04/01/2024
Neste janeiro o Pessoal do Faroeste comemora 26 anos de existência desde a estreia de Um Certo Faroeste Caboclo.
De lá pra cá foram muitas aventuras, e como o que define o gênero literário Faroeste: “Uma briga do bem contra o mal, num território em processo civilizatório (em disputa)”, assim foram os 20 anos vividos no território da cracolândia. Numa época em que essa parte da cidade era invisível, fomos pioneiros revoltos no enfretamento com a falta de direitos humano ali, tendo como arma o teatro e o altruísmo.
Dessa época, entre outros, trago 3 prêmios que muito me orgulham. Prêmio em Direitos Humanos da ALESP e da OAB e o premo Shell Inovação pela ocupação na região da cracolândia. O que demonstra meu amor por SP.
Entendendo que a missão havia terminado e o projeto se esgotado. Os últimos anos foram difíceis - com muitas traições, perseguições e mentiras. Tudo o que eu possa escrever em ficção não será mais surpreendente e rocambolesco que a minha vida melodramática nesse Pessoal do Faroeste.
Precisei vir pra Belém, voltar pra mim e pros meus e minhas, para me curar do adoecimento que me acometeu por tanta coragem e solidão, ali no front de guerra. Vim buscar conexões de SP com a Amazônia, por exemplo.
Deixei tudo pra trás em busca de outro sentido pro Faroeste e pra minha vida, que cada vez se tornava menos minha e mais distante. Me escapando entre os dedos. Passei a achar que morto valia mais que vivo. Mas sou muito vivo pra me matar. E fui descansar.
Peguei meus 23 pets e me tranquei 3 dias numa van, na estrada, sem sair pra nada, até chegar na Ilha do Mosqueiro, na Amazônia, fazer zooterapia e encontrar a Paciência.
Ao mesmo tempo encontrei nessa travessia os verdadeiros aliados, amigos: A lealdade de amizades, que construí em SP.
E tudo nos amadurece. Tudo. Tudo vira ficção. Tudo.
Assim que o Boulos chegar na Cidade e o Tarcisio sair do Governo, eu volto desse tempo que estou dando pra mim. Desse autoexílio, como bem definiu um irmão.
Aproveito e escrevo dois livros, um deles sobre o Faroeste. Minha autobiografia não autorizada.
“Verás que é tudo mentira”
Feliz 2024, SP. Um dia nos reencontraremos.
(Foto que recebi de um amigo da nossa antiga Sede. Acho a cara de SP hoje.)
Fora Tarcísio! Fora Ricardo Nunes!