Poesias Que Fiz Ou Deveria Ter Feito

Poesias Que Fiz Ou Deveria Ter Feito Para nós que gostamos escrever. Ou compartilhar textos que valeram a pena termos lido. É um depósito de textos.

12/06/2026

Em louvor à vida
Davi D. C.

À vida que se nos oferta
Em sua plenitude e graça,
À sua beleza material

Dedico minha Louvação.
Em toda sua plenitude
De células vivas e mortas

Que se espalham pelo universo
Dedico minha louvação.
Eu louvo a força criativa

E tão provisória da vida
Que num momento se constrói
E noutro se auto destrói.

Depois se reconstrói em sua
Eterna lógica dialética.
Louvo as belezas naturais

Das plantas animais insetos,
Sua arquitetura inigualável.
Eu louvo a força criativa

Presente no espírito humano
Louvo as construções culturais
Do homem animal que ameja

Eterna espiritualidade; e
À vida presente em meu corpo,
Em minha saúde e doença,

Que eu não posso e nem quero
Presentear com a eternidade,
Dedico minha louvação.

(10/12/18 – 29/11/19)

12/06/2026

O último dos poetas( ou sentimentos banais)
(Davi d. C.)
2.015

Resolvi tornar-me poeta profissional.
Todo dia me sentarei diante da tela
Qual galinha que se senta sobre ovos
E lá ficarei até que nasçam meus poemas.
E criarei sentimentos sentidos ou não.

Seguirei os conselhos de Fernando Pessoa
Serei um poeta fingidor literalmente
Fingirei minha dor meu prazer e o meu amor.
Farei até mesmo poemas por encomendas.
Doceira, farei milhares de doces poemas

Para aniversários namoros e casamentos.
Alfaiate, eu costurarei todos os meus versos
Bem elegantes para todas as ocasiões.
Tornar-me-ei uma fábrica de sentimentos.
Cantarei todos os amores felizes ou tristes.

Eu exaltarei a importância da amizade.
Chorarei com pobres que no mundo passam fome,
Poemas que emocionam ao serem lidos e ouvidos.
Eu denunciarei todas as injustiças sociais
Pra candidatos da situação e oposição.

Bradarei contra a destruição da natureza,
Preservação de plantas águas e animais
Para justificar as empresas poluidoras
Para publicidade de seus novos produtos.
Cantarei também pra pessoas muito sensíveis,

Para os que adoram a beleza da natureza,
A beleza do por do sol e a alegria
Da chuva bem refrescante que cai repentina
Depois da longa secura de uma estiagem.
Versejarei todos os corações partidos,

Sobre todos os amores não correspondidos.
A mãe que deixou saudades no Dia das mães.
Sobre filhos que a alegram ou entristecem.
Tirarei profundidade das banalidades
E despertarei suas lágrimas mais piegas.

Lágrimas de alegrias e de felicidades
Lagrimas verdadeiras ou falsas dos leitores.
Poetarei sentimentos que querem sentir
E para sentir não terão o árduo trabalho.
Receberão todos os sentimentos do mundo,

Não terão a surpresa dos sentimentos novos.
Cantarei todos os sentimentos em meus versos
Direi tudo que meus leitores querem ouvir
E não deixarei nada para ser poetado.
Então, todos poetas desaparecerão.

E quando eu não tiver nada mais para poetar
Farei de novo os mais belos poemas de amor
Porque os leitores são viciados em amor
Sonhado e acharão todos originais.
E espalharei mil cartazes pela cidade:

"Vendem-se belos sentimentos por preço módico
Garantidos ou o seu dinheiro devolvido."

12/06/2026

Virgem Maria de amor.
por Davi d. C.

Minha amiga Maria era uma mulher
Que mal amanheceu como uma adolescente

Deixou germinar em seu meigo coração
O desejo de encontrar um amor pra sempre,

Além do corpo, em sua alma inocente.
Essa busca amadureceu na juventude

Pra realizar seu sonho do amor além corpo,
Uma alma masculina maior que o s**o.

Bela que era conheceu vários rapazes.
Sempre insaciada faltava-lhe a paz

Do amor que desejava ter além do corpo.
Até que ela encontrou um moço tão tão lindo

E se deu a ele de corpo e de alma.
Finalmente sua busca do amor cessou

Ele amava a sua alma além do corpo,
Sempre doce e interessado por seus desejos.

Anos passaram e com eles o amor
Que se revelou só inteiramente corpo.

Logo se viu insaciada, separou-se,
Mas não cessou seu sonho de amor além corpo.

E casou descasou e casou descasou,
Finalmente, virgem, morreu e descansou.

10/2015.

12/06/2026

Quando amei você
(Cantiga de mimar para Claudia)

Quando eu vim a te amar?
Quando tudo começou?
No meu primeiro olhar,
No meu primeiro beijo,
Na primeira noite...
Que eu pude te amar?

Foi mesmo quando você disse
Que, quando era bem menina,
Era a melhor jogadora
De bolinhas de gude na rua.
E eu disse que, quando menino,

Eu era o rei da minha rua.
Então naquela noite escura,
Voltamos à nossa infância
E fomos, num doce jogo,
Namorados de infância.
Perdi, e você fez em pedaços

O meu coração de criança.
Então me tornei um homem
E pedi a minha revanche.
Mulher, você quis saber
Se o vencedor levaria
Toda a aposta da vida

Por toda a nossa vidinha.
Vou perder, eu te respondi,
E você levará tudo:
Toda a minha infância,
Todo o meu desejo,
Todo o meu amor,
De menino e de homem.
(14 de julho de 2017)

01/06/2026

Redenção
Davi d. C.

Antes de eu morrer,
Quero agradecer
Louvar a esta vida
Que deixou-me existir,

Tolerando o desprezo
E a minha ingratidão.
Eu peço o seu perdão
Porque não percebi

O valor de seu dom
Procurando culpados
Em vez de enxergá-la,

Em toda a sua beleza
E que me deu a dádiva
De eu poder existir.

31/12/2025

Infeliz Ano Velho!
Davi D. C.

Fim de ano
Pai dos desgraçados!
Ano Velho nem bem morre
Vivo ainda
Pulsante
Consciente
Já o matam
Já de véspera
Como um peru do natal.
Já comemoram sua morte.
Um velho inútil
Um peso a ser desfeito.

Causa pena ver
Um ano ainda cheio de vida
Abandonado para morrer.
Cuidasse dele e viveria muito
Muito tempo ainda
Talvez anos...
Oh famosa desumanização!
Pobre ano!
A ele sobram as desinfelicidades,
As culpas.
Ano Macunaíma:
Poderia ter sido mas não foi.
A ele as desgraças a serem esquecidas.
Os males humanos cabem a ele
Para serem esquecidos.
A ele as desfelicidades
a serem esquecidas
Se possível.
Ano Bandeira.
Um ano que poderia ter sido
Mas não foi.
Só lhe resta cantar um tango argentino.
Pai dos desgraçados!
A ele as desgraças.

Os sonhos,
Os desejos
Projetos que ainda podem ser,
O porvir,
Tudo creditado ao Ano Novo,
Que nasce
Como um prometido,
Como um messias
Que fará um novo testamento
Aos humanos.
Nasce cheio de esperanças
Desejos
Promessas
Ilusões.
Cheio de responsabilidades,
Cabe a ele trazer
Felicidade
Que o Ano Velho
Não trouxe,
Aquele velho incompetente.

Ano Novo...
(Pai dos desgraçados!)
As graças estão por vir
No prometido ano novo.
Eleito (ou preso?)
Pra satisfação
De meus desejos.
Humanos.
Ele, sim,
Gênio da lâmpada!
Todo poderoso!
Não será liberto
Se não cumprir
Meus desejos.

E o Ano Novo
Enche-se de p***a,
De gloria.
Tão ingênuo, coitado!
Não sabe de seu destino tirano...
De boi de piranha...
Um Cristo a ser crucificado
Para pagar nossas futuras infelicidades.

Ano novo, ingênuo!
Pensa que nasceu para ser rei,
Um herói,
Um Deus grego!
Quem sabe Zeus?

Ano novo...
Que pureza!
Um menino Macunaíma,
Nasce herói,
Não sabe do fim inglório
Que lhe está reservado
Pelos homens insaciáveis.
Mal sabe de seus últimos dias:
Também condenado a
Ser um ano Bandeira.
Morrerá de véspera
Pobre Ano Novo!
Já nasce velho
Com doença degenerativa:
Novo-Velho
Menino-Velho,
Pai dos desgraçados!

Definitivamente
O ano deve ser liberto
Como um gênio da lâmpada.
Deve ser abolido,
Um escravo, tadinho.

Queremos
Apenas o tempo
Presente
O instante-Cecília.
Morte ao calendário!
Aos meses!
Aos dias!
Às horas!
Aos minutos!

Desejos insaciáveis,
Humanos,
Vão as favas!
Liberdade ao ano
Da busca doentia
De felicidade,
De futuro,
Do desejo de ser eterno,
Que assassina todos os anos,
Sacrificados
Como oferendas
Ao desejo de eternidade.
Dignos de sacrifício aos deuses:
Virgens,
Anos virgens.

Choremos o Ano Velho
Choremos o Ano Novo
Choremos por suas almas!
Pais dos desgraçados,
Descansem em paz.
Amém.
(1985-2013 dc)

13/07/2025

Estou bem, vivendo,
não sou semente, Dr.

13/07/2025

Para Sempre
Carlos Drummond Andrade

[ à minha mãe.

"Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho."

Carlos Drummond de Andrade , "Lição de Coisas: poesia". São Paulo: J. Olympio, 1.965

13/07/2025

Com esse vento no rosto nem vontade de morrer dá

13/07/2025

Com esse vento no rosto
Nem vontade de morrer dá.

Endereço

Pompeia/São Paulo/
São Paulo, SP
01224000

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