18/09/2026
A Poesia sempre foi um meio não um fim.
Quando eu comecei eu não sabia o que queria. Não tinha nenhum sonho ligado a lançamento de livros, nem um sonho sobre ganhar slam ou competir, não almejava ser conhecida pelo meu trabalho ou fazer da poesia um trabalho.
Acho que quando comecei eu sabia pouco sobre mim. E saber pouco antes, me faz valorizar o hoje em cada passo construído, não pulei processo nenhum, senti todos os sentimentos que sei nomear e demorei pra entender os que não sabia.
E agora com meias certezas é mais convicções que antes afirmo que chato seria não olhar para a história e ver que cada coisa que escutei fez parte da construção desse quebra cabeça, imagina achar que todas as coisas mais legais que li foi eu quem escrevi, Deus me livre deixar de ouvir com cuidado as pessoas que pisaram na mesma terra que eu.
A poesia me ensinou a escutar.
Me dar a devida insignificância, depois de entender meu significado.
A poesia é a herança de um povo que poetizou os fatos. E de fato, a poesia me levou em muitos lugares, mas se não fossem as pessoas… a poesia seria tão pouco.
Pouca prosa e pouca ideia.
Tem gente que não sabe, mas a poesia não salva sozinha, solta no mundo, aleatória. Ela salva, pois tem gente, tem corpos, mãos, tem sangue, tem olho no olho, calor, suor, propósito.. não em salvar, mas em te conectar com o outro, é isso que salva.
A poesia, assim como a educação não muda o mundo, muda pessoas, as pessoas que mudam o mundo. (Freire disse quase assim né?)
No fim é isso que a Antologia do Sarau do Capão significa pra mim, pessoas que decidiram mudar o mundo juntas e a poesia foi o meio para que isso acontecesse.
Um brinde ao Sarau do Capão.
Todo livro que nasce é motivo de comemorar. 🍻