Etiqueta Do Luto

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“Meus mortos me habitam.”Essa foi uma das frases que mais ficou comigo depois de ouvir Ana Claudia Quintana Arantes fala...
11/06/2026

“Meus mortos me habitam.”

Essa foi uma das frases que mais ficou comigo depois de ouvir Ana Claudia Quintana Arantes falando sobre seu livro “A morte é um lindo dia para se viver”.

Em uma das provocações da palestra, ela nos convidou a imaginar que, daqui a 30 anos, todos nós precisaríamos morar no deserto. E perguntou: se sabemos que esse momento vai chegar, por que não nos preparamos para ele?

A gente se prepara para tantas coisas na vida: uma viagem, uma mudança, uma nova fase… mas evita se preparar para a única certeza que temos.

A morte.

Falar sobre a finitude não é mórbido. Não dá azar. Não antecipa o fim. É uma forma de cuidar da vida.

Ana Claudia nos lembra que temos duas certezas: vamos morrer e vamos sofrer. E seu trabalho é também sobre como podemos atravessar o sofrimento com mais cuidado, presença e humanidade.

Uma das coisas que mais me atravessou foi perceber que, muitas vezes, no fim da vida, o que as pessoas desejam é mais tempo para resolver assuntos pendentes: dizer o que não foi dito, viver o que ficou para depois, estar perto de quem importa.

Talvez pensar na morte seja uma outra maneira de amar.

O luto não termina porque quem partiu não volta. O que muda é a nossa capacidade de lidar com a ausência. Aos poucos, quem amamos encontra outro lugar dentro da gente: deixa de estar presente fisicamente e passa a existir nas nossas histórias, nos nossos gestos, na nossa memória.

Meus mortos me habitam. 🤍

E talvez falar sobre eles seja também uma maneira de mantê-los vivos.

Na Feira do Livro deste ano, reencontrei um velho conhecido: Parte de Mim.Três anos depois de seu lançamento, sigo impre...
03/06/2026

Na Feira do Livro deste ano, reencontrei um velho conhecido: Parte de Mim.

Três anos depois de seu lançamento, sigo impressionada com a quantidade de caminhos que esse livro abriu.

Foi a partir dele que nasceram as primeiras inquietações que deram origem a Etiqueta do Luto. Depois veio o espetáculo. Depois veio um segundo livro, com a dramaturgia da peça. E, desde então, tantas temporadas, encontros, conversas e partilhas.

É bonito perceber que algumas obras não terminam quando fechamos a última página.

Elas continuam vivendo em nós. Se transformam em perguntas, em arte, em encontros.

Parte de Mim segue reverberando. E talvez essa seja uma das maiores alegrias de escrever: descobrir que uma história continua caminhando muito depois de ser publicada. 🤍📚

Tem temas difíceis de falar.Eles empurram a gente pra dentro de nós mesmos.Roubam as palavras e deixam só sensação, memó...
10/05/2026

Tem temas difíceis de falar.
Eles empurram a gente pra dentro de nós mesmos.
Roubam as palavras e deixam só sensação, memória, ausência.

A nossa sociedade construiu a figura da mãe quase como um mito. Como se toda mãe precisasse suportar tudo, dar conta de tudo, permanecer inteira enquanto oferece partes de si o tempo inteiro.

Mas a maternidade também transforma profundamente quem a gente era antes dela.

Existe amor, claro.
Existe descoberta, vínculo, carinho.
Mas existe também renúncia, deslocamento, mudança.

Porque quando uma mãe nasce, alguma coisa da mulher, da filha, da pessoa que ela era também se transforma para sempre.

Eu amo ser mãe.
E talvez por isso mesmo algumas datas sejam tão difíceis.

Porque existe uma diferença brutal entre se transformar pela maternidade e viver a ausência de um filho.

Uma coisa é descobrir uma nova versão de si.
Outra é precisar sobreviver depois de uma perda que nunca encontra linguagem suficiente.

Esses lembretes de vida também se tornaram lembretes de ausência.
Uma mistura estranha entre o que foi bonito e o que foi arrancado da gente.

Perder um filho é uma forma de amputação.
O corpo segue.
Mas algo nunca deixa de faltar.

Hoje, todo meu carinho às mães que atravessam essa data de forma indigesta. Às que amam enquanto sobrevivem.

Foram duas temporadas lindas! 36 apresentações, muitos encontros e aprendizados compartilhados. Gratidão, São Paulo! A g...
03/02/2026

Foram duas temporadas lindas! 36 apresentações, muitos encontros e aprendizados compartilhados. Gratidão, São Paulo!

A gente não sabe quando volta ou se volta a SP, então, por enquanto, deixamos aqui o nosso muito obrigado!

Se você assistiu ETIQUETA DO LUTO em qualquer uma das duas temporadas, comenta aqui sua impressão sobre o espetáculo.

Nos vemos em breve!

FIM DE TEMPORADA E INGRESSOS ESGOTADOS!Nos vemos às 20h no !*Sempre há uma fila da esperança na bilheteria. Basta chegar...
02/02/2026

FIM DE TEMPORADA E INGRESSOS ESGOTADOS!

Nos vemos às 20h no !

*Sempre há uma fila da esperança na bilheteria. Basta chegar 1 hora antes do espetáculo e deixar o seu nome com a produção. Não garantimos a entrada, especialmente hoje que é o último dia, mas se houver quebra de público, a gente libera os ingressos remanescentes por ordem de chegada.

01/02/2026

Para encerrar o nosso ciclo de bate-papos, hoje, depois da sessão das 19h, .psi se junta a nós para falar sobre o luto e seus desdobramentos.

Vamos encerrar esta temporada com chave de ouro? Esperamos vocês!

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01220040

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