21/01/2022
O Mahabharata, pelo poeta Vyasa
Quando decidi qual seria o último livro lido no ano de 2021, entrei com o pensamento de que precisava de uma leitura mais espiritual para poder me reconectar com ensinamentos pelos quais eu prezo na minha jornada.
Por destino da vida ou não, o Mahabharata acabou sendo o último de 2021 e o primeiro lido de 2022, demonstrando que pouca coisa muda apesar da virada simbólica de um ano para outro.
Foi um verdadeiro desafio, já que é uma escritura sagrada do Hinduísmo, que, ao contar a história da humanidade a partir do povo ancestral da Índia, utiliza de nomes de personagens derivados do Sânscrito, sendo ao mesmo tempo um livro religioso e antropológico, colocando o leitor em um acontecimento de milênios passados.
A história conta a emergência de uma iminente guerra entre 2 clãs de uma mesma família, entre os Pandavas e os Kauravas, com a participação de milhares de Deuses do panteão Hindu, que, ao contrário do Cristianismo, são tratados de formas humanizadas e mesmo animalizadas na maior parte do tempo.
Em muitos momentos, o que f**a demarcado é o questionamento se a Guerra com o efeito de milhões de mortes realmente foi necessária. Nesse momento, a própria história responde através dos diálogos sobre o conceito de Dharma.
O Mahabharata nos conta que cada um carrega seu próprio Dharma - o de fazer a coisa certa no tempo certo -, e de acordo com sua identidade e princípios diferenciais como pessoa.
Por isso, Arjuna, um guerreiro do clã dos Pandavas, é acolhido e orientado pelo próprio Krishna a levar à cabo a Guerra, já que esse era seu papel naquela tabuleiro.
Apesar da distância temporal em que foi escrito, é um livro que toca inclusive sobre identidade de gênero à sua própria maneira, quando reconhecemos que um dos irmãos do Clã em seu exílio se transforma em mulher para omitir sua identidade masculina e preservar seu corpo de inimigos.
Esse fato é inclusive utilizado, hoje, na Índia, como fator de legitimação das Hijras, entendidas como um terceiro gênero.
Dito isso, o Mahabharata é original e sábio de modo que nos ensina lições universais e de valorização individual.
Afinal, todos temos nosso próprio Dharma.