvador, onde o pai faleceu precocemente, aos 39 anos. Todavia, mesmo sem vínculos afetivos com a cidade natal, Alberto Valença nunca negou ter nascido em Alagoinhas. A cidade é que nunca procurou se aproximar dele, de seguir seus passos após ter ele se tornado personalidade marcante no meio artístico baiano, de vê-lo crescer intelectual e profissionalmente.
Todavia, cabe lembrar, que, quando criança, sua mãe residira em Alagoinhas e ficou feliz, anos depois, quando ali voltou a residir. Ela era filha do comerciante Antônio Pinto de Aguiar, que, ciente da construção da ferrovia e sua passagem por Alagoinhas, prospectando crescimento para seu negócio, se estabeleceu na cidade, na segunda metade dos anos 1800. Portanto, avô materno de Alberto Valença, Pinto de Aguiar é um personagem histórico local, atualmente homenageado em Alagoinhas, cujo nome foi dado a um conjunto residencial, inaugurado na década de 1970.
Entende-se que a cidade, por meio de entes culturais deva buscar conhecer mais sobre esse seu filho, suas andanças pela França, onde estudou na Galerie Julian, suas produções artísticas, sua importância e pertencimento à Escola Baiana de Pintura, sua amizade com Presciliano Silva, sua docência na Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia.
Suas obras encontram-se espalhadas entre colecionadores, em geral membros de classe social abastada na cidade do Salvador, do Rio de Janeiro e de São Paulo, ou entre parentes e, além de igrejas soteropolitanas, há exemplares no Mosteiro de São Bento, na Escola de Belas Artes, no Museu de Arte da Bahia, no Museu Carlos Costa Pinto, no Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, na Academia de Letras da Bahia, no Museu Nacional de Belas Artes (RJ).
Para começar a busca a fim de conhecê-lo, sugere-se iniciar pela aquisição e leitura de dois livros biográficos sobre Valença: (1) o da autoria de Clarival do Prado Valladares, publicado em 1980, sob o patrocínio da Construtora Norberto Odebrecht, intitulado “Alberto Valença, um Estudo Biográfico e Crítico”; e (2) o livro “Conversando com a pintura de ALBERTO VALENÇA: um Romance Biográfico”, da professora Dra. Vera Maria Luz Spínola, atual companheira de Antônio Alberto, filho de Alberto Valença.
Por fim, se o projeto para a instalação de um museu na cidade de Alagoinhas se concretizar, cujo propósito é o de sediá-lo no antigo prédio da prefeitura, seria o caso de inaugurá-lo com uma exposição com obras de Alberto Valença, tomando emprestados quadros espalhados conforme o acima exposto. Entende-se ser esse o modo da cidade de Alagoinhas se redimir de sua falta de atenção para com seu filho ilustre, que nunca negou onde nascera. Melhor ainda, se derem à futura instituição a denominação de “Museu Municipal de Arte Alberto Valença”, ou algo semelhante. Certamente, os alagoinhenses apreciariam as “manchas”, das quais Valença fora um exímio pintor impressionista e passariam a conhecer, de perto e perenemente, seu ilustre concidadão.

29/05/2024

O Museu de Arte da Bahia celebra o 131º aniversário do renomado pintor e professor baiano, que teve participação marcante na história das artes plásticas brasileiras.

Endereço

Salvador, BA

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