11/06/2026
“Meus mortos me habitam.”
Essa foi uma das frases que mais ficou comigo depois de ouvir Ana Claudia Quintana Arantes falando sobre seu livro “A morte é um lindo dia para se viver”.
Em uma das provocações da palestra, ela nos convidou a imaginar que, daqui a 30 anos, todos nós precisaríamos morar no deserto. E perguntou: se sabemos que esse momento vai chegar, por que não nos preparamos para ele?
A gente se prepara para tantas coisas na vida: uma viagem, uma mudança, uma nova fase… mas evita se preparar para a única certeza que temos.
A morte.
Falar sobre a finitude não é mórbido. Não dá azar. Não antecipa o fim. É uma forma de cuidar da vida.
Ana Claudia nos lembra que temos duas certezas: vamos morrer e vamos sofrer. E seu trabalho é também sobre como podemos atravessar o sofrimento com mais cuidado, presença e humanidade.
Uma das coisas que mais me atravessou foi perceber que, muitas vezes, no fim da vida, o que as pessoas desejam é mais tempo para resolver assuntos pendentes: dizer o que não foi dito, viver o que ficou para depois, estar perto de quem importa.
Talvez pensar na morte seja uma outra maneira de amar.
O luto não termina porque quem partiu não volta. O que muda é a nossa capacidade de lidar com a ausência. Aos poucos, quem amamos encontra outro lugar dentro da gente: deixa de estar presente fisicamente e passa a existir nas nossas histórias, nos nossos gestos, na nossa memória.
Meus mortos me habitam. 🤍
E talvez falar sobre eles seja também uma maneira de mantê-los vivos.