21/04/2026
... Reticências ...
Nesta noite o céu estava estrelado, e me lembrando de você resolvi finalizar esse pequeno poema de amor , afinal , intenção de amor é quase loucura ...
Mas não digo — apenas deixo em suspenso
(...)
Como quem não sabe onde pousar o próprio sentir.
Há uma ternura que arde calada
Ninguém vê o incêndio
Carrego uma dívida pelo que não fiz — e ainda assim devo ...
Entre o rio e o mar, três pontos
Não são caminhos: são abismos
O medo, a pressa e o morrer...
Se o momento acabar sem nosso cantar
O olhar ao menos tentará dizer
Quem tem medo nada faz
E quem tem pressa se atropela
Mas quem morre não tem mais, a chance de querer ...
Entre uma vida e a não vida,
nada que se faça poderá
ser maior do que o risco
de nada se fazer ...
Não escreverei a história do que poderia ter sido, mas se acabou acabou ...
O medo apressado morreu ...
Se o instante nos escapa,
algo la bem longe ainda insiste — um pulso fraco de morte...
No fim — se é que há fim —
resta um desaguar contido,
como se o coração soubesse
Mas ainda assim recusasse
Já não sei de nada ...
Agora falo com o tempo
como quem pede licença.
Negocio minhas perdas
como quem aprende, tarde,
a escolher o que f**a ...
A vida —
essa que não pede autorização —
acendeu, de repente,
No coração cansado de um andarilho que seguia sem olhos, sem asas, que apenas seguia...
(...)
A.T. 21/04/26