08/10/2021
Você sabia? RODOVIA DR MANUEL HIPÓLITO DO RÊGO
Muitas pessoas conhecem a rodovia que dá acesso ao Litoral Norte de São Paulo, a antiga SP-55 e atual Rodovia Dr Manuel Hipólito do Rêgo, mas acredito que poucos saibam um pouco de sua história. Fiz uma pesquisa e vou contar em detalhes como tudo começou e quem é Manuel Hipólito do Rêgo.
Como todas as cidades do Litoral Norte, São Sebastião não possuía nenhuma estrada de rodagem, mas sim caminhos, que partindo da cidade se dirigiam para Caraguatatuba, para o Planalto e os bairros mais próximos.
Até o ano de 1930 ou um pouco mais, os habitantes das pequenas cidades do litoral paulista se deslocavam apenas por via marítima, através de um serviço regular de cargas e passageiros prestados pelas companhias Loyde Brasileiro, Navegação Costeira e Comércio e Navegação.
Até 1960, o acesso às praias do Litoral Norte, as mais afastadas da região central, continuou a ser precário, pois não havia estrada para alcançá-las.
O trajeto tinha que ser feito por alguns caminhos sem asfalto e até pelas próprias praias, podendo levar até 15 horas.
Em 1972, a Petrobrás entregou uma estrada ligando Bertioga (que antes era distrito de Santos) à praia de Boracéia para assegurar a manutenção de seu oleoduto que margeia até hoje a estrada.
O trecho de Boracéia até o centro de São Sebastião já tinha piso de cascalhos, e a pavimentação da rodovia levou anos para ser concluída.
Com o término das obras por volta de 1983, os municípios do Litoral Norte Paulista passaram a ter um grande crescimento econômico, em decorrência do aumento de turistas, atraídos pela beleza natural dessa região e pela facilidade do acesso.
Quem é Manuel Hipólito do Rêgo? Um caiçara nascido em São Sebastião no dia 09 de agosto de 1890, filho de Hipólito Antonio do Rêgo e Jacinta Galvão do Rêgo. Estudou no Grupo Escolar Henrique Botelho e era proprietário da Fazenda Santana, no bairro Pontal da Cruz. Foi casado com Iraídes Lobo Viana do Rêgo, com quem teve dois filhos.
Foi eleito deputado estadual e federal, e durante seus mandatos conseguiu, entre outras medidas, que fosse construído o porto de São Sebastião. Lutou bastante pela construção da rodovia, quando esperava o início da construção dela, veio a Revolução de 1930. Passou o resto de sua vida batalhando por essa obra. Faleceu em Santos no dia 13 de fevereiro de 1950, sem conhecer a tão sonhada estrada.
Em um gesto de reconhecimento à sua luta, um projeto convertido em lei pelo Governador Franco Montoro, deu seu nome à rodovia SP-55, no trecho entre Bertioga e Ubatuba. Texto de Silvia Amparo, caiçara e jornalista de São Sebastião