12/06/2020
As Baterias da UNESP, diante da situação na qual nos encontramos enquanto sociedade, vêm apresentar um posicionamento público à respeito dos casos ra***tas e fascistas, inclusos os noticiados recentemente na mídia, que ocorreram não só no nosso país, mas também no mundo. Somos entidades nascidas e criadas nos pilares do samba, e temos não só o dever como a obrigação de expressar nosso enorme desprezo por todo e qualquer tipo de preconceito racial que venha a ocorrer, tanto no Brasil, quanto em outros países.
O samba vai muito além do que ouvimos. O samba é, sim, uma forma de RESISTÊNCIA dentro do movimento e da identidade preta. Nós, como ritmistas, temos a responsabilidade de reconhecer a importância desse movimento cultural e o que ele simboliza em um país ra***ta que assassina pretos a todos os instantes. Desde suas origens, o samba existe como forma de união, como um alerta às injustiças, aos preconceitos, à intolerância que permeia nossos círculos. Não podemos fechar os olhos para a mensagem que o samba nos passa desde seus primórdios: amor e respeito acima de tudo. Você não pertence e nem merece o samba se não compactua e semeia essa importante mensagem, se não participa da luta diária contra o racismo, contra qualquer forma de intolerância, contra o preconceito. Como diz o samba-enredo de 2019 da G.R.E.S Estação Primeira de Mangueira, “História para Ninar Gente Grande":
"Desde 1500
Tem mais invasão que descobrimento
Tem sangue retinto pisado
Atrás do herói emoldurado
Mulheres, tamoios, mulatos
Eu quero um país que não está no retrato".
Esse posicionamento se faz mais importante ainda quando frisamos a variedade de ritmistas que compõe nossas Baterias. Nosso samba é sentido, criado, tocado e repercutido por pessoas que divergem tanto em aspectos sociais, quanto na cor da pele e na sexualidade. Desrespeitoso seria não reconhecer a riqueza da diversidade que compõe a todas nós. Esse reconhecimento, portanto, implica a necessidade de nos posicionarmos contra o racismo, o fascismo e a lgbtfobia, e nos manifestarmos diante de qualquer discurso ou atitude que venha a ferir nossa história e nossa resistência.